Publicado em 09/06/2026, às 17:51.
Última atualização em 24/06/2026, às 09:20.
A inteligência artificial aplicada aos negócios foi o tema do AI Summit EXAME, realizado em 2 de junho, em São Paulo, pela EXAME em parceria com a Saint Paul. O encontro reuniu especialistas, executivos e lideranças com a proposta de conectar tecnologia, estratégia, gestão e tomada de decisão. Ao longo de mais de oito horas, a programação somou 16 painéis, organizados entre quatro palestras em um grande auditório e debates simultâneos em salas paralelas.
A programação do auditório começou com Sérgio Sacani. O geofísico levou a discussão da IA para além de modelos, algoritmos e aplicações corporativas. Sua palestra relacionou o avanço da tecnologia à disputa por energia, chips, minerais estratégicos e infraestrutura. Sacani destacou o papel das terras raras, do processamento desses insumos e da exploração lunar na corrida internacional pela inteligência artificial. A Lua apareceu como parte de uma agenda que combina recursos naturais, direito espacial, geopolítica e uso de IA em atividades como mineração, mapeamento e operação de robôs.
Em seguida, Cristiano Nobrega, Chief Data & AI Officer da TOTVS, defendeu que a estratégia de IA nas companhias comece pela clareza sobre problemas, métricas, dados e governança, não pelo entusiasmo com modelos. Afirmou que apenas 7% do mercado consegue extrair valor real da ferramenta e apontou a engenharia de dados como etapa decisiva, responsável por boa parte do esforço de um projeto bem-sucedido. Abordou ainda agentes de IA, métricas de resultado e o papel humano na implantação, e resumiu que ela só decola quando deixa de ser discurso e passa a operar com método e retorno mensurável.
Impacto e sentido
A terceira palestra no auditório coube a Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, que tratou dos impactos econômicos da IA. Segundo ele, a tecnologia deixou de ser apenas ferramenta de busca e automação para reorganizar o acesso à informação, a produção de conteúdo e a tomada de decisões. Coelho defendeu que o Brasil avance de consumidor para produtor de soluções em áreas como educação, energia, clima, agricultura e saúde. Apontou a expansão dos agentes de IA no trabalho e sustentou que o país precisa unir ousadia, responsabilidade e investimento em educação.
O auditório recebeu também a palestra de encerramento, apresentada pelo filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, em torno de uma pergunta: a inteligência artificial tornará os humanos mais felizes? Ele evitou tanto o entusiasmo quanto o medo apocalíptico e situou a discussão em uma tradição de cerca de 2.500 anos, com referências que vão de Prometeu aos estoicos e epicuristas. Para Pondé, a IA está ligada à eficiência, ao resultado e à reprodução do capital, e tende a ser incorporada na medida em que gera riqueza. A felicidade, argumentou, depende de outros fatores, não de uma solução técnica.
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Debates em paralelo
Nos intervalos entre as palestras, diferentes temas foram discutidos por especialistas, simultaneamente, em outras salas. Em uma delas, Miguel Lannes Fernandes, Diretor de IA da EXAME | Saint Paul, mediou uma conversa sobre vibe coding e automação com Alexandre Messina, da Lovable no Brasil, e João Paulo Alqueres, da Iara Digital. O grupo discutiu como ferramentas de IA permitem que não programadores criem aplicações, mas ponderou que muitos desses projetos falham nas empresas e que a definição clara do problema segue indispensável. Para os debatedores, o software de prateleira tende a perder espaço para soluções internas e personalizadas.
Fernandes participou também de um painel sobre IA e o futuro dos negócios, ao lado de Leonardo Cirino, CMO da EXAME | Saint Paul. Ele relatou um caso pessoal, a produção de um documentário na Europa com apoio de agentes de IA em diferentes etapas, e defendeu que a máquina assuma tarefas repetitivas enquanto o profissional preserva o papel de curador. Para Fernandes, marketing, vendas e tecnologia são as frentes de maior aderência da IA nas empresas, e a automação deve partir de processos já conhecidos.
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Empregos em transição
Mais tarde, o diretor de IA da EXAME | Saint Paul mediou um bate-papo entre Dora Kaufman, professora da PUC-SP, e Silvio Meira, cientista-chefe da TDS Company, sobre os impactos sociais e éticos da IA. Eles afirmaram que muitas organizações promovem uma “artificialização” de processos antigos em vez de uma transformação cognitiva, e defenderam uma estratégia nacional para formar capital humano e assegurar soberania. Meira ainda apresentou seis novos papéis humanos na economia da IA.
Em outra sala, um debate sobre o novo papel dos CIOs reuniu Alaine Charchat, da Reckitt, e Renata Marques, ex-CIO da Natura LatAm, com mediação do consultor Luiz Gustavo Pacete. As executivas descreveram a transição de uma liderança centrada em sistemas para outra voltada a pessoas, dados e desenho organizacional, e discutiram quem deve responder quando um agente de IA comete um erro. A conversa separou a everyday AI, voltada à eficiência diária, da game-changing AI, ligada a novos modelos de negócio.
Soberania e tropeços
A soberania tecnológica do Brasil pautou a mesa entre Celso Camilo, mestre e doutor em inteligência artificial, e Luis Fernando Prado, advogado e líder do Comitê de IA Responsável da Abria (Associação Brasileira de Inteligência Artificial), com mediação de André Lopes, editor de IA e Tech na EXAME. Prado questionou a pressa em regular a IA antes de incentivar seu uso e citou o PL 2.338/2023, em tramitação na Câmara. Ele apontou ainda o avanço da shadow AI, o uso informal de ferramentas fora das políticas das empresas, enquanto Camilo apresentou iniciativas acadêmicas voltadas a modelos de linguagem em português brasileiro.
Já o painel sobre o que falha na adoção de IA contou com Teodora Barone, da Asimi Investments, e Dionisio Chiuratto Agourakis, da JAI. A dupla atribuiu boa parte dos fracassos a decisões ruins de implantação, como começar por projetos periféricos. Como saída, os dois propuseram um método de modernização gradual dos sistemas, com métricas de negócio definidas antes do início.
Da regulação ao estúdio
Outros cinco painéis completaram a grade. A advogada Patricia Peck, do Peck Advogados, Mariana Rielli, da Data Privacy Brasil, e Ana Zamper, da EXAME Saint Paul, trataram de governança, regulação e cibersegurança da IA no Brasil. Erik Nybo, cofundador da Bits, falou sobre o uso da tecnologia por líderes para acelerar decisões e fortalecer equipes. Izabela Anholett, fundadora da Nura AI, conduziu três sessões práticas do Estúdio IA, dedicadas ao uso do Claude na rotina de trabalho, à geração de imagens e vídeos e à criação de aplicações e sites sem código.
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Da Redação
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