A biotecnologia como retorno à natureza

A Superbac acaba de inaugurar sua maior biofábrica da América Latina, com pesquisas e produção de micro-organismos para a indústria alimentícia
 (Divulgação/Jhones Proenci)
(Divulgação/Jhones Proenci)
Por Luiz Chacon Publicado em 19/11/2021 06:00 | Última atualização em 16/11/2021 23:23Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Jamais imaginei que chegaria até aqui, apresentando ao Brasil a mais moderna biofábrica da América Latina. Uma incubadora de ideias e centro de pesquisa e desenvolvimento, onde já circulam mais de 50 cientistas completamente comprometidos com o propósito de buscar soluções sustentáveis, capazes de suavizar a tão combalida relação entre homem e natureza.

A Superbac nasceu, há 25 anos, de um desejo legítimo de contribuir para devolver à natureza um pouco do tanto que lhe foi retirado. As três grandes revoluções — Agrícola, Industrial e Tecnológica — geraram imensa remuneração à sociedade, mas por meio de uma exploração desigual, na qual só o homem se beneficiou. Não enxergávamos que todo o passivo ambiental poderia chegar ao ponto de quase inviabilizar a regeneração do planeta. Precisamos repensar a maneira como produzimos agora, antes que a Terra colapse.

Eu tinha menos de 20 anos e quase nenhum conhecimento sobre o que era a biotecnologia. A única certeza era que minha intensa conexão com a natureza funcionaria quase como um ímã, que me guiaria para atuar em uma área até então desconhecida no Brasil. De uma proposta que ofereci a uma fábrica de chocolates para tratar a caixa de resíduos de gordura da cozinha nascia o pioneirismo no país em tratar efluentes com bactérias do bem.

Não era um caminho norteado pelo pilar financeiro e de negócios. Na verdade, muitos diziam que era loucura tentar desenvolver um segmento novo, cuja premissa era usar bactérias em um projeto inicial aplicado dentro de uma indústria alimentícia. Mas aquilo era, acima de tudo, um propósito, uma missão pessoal e um compromisso de poder viver tentando oferecer caminhos que contribuíssem para uma sinergia entre natureza e sociedade. O aprendizado era e continua sendo gigantesco.

Foram 11 anos até conseguirmos o primeiro registro da tecnologia. Não tivemos apoio público nem canais de fomento a investimentos. Fomos então buscar além-mar, com apoio de fundos em Portugal.

Além de certo ceticismo, não havia e não há, infelizmente, políticas públicas que incentivem pesquisas vanguardistas no Brasil. Mentes brilhantes que atuam em grandes universidades precisam operar verdadeiros milagres para avançar em seus projetos de estudo. É um triste gargalo brasileiro.

Ao longo do caminho ficou claro que a biotecnologia é capaz de oferecer uma das mais desafiadoras simbioses que temos no planeta: a de unir ganhos econômicos e de produtividade com soluções sustentáveis. Foi por esse motivo que há seis anos mergulhamos de cabeça no ambiente rural, sendo pioneiros em ofertar à agroindústria a mais moderna e sustentável tecnologia de nutrição vegetal e saúde do solo.

Somos a única empresa no mundo — 100% brasileira — com mais de 3 milhões de hectares plantados por agricultores que utilizam o apoio de nossa tecnologia em busca de produtividade sustentável. Mas soluções tecnológicas vão muito além do segmento do agronegócio.

Os micro-organismos vivos trazem soluções quase incontáveis, que passam, por exemplo, por indústrias como de óleo e gás, de bens de consumo e até de saneamento. Aliás, tratamos o esgoto de Jerusalém, em Israel, como um case de sucesso, ofertando expertise para o país que mais investe em gestão de água do planeta.

Os conceitos que envolvem a agenda ESG fazem parte do nosso DNA. Nos transformamos em um provedor dessa filosofia e estou seguro de que, lá na frente, o produtor que utilizar nossa tecnologia conseguirá até mesmo créditos de carbono, podendo agregar valor a seus produtos, vendendo-os como premium, como ocorre hoje com os orgânicos. É apenas o início da revolução na qual ganharão o homem e a natureza.

Inauguramos recentemente uma biofábrica com a maior capacidade de desenvolvimento de novas biossoluções da América Latina. Tudo o que há de vanguarda estará presente nela. O mantra que será entoado por nossos cientistas, pesquisadores e colaboradores continuará a ser o mesmo de 25 anos atrás: é preciso humildade para aprendermos com a natureza e, com isso, criarmos soluções que possam resolver muitos problemas da humanidade.

 

(Arte/Exame)

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