Pop

'Perfeito é um saco': Diogo Defante fala sobre autenticidade ao estrear no Rock in Rio

Humorista sobe ao Palco Supernova no dia 4 e diz à EXAME que sente mais pressão no show do que na Copa do Mundo

Diogo Defante: humorista e músico estreia commo headliner no Rock in Rio no dia 4 de setembro.  (Divulgação)

Diogo Defante: humorista e músico estreia commo headliner no Rock in Rio no dia 4 de setembro. (Divulgação)

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 13h25.

Priorizar nos meus resultados Google

Diogo Defante já teve a chance de fazer um show sem falha nenhuma. Ele não quer isso. "Eu me permito erros porque eu fico muito feliz depois de ter que melhorar", diz, a poucos dias de estrear como headliner do Palco Supernova do Rock in Rio, no dia 4 de setembro. "Imagina você sair perfeito, perfeito, todo show perfeito. Perfeito é um saco."

Em entrevista à EXAME, ele conta sobre como o nervosismo de entrar em um palco é muito maior do que qualquer outro desafio que ele já tenha enfrentado profissionalmente,

"Eu fico muito mais nervoso e ansioso com essa experiência do que entrando ao vivo na Copa do Mundo", afirma, ao comparar a estreia no festival com a rotina de repórter que o tornou conhecido nacionalmente.

A explicação está na origem: música foi seu primeiro sonho, antes da comédia. Ele passou sete anos como baterista da banda Let's Go, em Realengo. Depois de consolidar a carreira como criador de conteúdo, retomou a música e viu parte do público migrar das telas para as casas de show. "Aí eu falei: cara, isso pode se tornar realidade".

Por que separar o que nunca esteve separado

Questionado se pretende manter distância entre o humorista dos vídeos e o artista do palco, ele nega que essa fronteira sequer exista. Ainda na Let's Go, conta, já deixava a bateria para falar com o público durante os shows.

"Entre uma música e outra eu falo alguma gracinha, algum gracejo sai", diz — não porque o show precise disso, segundo ele, mas porque é assim que funciona. Ele sabe que parte do público ainda estranha ver um comediante no mercado musical.

"De repente uma pessoa meio desavisada vai olhar e falar 'não, acaba com a carreira desse cara'", brinca. "Não tem como obrigar as pessoas a assistirem a todas as minhas entrevistas e ouvirem meu depoimento sobre a minha história na música". Apesar de parecer, Defante não está chegando agora no ramo.

"Jerry", uma das faixas de maior destaque do repertório atual, foi composta ainda na época da Let's Go, por volta de 2010. "Eu tenho Jerry desde 2010, só que a gente tocava ela no show meio que de zoeira", diz. A música nunca entrou nos discos da antiga banda, que seguia uma proposta mais séria, de amor, angústia e sentimentos.

Mamonas como raiz

Nas redes sociais, não é difícil encontrar comparações das letras de Defante com o cantor e poeta carioca Rogério Skylab, conhecido por composições absurdas e provocativas, que o próprio Diogo descreve como "poesia do absurdo". Entretanto, além da aproximação incomodar parte do público de Skylab, Defante é categórico ao dizer que não o trata como referência direta.

"Eu nunca olhei pro som dele e mirei, tipo, é isso daí." Segundo ele, a própria música "Jerry", que brinca com o fato de um rato comer seu queijo no café da manhã, já existia antes de conhecer o trabalho do cantor, cuja proposta é incomodar — não necessariamente fazer rir.

A referência que ele reivindica é outra. "O Mamonas Assassinas eu acho que é muito mais próximo do que eu venho fazendo. É uma referência, com certeza, pra minha vida toda", diz.

A ligação vem da infância: ele lembra de uma foto em que aparece batucando com um martelo ao lado do irmão, Hugo, que segurava uma raquete de ping-pong como se fosse guitarra, os dois ouvindo Mamonas Assassinas na casa de um tio. Anos depois, Hugo virou guitarrista de verdade, com passagem por bandas de metal, e hoje toca nos dois discos autorais do irmão, Robson (2023) e Tífane (2024).

Foi o Mamonas, segundo Defante, que deu a ele a segurança de misturar estilos sem se prender a nenhum: já lançou faixa com pegada de reggae, outra com clima irlandês, outra mais épica com violino e outra sertaneja.

"Eu fiquei tão preso com a Let's Go de ter que fazer um hardcore que fala de amor, de depressão, de tristeza. Agora eu não quero mais ter nenhuma marra", afirma. Ele chega a brincar que, se quisesse, lançaria até um álbum de forró. "Óbvio que vai ter a minha digital, vai ser um forró talvez um pouco roqueiro, mas eu quero experimentar."

"Agora eu não quero mais ter nenhuma marra", diz Diogo Defante.

A pressão de ser 'recreativo demais'

No palco, avisa, não haverá pausas longas nem estrutura de show de comédia. "Eu sou muito da vibe de: não te dou respiro. Quer show de rock? Toma." Ele descreve a construção do repertório quase como uma composição musical: um início intenso, uma "barriguinha" no meio para dar fôlego e um fechamento ainda mais forte.

A meta é ver o público "suado, se esguelando" a cada música, e sair "de alma lavada" no fim do show. "Minha preocupação é ser um bom frontman para que a galera tenha o melhor de um show de rock. Eu componho o show pensando nessas nuances para dar um respiro", diz.

Entretanto, questionado, Defante concorda que há uma pressão interna para que o público se entretenha incansavelmente. "Esses dias eu tava refletindo sobre a pressão de ser recreativo demais", admite.

Segundo ele, aos poucos pretende tirar um pouco desse peso das costas: aprendeu com a comédia que o público quer, acima de tudo, "ver a pessoa curtindo o que tá fazendo mais do que qualquer coisa". Às vezes basta estar na própria vibe, cantando "no estado nirvana", para contagiar quem está vendo.

Isso não significa abrir mão da interação. Ele cita os shows do Green Day e do Foo Fighters como referência de momentos em que artista e plateia dividem o palco, e compara a sensação a uma pulseirinha luminosa de show do Coldplay: "A pessoa fala 'eu fiz parte do show', sacou? 'Eu tô sendo a luz desse show aqui.'" O desafio, diz, é administrar quanto tempo dedica a cada registro sem se esgotar tentando manter a plateia elétrica o tempo inteiro.

"É difícil, né? Tô no rock, uma pressão terrível", resume. Mesmo assim, garante que já fez as pazes com o erro: sair do palco sabendo o que ajustar no show seguinte, diz, é parte do que o deixa feliz.

"Me permito erros porque eu fico muito feliz depois de ter que melhorá-los", afirma. "Imagina você sair perfeito, todo show perfeito?" Perfeito, é um saco."

A estreia no Rock in Rio 2026 acontece no Palco Supernova, espaço criado em parceria com a Sony Music Brasil e a plataforma Filtr Music para artistas com forte presença em streaming e redes sociais. O festival ocupa a Cidade do Rock nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro.

Acompanhe tudo sobre:MúsicaRock in Rio

Mais de Pop

'A Redoma de Vidro': Billie Eilish e Connor Storrie estão na adaptação do clássico de Plath

Tudo sobre 'Snoop', cinebiografia do rapper Snoop Dogg

Pais de Celeste Rivas pedem pena de morte para D4vd caso cantor seja condenado

Filme sobre a OpenAI, dona do ChatGPT, ganha teaser com Andrew Garfield como Sam Altman; veja