TV: com pacotes mistos, operadoras de TV por assinatura podem ser mais atrativas para clientes que buscam ter acesso a múltiplos streamings (Capelle.r/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 16h52.
No início da década de 2010, os serviços de streaming chegaram ao mercado com a promessa de ser uma alternativa econômica aos pacotes de televisão por assinatura, que dominavam a TV há mais de duas décadas. Agora, com o streaming não sendo mais apenas uma alternativa, mas sim o status quo, essa perspectiva de economia está ficando menos evidente.
Nos Estados Unidos, os oito principais serviços de streaming custam cerca de US$ 151 por mês, contra mais de US$ 170 de um pacote completo de TV a cabo ou por satélite.
No Brasil, porém, a conta se inverte. Os oito serviços considerados na comparação chegam a R$ 213,29 mensais, enquanto há opções de TV por assinatura a partir de R$ 45.
Apesar disso, comparação não coloca produtos idênticos lado a lado. A TV a cabo reúne canais ao vivo e programação linear, enquanto os streamings são voltados principalmente ao conteúdo sob demanda. Ainda assim, os valores mostram como o cenário mudou desde o início a popularização das plataformas.
Por aqui, a soma dos planos de entrada de Prime Video, Netflix, Disney+, HBO Max, Globoplay, Apple TV+, Paramount+ e YouTube Premium chega a R$ 213,29 por mês.
A diferença para a TV por assinatura é significativa. O Vivo Play App Inicial custa R$ 45 mensais e oferece mais de 40 canais. O Vivo Play App Estendido sai por R$ 65, enquanto a SKY SUPER I custa R$ 59,90 nos três primeiros meses e R$ 89,90 depois, com mais de 140 canais e Amazon Prime incluso.
Os pacotes que combinam os dois modelos tornam a comparação ainda mais interessante.
O Claro TV+ com Netflix Padrão oferece mais de 120 canais ao vivo, além de Netflix, Globoplay Premium, Max com anúncios, Apple TV+, Amazon Prime Video e Disney+. O valor passa de R$ 89,40 nos dois primeiros meses para R$ 133,90 após a promoção.
Segundo análise do Hollywood Reporter, os preços dos serviços de streaming nos Estados Unidos subiram 11,8% nos últimos 12 meses. Na TV a cabo e por satélite, o aumento médio foi de 3,9% ao ano. Em 2023, o reajuste médio dos streamings chegou a 17,7%.
A diferença também aparece quando se olha para o preço desde o lançamento. O Apple TV passou de US$ 4,99 para um valor três vezes maior, enquanto o Paramount+ teve alta de 80% em cinco anos.
A Netflix Premium ficou 125% mais caro desde 2013. No Disney+, o preço inicial de US$ 6,99 passou para US$ 11,99 no plano com anúncios.
Com oito grandes serviços contratados simultaneamente, a conta americana subiu de aproximadamente US$ 90 há quatro anos para US$ 151 atualmente. Mesmo assim, continua abaixo dos mais de US$ 170 cobrados por pacotes completos de TV a cabo.
Os números deixam uma diferença clara entre os mercados. Nos Estados Unidos, reunir os oito principais streamings ainda sai mais barato que um pacote completo de TV por assinatura, embora a vantagem tenha diminuído com os reajustes acelerados das plataformas.
No Brasil, a contratação individual dos oito serviços chega a R$ 213,29 mensais — quase cinco vezes o preço do plano mais barato de TV considerado na comparação.
Um pacote híbrido como o Claro TV+, por sua vez, reúne seis serviços de streaming e mais de 120 canais por R$ 133,90 após a promoção.
Para reduzir a despesa, uma alternativa é o chamado streaming cycling, em que o consumidor assina uma plataforma por um ou dois meses, cancela e passa para outra. A estratégia evita acumular mensalidades, mas exige abrir mão de acompanhar simultaneamente os catálogos de todos os serviços.