O Brasil está no bico do corvo em gestão pública

De ficção em ficção, o governo brasileiro se tornou praticamente incompreensível. Por exemplo: para a presidente Dilma, há uma “campanha” contra a Petrobras. Mas foi ela quem denunciou um mau negócio feito pela empresa

São Paulo – Não é a mesma coisa que ser ruim. A baixa, ou baixíssima, qualidade da administração pública federal é velha conhecida de todos — é isso que se vê há três anos e meio, pelo menos. É pior, com certeza, do que era nos oito anos anteriores, nos dois mandatos do ex-presidente Lula.

Os números, então, estavam bem mais em forma. A política econômica era mais responsável, mais eficaz e mais respeitada. Dava para notar no primeiro escalão, aqui e ali, alguma competência. Hoje o Brasil, do ponto de vista gerencial, está no bico do corvo.

Não há resultados a apresentar ou realizações que estejam no mundo dos seres vivos; o governo não faz, ou então faz mal, demora para fazer e paga preços exorbitantes pelo pouco que faz. A cadeia produtiva do etanol, uma das mais promissoras que o país tinha em 2010, passa por um processo de destruição.O sistema elétrico viu-se metido numa tempestade perfeita em matéria de inépcia.

A Petrobras, no fim de 2013, valia menos da metade do que no fim de 2010, com a evaporação de 120 bilhões de dólares em seu valor de mercado — e isso, imagine só, porque a presidente Dilma Rousseff, segundo mitos e lendas de nossa terra, é uma das “maiores conhecedoras” de energia jamais vistas neste país. Onde estaríamos, então, se ela não fosse essa sumidade? Melhor nem pensar.

O governo Dilma é ruim porque ela só admite em seu redor gente que lhe diga “sim” 24 horas por dia, não discuta nenhuma instrução e, de preferência, não pense nada. É rigorosamente impossível, por tal sistema, atrair qualquer tipo de talento para a alta administração; tudo o que se consegue é uma tropa de anões bajuladores.

A diplomacia brasileira anda nas piores companhias que poderia encontrar. Os níveis de incompetência do governo já vazaram para o exterior: o Comitê Olímpico Internacional, alarmado com o que está vendo na preparação da Olimpíada do Rio de Janeiro, acaba de fazer uma inédita intervenção no projeto todo, sem ouvir um pio de protesto nacionalista em Brasília.

Qual a surpresa, no fundo? Só para quem quis acreditar no conto de que Dilma era uma notável “gerente” — sem que jamais se tivesse apurado, até hoje, um único fato real capaz de comprovar tais habilidades. Foi apenas mais uma dessas fábulas fabulosas criadas na imaginação de Lula, como a transposição das águas do São Francisco e outras miragens.

Mas a questão, agora, vai além de tudo isso: de ficção em ficção, o governo brasileiro tornou-se praticamente incompreensível. A presidente da Petrobras, numa maratona oratória de 6 horas no Senado Federal, disse que a funesta compra da refinaria de Pasadena foi um mau negócio, mas ao mesmo tempo não foi, embora realmente possa ter sido.

A presidente Dilma denuncia uma “campanha de agressão” contra a Petrobras — mas como, se foi ela mesma, e mais ninguém, quem denunciou a compra, por ter seguido informações erradas e incompletas? Se há barulho em volta da Petrobras, é porque Dilma ligou o som no volume máximo.

Não dá para entender por que o principal diretor da empresa envolvido no fechamento do negócio só foi demitido agora, oito anos inteiros depois do fato — até porque outro ex-peixe gordíssimo da Petrobras, que teve toda a intimidade com a compra, está hoje num xadrez de Curitiba em virtude de seus variados conflitos com o Código Penal.

E, se está tudo limpo, por que o esforço desesperado de Dilma, de Lula e do PT para impedir a investigação do caso, o que a Petrobras jamais concordou em fazer com um mínimo de boa-fé? Por que a desordem em torno do deputado André Vargas, top de linha no alto comando do PT e envolvido até o talo com um doleiro também preso?

Ele já renunciou à vice-presidência da Câmara, licenciou-se, prometeu que ia renunciar ao mandato, desistiu de renunciar etc. etc. A verdade é que Lula e o PT não conseguem decidir o que fazer com ele — uns dizem uma coisa, outros dizem o contrário, e o resultado é que não se entende nada.

Sanatório geral, sem dúvida.

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