Publicado em 22/06/2026, às 17:45.
Última atualização em 22/06/2026, às 17:47.
Apresentado por COSAN
Apesar de reunir vantagens competitivas relevantes — como uma base agroindustrial robusta, matriz energética diversificada, mercado consumidor amplo e posição estratégica no comércio global — o Brasil ainda convive com gargalos na infraestrutura que encarecem a produção, dificultam o escoamento e reduzem a competitividade.
Dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) apontam que os investimentos em infraestrutura precisam sair do patamar de 2,2% para pelo menos 4,3% do PIB nos próximos oito anos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também dimensiona o desafio: o país precisaria investir cerca de R$ 344 bilhões por ano em infraestrutura, mas hoje aplica aproximadamente R$ 135 bilhões, um patamar insuficiente para enfrentar as deficiências acumuladas.
O papel da iniciativa privada
O debate sobre infraestrutura no Brasil passa, cada vez mais, pela interação entre capital privado, ambiente regulatório estável e visão de longo prazo. Mais do que viabilizar obras e ativos, essa agenda tem impacto direto sobre produtividade, desenvolvimento regional, geração de empregos e competitividade.
Em 2025, os investimentos em infraestrutura alcançaram cerca de R$ 280 bilhões nas áreas de energia elétrica, transporte e logística, saneamento básico e telecomunicações. O maior protagonismo vem do setor privado, responsável por mais de 80% dos investimentos, na esteira das concessões e PPPs realizadas no país.
Esse avanço tem efeito multiplicador sobre a economia. Segundo o Boletim da Infraestrutura, do FGV IBRE, cada R$ 1 milhão investido em construção civil pode gerar até 33,25 empregos, enquanto o mesmo valor aplicado em transportes pode movimentar R$ 3,34 milhões em produção econômica, além de contribuir para a redução do Custo Brasil.
Na logística, a expansão ferroviária vem se consolidando para trazer equilíbrio para matriz de transportes — especialmente no escoamento de commodities agrícolas e minerais. Para funcionar, esse modelo depende de algo essencial: conectar regiões produtoras, no interior do país, aos portos com previsibilidade e escala.
A Rumo aposta na ampliação da malha ferroviária e da capacidade operacional como forma de tornar o transporte mais eficiente e reduzir custos ao longo de toda a cadeia.
Em 2025, a companhia transportou 84,2 bilhões de TKU, um crescimento de 5,4% em relação a 2024, além de investir R$ 6 bilhões em expansão de capacidade, produtividade e segurança operacional.
Rumo: BTG manteve recomendação de compra para as ações da companhia e preço-alvo de R$ 23, o que representa um potencial de valorização de 74,6% sobre a cotação atual.
“Isso mostra que a ferrovia não é apenas um discurso de futuro. Ela já está sendo executada como solução real para o país”, afirma Natalia Marcassa, vice-presidente Institucional, Regulatório e Comunicação da Rumo.
Veja também
No último sábado (20/06), a companhia entregou a primeira fase do projeto, com 162 km de extensão, entre Rondonópolis e Dom Aquino, onde está localizado o terminal, às margens da BR-070. Peça-chave dessa expansão, o terminal tem capacidade de operar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano", diz Marcassa.
Mas eficiência logística não se sustenta sem portos preparados. Por isso, a visão de infraestrutura precisa ser sistêmica e multimodal — conectando o trilho ao porto. Nesse ponto, o Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, é um elo crítico.
Para endereçar esse gargalo, o Terminal Multimodal de Santos (TMS) nasce de uma parceria estratégica com a CHS e a DP World, com investimentos estimados em R$ 2,5 bilhões.
O terminal foi dimensionado para movimentar 12,5 milhões de toneladas por ano — sendo 9 milhões de grãos e 3,5 milhões de fertilizantes. A estrutura amplia não só a capacidade de exportação, mas também reduz o custo de importação de insumos agrícolas. Além da previsibilidade, o ganho está na segurança para o cliente e na eficiência da cadeia.
Energia, gás natural e biometano como base de competitividade
Se a ferrovia integra o território, a infraestrutura energética sustenta pilares fundamentais da economia, como indústria, comércio, transporte e frota de veículos. Nesse cenário, o gás natural assume papel central — como energia de transição e elemento de segurança para o sistema produtivo.
Hoje, o insumo representa cerca de 10% da matriz energética brasileira e é visto como um elo entre segurança de abastecimento, transição energética e competitividade industrial.
O desafio está no gargalo da infraestrutura de distribuição. Parte relevante da indústria e do transporte pesado ainda opera fora dela, dependendo de combustíveis mais caros e mais poluentes, como diesel, óleo e carvão.
Criada em janeiro de 2024 como parte da plataforma de negócios da Compass, a Edge surge para ampliar as alternativas de suprimento de gás no país. Um de seus ativos é o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), em Santos.
TRSP: terminal em Santos amplia oferta de gás natural para o principal polo consumidor do país.
O projeto recebeu R$ 1 bilhão em investimentos e foi concebido para atender o principal polo consumidor de energia do país. O terminal tem capacidade para regaseificar até 14 milhões de metros cúbicos por dia e armazenar 100 milhões de m³.
Segundo a empresa, a estrutura permite acessar gás do pré-sal, da Bolívia, da Argentina, e gás natural liquefeito (GNL) importado do mercado internacional.
Em 2026, a Edge iniciou a atuação no mercado off-grid — voltado a clientes fora da rede de gasodutos.
GNL GNL off-grid: caminhões criogênicos levam gás a clientes fora da rede de gasodutos.
Nesse modelo, o GNL sai de Santos, seguindo todas as recomendações de segurança, em caminhões criogênicos e segue até plantas industriais e operações de transporte pesado ainda não atendidas pela infraestrutura convencional.
Ao chegar ao destino, o gás passa por uma Unidade Autônoma de Regaseificação instalada no cliente e conectada à rede interna.
A avaliação da companhia é que esse modelo permite acelerar o acesso ao gás em regiões onde a expansão de gasodutos ainda não chegou — criando uma solução modular, escalável e replicável.
“O GNL off-grid permite atender demandas de maneira rápida e eficiente, ao mesmo tempo em que cria as condições para a conve rsão energética da indústria e do transporte pesado”, afirma Cardoso.
O biometano também ocupa uma posição central na estratégia de transição energética da Edge. Produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos, ele é um combustível 100% renovável e desponta como uma das principais alternativas para acelerar a descarbonização de setores de difícil eletrificação, como o transporte pesado e parte da indústria.
Quimicamente idêntico ao gás natural, o biometano pode aproveitar a infraestrutura já existente de transporte e distribuição, o que amplia sua competitividade e acelera sua adoção em escala.
Biometano: unidade em Paulínia amplia produção de combustível renovável para indústria e transporte.
Fruto de uma parceria entre Edge e Orizon, com investimento de R$ 450 milhões, a Onebio, localizada em Paulínia (SP), é apontada como a maior unidade de purificação de biometano do país, com capacidade nominal de até 225 mil metros cúbicos por dia.
Além de substituir combustíveis fósseis, o biometano oferece uma vantagem ambiental dupla: evita a liberação de metano na atmosfera — um gás de efeito estufa com alto potencial de aquecimento — e reduz as emissões no uso final, especialmente quando aplicado em veículos pesados. Pesquisa realizada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, apontam que o biometano emite até 2,5 vezes menos CO₂ do que eletricidade para veículos.
Os desafios para acelerar o passo
Tanto na logística quanto na energia, o desafio é transformar investimento em ganho estrutural de competitividade. Para a Cosan, holding investidora de Rumo e Compass, o avanço dessas frentes precisa acontecer de forma integrada.
Esse papel vai além da gestão de ativos. Ao conectar negócios ligados a infraestrutura, energia e mobilidade, a companhia reforça uma visão de longo prazo sobre temas que afetam diretamente a economia brasileira: produtividade, eficiência operacional, segurança de suprimento, desenvolvimento regional e geração de empregos.
“Quando essas agendas caminham juntas, o impacto é sistêmico: reduzimos custos, aumentamos produtividade, elevamos a eficiência energética e diminuímos emissões. Essa visão integrada é fundamental para destravar o potencial de crescimento do país”, disse a empresa à EXAME.
O ponto crítico está na escala. Sem ambiente regulatório estável, acesso a financiamento e maior integração entre poder público e iniciativa privada, a infraestrutura travada. Com esses elementos, porém, ela deixa de ser um gargalo — e passa a funcionar como base para crescimento sustentado, desenvolvimento regional e uma inserção mais competitiva do Brasil na economia global.
No fim, essa é uma agenda que combina produtividade, emprego, integração territorial e capacidade de expansão. Em um país que já mostra avanço no volume de investimentos e maior presença do capital privado, o desafio agora é transformar esse movimento em um ciclo duradouro de eficiência e competitividade. É dessa articulação entre logística, energia, regulação e visão de longo prazo que pode sair um Brasil mais integrado, mais produtivo e mais preparado para sustentar seu protagonismo econômico.
Compartilhe este artigo
Tópicos relacionados
Créditos
EXAME Solutions
EXAME Solutions
Somos o time de branded content da EXAME, que produz conteúdo de qualidade com o apoio de clientes em todas as plataformas da marca.
