Charli XCX: música, moda e cinema (Divulgação )
Redação Exame
Publicado em 25 de julho de 2026 às 11h24.
Última atualização em 29 de julho de 2026 às 12h03.
Depois de transformar "Brat" em um fenômeno cultural e tornar seu nome sinônimo do verão de 2024, Charli XCX voltou. "Music, Fashion, Film", sétimo álbum de estúdio da britânica lançado na última semana, chegou cercado de expectativa e de uma pergunta inevitável: como se sucede o disco que a transformou em superstar? A resposta veio na forma de guitarras distorcidas, ironia afiada e uma reflexão sobre os bastidores da fama. E a crítica especializada respondeu com aplausos.
O trabalho reúne 11 faixas em pouco mais de 30 minutos e marca uma virada em relação ao pop eletrônico de clube que definiu "Brat". Produzido novamente ao lado dos colaboradores de longa data A.G. Cook e Finn Keane, o álbum aposta em texturas de rock alternativo e uma produção mais enxuta. Veja abaixo o que disseram as principais publicações da indústria musical. (Leia também a cobertura da EXAME sobre o lançamento.)
Nesta sexta-feira, 31, a cantora se apresenta no Lollapalooza Chicago, com transmissão ao vivo pelo Disney+.
O Pitchfork concedeu ao álbum o selo "Best New Music", sua maior distinção. Na avaliação da publicação, o disco funciona como um mergulho na autorreferencialidade de Charli, um "ouroboros" em que cada afirmação carrega sua própria contradição e as fronteiras entre verdade e artifício ficam borradas.
O texto destaca ainda os pequenos prazeres sonoros que povoam o álbum, como harmonias vocais duplicadas e contrastes dinâmicos, densos porém precisos. Para o veículo, se as letras fossem lidas isoladamente, o disco pareceria pouco elaborado, mas é justamente na execução que reside sua força.
A Rolling Stone deu quatro estrelas ao trabalho, descrevendo-o como um "tratado de 30 minutos" sobre a arte de construir uma imagem pública. A crítica Caryn Ganz classificou o disco como brilhante, cativante e frequentemente muito engraçado.
A publicação analisou faixa a faixa a forma como Charli disseca a fama que ama odiar e odeia amar. Destacou "Wink Wink" como o ponto alto do álbum, a canção que melhor equilibra autenticidade e artifício. A revista também apontou momentos de afeto genuíno, como "I'm Afraid", que expõe as ansiedades da cantora sobre o casamento com o baterista George Daniel, do The 1975, e "Magic Metal Montana", uma declaração de amor ao parceiro criativo A.G. Cook.
A Variety definiu o disco como o lançamento da era pós-"Brat" e chamou o resultado de afiado como uma navalha. Segundo a publicação, ainda que Charli tenha recuado da ideia de que estava fazendo um "disco de rock", o conceito se sustenta, já que os instrumentos principais são guitarras pesadamente distorcidas.
A crítica ressaltou que as melodias efervescentes marcantes da artista continuam presentes em faixas como "Camera" e "Magic Metal Montana". Em contrapartida, apontou "I'm Afraid" como uma das músicas mais irritadiças que Charli já fez, de clima ameaçador. A publicação também elogiou a autoconsciência da artista sobre a própria trajetória.
"Music, Fashion, Film" não se limita ao formato sonoro. Charli lançou um longa-metragem para acompanhar o disco, dirigido por ela própria e filmado inteiramente em preto e branco. Conforme noticiado pela NME, a produção combina visuais individuais para cada uma das 11 faixas com imagens de bastidores e apresentações pessoais da cantora sobre a criação do álbum.
Logo no início do filme, Charli afirma que passou o processo criativo fazendo coisas ao lado dos amigos e amando cada minuto disso. Ela descreve os produtores A.G. Cook e Finn Keane como pessoas que se tornaram amigos próximos ao longo do trabalho conjunto. O longa foi exibido em cinemas de 25 cidades antes do lançamento oficial.
O encerramento fica por conta de "No One Lasts Forever", que traz uma contribuição falada do diretor David Cronenberg. A faixa nasceu de uma conversa entre os dois em Toronto sobre morte, arte e a possibilidade de deixar um legado duradouro. A própria Charli já havia selecionado a colaboração como a música que mais gosta de ter escrito no disco.