"Minha ideia é não fazer mais cinema", diz Woody Allen a diário espanhol

Em entrevista ao La Vanguardia, o cineasta apontou que focará na escrita e na produção de romances
Antes de se despedir do cinema, Allen ainda lança um próximo filme, 50º da carreira (Robert Kamau/Getty Images)
Antes de se despedir do cinema, Allen ainda lança um próximo filme, 50º da carreira (Robert Kamau/Getty Images)
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Luiza Vilela

Publicado em 18/09/2022 às 12:41.

Última atualização em 18/09/2022 às 12:49.

O famoso roteirista de Hollywood, Woody Allen, pode estar próximo da aposentadoria. Em entrevista ao diário espanhol La Vanguardia, o cineasta disse que vai se dedicar à escrita e que não pretende mais fazer roteiros para cinema.

"Minha ideia, a princípio, é não fazer mais cinema e focar na escrita, nesses contos e, bem, agora estou pensando bem mais em um romance", declarou ao jornal.

O próximo filme, 50º da carreira, será o último. De acordo com a entrevista e as informações do portal Variety, a trama será ambientada em Paris e começará a ter filmagens em francês a partir das próximas semanas. Para o cineasta, o último longa-metragem será semelhante a "March Point", porque será "emocionante, dramático e também muito sinistro".

No dia 27 de setembro, na Alianzas da Espanha, Allen lança a quinta coleção de humor, intitulada "Gravidade Zero", distribuída nos Estados Unidos pela Simons&Schuster.

Baixa popularidade e denúncia de abuso sexual

Após as acusações de abuso sexual relacionadas à filha do cineasta, Dylan Ferrow, a popularidade de Allen caiu consideravelmente nos Estados Unidos, o que o fez recorrer à Europa para o lançamento de seus novos projetos.

As acusações foram consideradas inconclusivas, mas as denúncias o fizeram perder alguns contratos importantes. Em 2021, a editora Hachette se recusou a publicar um dos livros de Allen — que, logo em seguida, foi publicado pela editora Arcade —, e a Amazon Studios engavetou o filme "Um Dia de Chuva em Nova York" após acusá-lo de "sabotar" o futuro do filme com seus comentários sobre o ocorrido.

Allen processou a Amazon por R$ 68 milhões, alegando quebra de contrato, e a disputa acabou sendo resolvida fora do tribunal.

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