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O novo documentário que promete mostrar um 'lado secreto' de Elon Musk

O filme chega aos festivais de Veneza e Toronto em setembro e terá lançamento nos cinemas em outubro, antes de estrear na HBO em 2027

Elon Musk: documentário começou a ser produzido no fim de 2022 e passou por uma transformação à medida que a trajetória do empresário avançava (Wikimedia Commons)

Elon Musk: documentário começou a ser produzido no fim de 2022 e passou por uma transformação à medida que a trajetória do empresário avançava (Wikimedia Commons)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 16h16.

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O empresário Elon Musk será o centro de um novo documentário do cineasta Alex Gibney, diretor vencedor do Oscar conhecido por produções sobre figuras e instituições poderosas. O filme chega aos festivais de Veneza e Toronto em setembro e terá lançamento nos cinemas em outubro, antes de estrear na HBO em 2027.

Intitulado "Musk", o documentário começou a ser produzido no fim de 2022 e passou por uma transformação à medida que a trajetória do empresário avançava. Inicialmente pensado como um filme de duas horas, o projeto chegou a ter uma versão de seis horas antes de ser reduzido para a edição que será apresentada ao público.

A produção acompanha diferentes fases da trajetória de Musk, passando por sua atuação na Tesla, SpaceX, Starlink, Neuralink e Twitter, além de sua aproximação com o governo de Donald Trump e de sua passagem pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE).

O que o documentário pretende mostrar

Gibney afirmou ao The Hollywood Reporter que seu interesse não está apenas em recontar a trajetória de Musk, mas em examinar como o empresário acumulou poder e quais podem ser as consequências dessa concentração.

O diretor construiu o filme a partir de entrevistas com pessoas ligadas ao empresário, jornalistas, especialistas e outras fontes. Musk, por sua vez, não concedeu entrevista para o documentário.

Depois do anúncio da produção, o magnata classificou o filme como um "hit piece", expressão em inglês que designa obras voltadas a difamar alguém, em uma publicação no X.

Entre os temas abordados estão a trajetória empresarial de Musk, sua atuação política e seu acesso a estruturas de poder. O documentário também discute o papel da Starlink em regiões de conflito, a relação entre a NASA e a SpaceX e a atuação de Musk durante sua passagem pelo governo americano.

Um dos pontos centrais é o acesso que a equipe do DOGE teria tido a dados de cidadãos americanos. O filme questiona o que poderia ter sido feito com essas informações e quais seriam as possíveis implicações políticas desse acesso.

A produção também apresenta depoimentos sobre a relação de Musk com eleições e tecnologia. Entre os entrevistados está Ashley St. Clair, ex-parceira de Musk, que relata conversas mantidas antes da eleição presidencial americana de 2024.

Uma abordagem diferente para contar a história

Como Musk não participou das entrevistas, Gibney recorreu a outras fontes e a recursos visuais para construir a narrativa. Um dos elementos mais incomuns é um avatar digital de Musk criado a partir de gravações públicas de sua voz.

A equipe pesquisou áudios disponíveis na internet e utilizou esse material para criar um personagem em formato de videogame. Em determinadas sequências, o avatar percorre ambientes virtuais como se fosse um personagem de um jogo de tiro.

Segundo Gibney disse ao THR, a escolha está relacionada ao próprio interesse de Musk pela ideia de realidade como uma espécie de simulação. O diretor também afirma que o recurso funciona como uma maneira de questionar a imagem construída pelo empresário ao longo dos anos.

Veneza aposta em um cinema mais político

A estreia de "Musk" acontece em uma edição do Festival de Veneza marcada por uma forte presença de temas políticos. Segundo o diretor artístico Alberto Barbera, esta é a edição "mais política" da história do festival.

O evento reúne produções sobre imigração, guerras, autoritarismo, capitalismo e concentração de poder. A programação começa com "Ink", de Danny Boyle, sobre Rupert Murdoch e a aquisição do jornal britânico The Sun em 1969.

Também estão no festival "They’re Here", documentário de Laura Poitras sobre a atuação do ICE contra imigrantes em Minneapolis, e diversos filmes relacionados aos conflitos no Oriente Médio.

Entre eles estão "A Bit of Light", sobre um médico iraniano afetado pelo regime de Teerã; "Citizen Osama", sobre um fotojornalista em Gaza; "Conversation With the Sea", sobre um palestino envolvido com a burocracia israelense; e "Road to Jericho", documentário de Amos Gitai sobre a comunidade beduína de Khan al-Ahmar.

O festival também apresenta "NAZA", dos cineastas Yuval Abraham e Rachel Szor, de "No Other Land", além de filmes que abordam a repressão na Rússia e em Belarus, como "My Undesirable Friends: Part II — Exile" e "Listy (Letters From the Silenced Country)".

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