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O império de Kim Kardashian: como SKKY afundou enquanto Skims conquistou Wall Street

Enquanto a SKKY perdeu tração no mercado, a Skims avançou para uma avaliação de US$ 5 bilhões com apoio da Goldman Sachs

Kim Kardashian: além do reality show, celebridade brilha no mundo dos negócios (Getty Images)

Kim Kardashian: além do reality show, celebridade brilha no mundo dos negócios (Getty Images)

Publicado em 25 de abril de 2026 às 06h04.

Em setembro de 2022, Kim Kardashian subiu ao palco de uma conferência de investimentos ao lado de Jay Sammons, veterano de 16 anos do Carlyle Group, uma das maiores firmas de private equity do mundo.

A mensagem, à época, era óbvia: uma das celebridades mais seguidas no Instagram do planeta todo decidiu entrar nas finanças de verdade como gestora de um fundo de private equity com ambições de levantar US$ 1 bilhão.

Quase quatro anos depois, o saldo pode ser um dos experimentos mais reveladores sobre os limites reais do capital-fama na história recente dos negócios.

A SKKY Partners captou US$ 121 milhões, fechou seu único negócio, uma participação minoritária na Truff, fabricante de molhos de pimenta com trufas avaliada em cerca de US$ 250 milhões, e, em dezembro de 2024, Kardashian saiu silenciosamente da posição de sócia gestora.

Não houve nenhum comunicado. A saída se materializou em um documento na comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos e em uma mudança silenciosa no site da firma: onde antes constava “sócia gestora”, passou a aparecer “cofundadora e consultora sênior de operações”. A mãe de Kardashian, Kris Jenner, que figurava como consultora sênior, foi removida completamente.

Do outro lado da equação, a Skims  — marca de shapewear que Kardashian cofundou em 2019 com o empresário sueco Jens Grede — percorria o caminho inverso: em novembro de 2025, anunciou uma rodada de US$ 225 milhões liderada pela Goldman Sachs Alternatives, atingindo uma valuation de US$ 5 bilhões.

As duas histórias, contadas em paralelo, formam um retrato preciso do que o dinheiro institucional ainda não aprendeu a precificar: a diferença entre influência e operação.

A promessa

A SKKY Partners foi apresentada ao mercado como uma firma voltada a investir em "negócios de consumo e mídia que definem a cultura".

O nome era um acrônimo de Sammons e Kardashian. A lógica era que Kardashian traria sua influência — mais de 300 milhões de seguidores nas plataformas naquele ano — para acelerar o crescimento de marcas, enquanto Sammons gerenciaria a disciplina de capital de nível institucional.

Sammons havia trabalhado com Supreme, Beats by Dre e Moncler durante sua passagem pela Carlyle. Sua proposta à Kardashian, disse ele à Fortune, não foi um "momento de ideia brilhante", mas "uma continuação de diálogo ao longo dos anos". Para Kardashian, o convite chegou como algo "intimidador, mas não avassalador."

O setor prestou atenção. Private equity em consumo movimentou US$ 71,7 bilhões no ano anterior ao lançamento. A indústria estava intrigada com a decisão de Sammons de deixar uma carreira respeitada para se associar a um membro da família mais famosa dos reality shows — e com o interesse de Kardashian nesse canto normalmente sisudo do mundo financeiro.

O colapso

O problema começou na arrecadação de fundos. Em mais de um ano e meio desde o lançamento, a SKKY havia captado apenas US$ 121 milhões em compromissos de capital até março de 2024, segundo registros federais de valores mobiliários. Desse total, quase US$ 80 milhões estavam estruturados como um veículo de propósito específico para o investimento minoritário na Truff.

Os roadshows de investimento atraíam mais atenção social do que compromissos financeiros.

Havia também uma questão estrutural: a celebridade de Kardashian, embora imensa, era polarizadora. Investidores institucionais tendiam a recuar ao apresentar a SKKY para comitês de investimento mais conservadores.

Também perdurava o problema de se pensar como vender empresas cujas marcas haviam sido elevadas pela presença de Kardashian, dado que ela estaria saindo do ativo?

Em dezembro de 2024, novos filings revelaram que a SKKY havia captado apenas alguns milhões a mais desde abril e que Kardashian não era mais diretora executiva da firma.

O espelho invertido: Skims

Enquanto a SKKY esgotava seu capital-fama sem escala, a Skims percorria o caminho oposto. Em novembro de 2025, a marca anunciou uma rodada de US$ 225 milhões liderada pela Goldman Sachs Alternatives, atingindo uma valuation de US$ 5 bilhões. A Skims havia sido avaliada em US$ 4 bilhões em julho de 2023 e em US$ 3,2 bilhões em janeiro de 2022.

A empresa gerou cerca de US$ 750 milhões em vendas em 2023, ante US$ 500 milhões em 2022, e projeta superar US$ 1 bilhão em vendas líquidas anuais. Kardashian detém a maior participação na empresa, com seu patrimônio líquido estimado em US$ 1,7 bilhão, em grande parte impulsionado por sua fatia de 35% na companhia.

A Skims foi concebida por Kardashian e pelo cofundador e CEO Jens Grede como uma Nike, não como mais uma marca direct-to-consumer efêmera. Grede, que também cofundou a marca de jeans Frame, trouxe a disciplina operacional que a SKKY nunca teve.

A expansão mais recente confirma essa trajetória.

Em setembro de 2025, após meses de atraso por problemas de produção, a Skims lançou a NikeSKIMS em parceria com a Nike — uma linha de roupas esportivas femininas estruturada como parte central da estratégia da gigante do esporte para reconquistar consumidoras de marcas como Lululemon e Alo Yoga.

O segundo drop da NikeSKIMS, lançado em novembro, expandiu para 65 silhuetas em sete coleções, incluindo novos acessórios e uma linha de roupas de frio.

O capital da nova rodada será usado para acelerar a expansão de lojas físicas e a presença internacional, além de financiar inovação em produtos e diversificação de categorias.

O que a SKKY ensina sobre dinheiro e fama

O caso SKKY não é isolado. Ele se encaixa num padrão de ventures celebridade-finanças que confundem audiência com base de ativos.

Private equity, especialmente numa era de juros mais altos e saídas limitadas, exige paciência, disciplina de capital e credibilidade institucional. Até as personalidades mais rentáveis não conseguem substituir esses fundamentos.

O que torna o caso Kardashian especialmente instrutivo é justamente o contraste interno: a mesma pessoa que não conseguiu convencer comitês de investimento a confiar na SKKY é a mesma que convenceu a Goldman Sachs a liderar uma rodada de US$ 225 milhões na Skims. .

O investimento em venture capital para consumo despencou de seu pico em 2021 para uma mínima histórica em 2023, segundo análise do Silicon Valley Bank. A SKKY surfou na onda de entrada — e naufragou na maré de saída.

O que fica, no final, é uma lição sobre onde a influência começa e onde ela termina. Kim Kardashian construiu um dos negócios de consumo mais valiosos de sua geração. Mas tentou exportar essa credibilidade para um terreno onde as regras são outras. E Wall Street, ao contrário do Instagram, não perdoa postagem mal calculada.

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