Bang Si-hyuk (centro), fundador da Hybe, durante cerimônia de abertura de capital da empresa na Bolsa de Seul em 2020. (SeongJoon Cho/POOL/AFP via Getty Images)
Repórter
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 08h19.
A polícia da Coreia do Sul pediu o indiciamento de Bang Si-hyuk, fundador e presidente da Hybe, dona do BTS, por suposta fraude contra investidores na abertura de capital da empresa.
A Polícia Metropolitana de Seul encaminhou o caso nesta quinta-feira, 3, ao Ministério Público do Distrito Sul de Seul, sob acusação de violação da Lei de Mercado de Capitais.
Bang é suspeito de ter dito a investidores, em 2019, que não havia planos imediatos de listar a Hybe na bolsa — o que teria levado alguns deles a vender ações a um fundo de private equity pouco antes do IPO, em outubro de 2020.
Bang Si-hyuk: executivo é conhecido por criar os grupos de K-pop BTS e Tomorrow X Together (TXT) (Reprodução/Instagram/@hitmanb72)
Conhecido como "Hitman" Bang, ele tem 54 anos e é formado em estética pela Universidade Nacional de Seul. Antes de abrir a própria empresa, trabalhou como compositor na JYP Entertainment, uma das "três grandes" agências do k-pop.
Fundou a Big Hit Entertainment em 2005. A empresa ganhou projeção internacional com o sucesso do BTS e estreou na bolsa de Seul em outubro de 2020, no maior IPO sul-coreano em três anos — o que tornou Bang bilionário.
Em 2021, a companhia foi renomeada para Hybe e comprou a Ithaca Holdings, empresa do empresário americano Scooter Braun que gerencia carreiras como as de Justin Bieber e Ariana Grande, por US$ 1,05 bilhão.
Hoje a Hybe também é dona de grupos como Seventeen, TXT, Enhypen e Katseye, e Bang é o único bilionário do setor de entretenimento da Coreia do Sul, segundo a Forbes. Ele detém 28,4% da empresa.
O caso ganhou repercussão após o BTS retomar a carreira em 2026, com uma turnê mundial, depois de quase quatro anos de hiato provocado pelo serviço militar obrigatório dos integrantes no país.
Os integrantes do grupo sul-coreano BTS durante a cerimônia do The Fact Music Awards. (Cindy Ord/Getty Images)
Segundo a polícia, o fundo pode ter pago a Bang cerca de 200 bilhões de wones (US$ 147 milhões) em um acordo paralelo que previa repasse de 30% dos lucros obtidos com a revenda das ações após a abertura de capital.
A Justiça também determinou o congelamento de 263,1 bilhões de wones (US$ 193 milhões) em ganhos considerados ilícitos, segundo a agência sul-coreana Yonhap. Outras quatro pessoas, entre executivos da Hybe e do fundo de investimento, também foram indiciadas.
A investigação começou em dezembro de 2024 e incluiu uma busca na sede da Hybe, em Seul, em julho de 2025. Bang foi interrogado cinco vezes ao longo do processo.
A polícia já havia pedido a prisão do executivo duas vezes, em abril e maio deste ano, mas o Ministério Público rejeitou os pedidos por falta de fundamentos suficientes.
Bang nega qualquer irregularidade. "Temos respondido consistentemente às acusações com provas e fatos objetivos", disse a defesa do executivo em comunicado nesta quinta-feira.