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Jovem perde movimentos após andar na Montezum: o que diz o Hopi Hari sobre o caso

Parque afirma que prestou atendimento à jovem, custeou despesas durante a internação e disponibilizou seguro à família

Montezum, atração do Hopi Hari inaugurada em 1999, é investigada após jovem apresentar hemorragia intracraniana (Hopi Hari/Divulgação)

Montezum, atração do Hopi Hari inaugurada em 1999, é investigada após jovem apresentar hemorragia intracraniana (Hopi Hari/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 21 de setembro de 2026 às 11h43.

Última atualização em 21 de setembro de 2026 às 12h16.

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RESUMO | O Ministério Público de São Paulo abriu, no mês passado, uma investigação sobre Júlia Bossoni, que perdeu parte dos movimentos após andar na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, em abril. A jovem ficou inconsciente após o trajeto e recebeu diagnóstico de traumatismo cranioencefálico. O Hopi Hari afirma que a atração tem certificação internacional e passa por inspeções anuais.


O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar o caso de uma jovem que perdeu parte dos movimentos do corpo após andar na Montezum, montanha-russa do Hopi Hari, em Vinhedo, no interior paulista. O procedimento inclui um pedido de perícia policial na atração.

O episódio ocorreu em abril, quando Júlia Bossoni e João Pedro Bossoni viajaram de Londrina, no Paraná, até o parque de diversões. O casal chegou cedo ao local e esteve entre os primeiros visitantes na fila da Montezum.

Inaugurada em 1999, a atração é apontada como a maior montanha-russa de madeira da América Latina. O percurso tem pouco mais de um quilômetro, chega a cerca de 42 metros de altura e permite que os carrinhos atinjam até 103 km/h.

Júlia e João Pedro fizeram o passeio uma primeira vez sem registrar problemas. Após passarem por outras atrações durante o dia, decidiram retornar à Montezum no fim da tarde para utilizar um acesso VIP que haviam recebido.

Imagens das câmeras do parque mostram o casal sentado em um dos bancos traseiros do carrinho. Durante a subida inicial, Júlia aparece consciente. O restante do trajeto não foi registrado pelas imagens apresentadas.

Cerca de dois minutos depois, quando o carrinho retornou à plataforma, Júlia estava desacordada.

"Ela já estava inconsciente, já estava convulsionando e nesse momento você fica desesperado, não sabe o que fazer", relatou João Pedro ao programa "Fantástico" (TV Globo).

Funcionários do Hopi Hari se aproximaram do carrinho. Seis minutos depois, a jovem foi colocada em uma maca e retirada do local. A montanha-russa voltou a operar.

Júlia foi encaminhada à Santa Casa de Vinhedo, localizada a cerca de 15 quilômetros do parque. Na unidade, seguiu para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral. A paciente passou por uma craniectomia descompressiva, procedimento cirúrgico que envolve a retirada temporária de parte do crânio para reduzir a pressão provocada pelo inchaço cerebral.

"Essa cirurgia visa a retirada de uma grande porção da calota craniana para permitir o cérebro fazer esse processo de inchaço", explicou o neurocirurgião Victor Batistela.

A jovem permaneceu internada por 57 dias. O diagnóstico foi de traumatismo cranioencefálico (TCE).

Segundo o laudo médico emitido pelo especialista, o traumatismo ocorreu por um mecanismo de contragolpe durante o trajeto na montanha-russa. De acordo com o médico, movimentos de aceleração, desaceleração e rotação do crânio podem provocar a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, com consequente hemorragia intracraniana e edema.

A família afirma que Júlia não apresentava doenças preexistentes. Segundo João Pedro, ela perdeu os movimentos do braço e da perna do lado esquerdo do corpo e passou a apresentar dificuldades na fala e alterações de memória.

No mês passado, o Ministério Público paulista instaurou uma investigação sobre o episódio e solicitou uma perícia policial na Montezum. A apuração permanece em andamento.

Outros casos envolvendo a Montezum

Há registros anteriores de pessoas que sofreram lesões após andar na Montezum. Em 2018, Nathalia Assenjo Motta sofreu um deslocamento de vértebras depois de utilizar a atração. Segundo seu relato, o pescoço sofreu um movimento de chicote durante o percurso.

"Conforme a montanha-russa desceu e subiu para fazer a curva, o meu pescoço fez o mecanismo de chicote, deu aquele estalo. Meu corpo desligou totalmente", afirmou ao programa.

A lesão exigiu a colocação de 12 pinos e duas hastes na região cervical. Nathalia recuperou os movimentos do corpo três dias depois, mas perdeu mobilidade no pescoço.

O Hopi Hari pagou uma indenização por danos materiais à professora. Ela afirma que ainda realiza tratamentos como fisioterapia e hidroterapia e utiliza medicamentos para controlar as dores.

Outro caso ocorreu em 2014. Márcio ficou tetraplégico após andar na Montezum. Ele morreu em 2023 por complicações relacionadas a uma infecção urinária.

Também há relatos publicados por consumidores na internet. Em uma plataforma de avaliação, foram identificados ao menos 40 registros nos últimos dois anos de pessoas que afirmam ter sofrido algum tipo de lesão depois de utilizar a Montezum.

As queixas citam dores no pescoço, lesões no joelho e fraturas nas costelas.

O que diz o Hopi Hari?

Procurado pela EXAME, o Hopi Hari afirmou que a montanha-russa Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e são realizadas inspeções anualmente. O parque também enfatizou que segue rigorosamente as normas nacionais para parques de diversões.

A equipe do Hopi Hari afirmou à reportagem que placas e avisos sonoros apresentam a atração como radical e alertam para restrições de uso. Segundo o parque, os comunicados mencionam a força e os movimentos do percurso e contraindicam a montanha-russa para gestantes, pessoas com problemas na coluna e visitantes com determinadas condições clínicas.

Em nota, o parque citou um parecer do Ministério Público de São Paulo, emitido em agosto de 2026, que descartou risco coletivo na atração. O documento foi elaborado após uma mulher ser encaminhada à enfermaria com dores no pescoço, em julho.

"Na hipótese em análise, os elementos informativos coligidos demonstram que o estabelecimento prestador do serviço adota protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional", diz o documento do Ministério Público de São Paulo.

E acrescentou: "Com efeito, consta que a montanha-russa "Montezum" é submetida a rotinas periódicas de inspeção técnica diária e FL. 60 Promotoria de Justiça de Vinhedo semanal, abrangendo a estrutura de madeira, trilhos, fixações, travas de segurança, cintos, sensores fotoelétricos, painéis elétricos e sistemas de frenagem, com supervisão por equipe de engenharia e certificações técnicas pertinentes. Os relatórios operacionais do dia 17 de julho de 2026 atestam a regularidade e liberação do equipamento após as checagens preventivas de praxe".

Sobre Júlia, o Hopi Hari disse que prestou atendimento imediato, conforme seus protocolos de segurança, acompanhou a internação e pagou as despesas. Informou também que disponibilizou um seguro à família. Quanto aos casos de Nathalia e Márcio, a assessoria afirmou que ocorreram antes de 2019, durante a gestão anterior.

O parque classificou as reclamações publicadas em sites como estatisticamente irrisórias diante do número de visitantes, que superou um milhão no período. Em janeiro, havia anunciado uma reforma da montanha-russa, prevista para o fim de 2026.

Veja a íntegra da declaração do Hopi Hari:

"A Montezum Possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord, uma das maiores organizações de inspeção e testes de atrações do mundo. As inspeções acontecem anualmente no caso de atrações radicais como a Montezum, e bianuais, em atrações de baixa complexidade. Outros importantes protocolos de segurança, treinamento de pessoal e de atenção ao visitante fazem parte da rotina diária do Hopi Hari em todas as suas atrações. O parque também segue rigorosamente a norma nacional para parques de diversões "ABNT NBR 15926-2023 Equipamentos de Parques de Diversão".

Antes mesmo de acessar a Montezum, placas contendo dados sobre a atração estão colocadas em pontos de fácil visualização para que todos os visitantes tenham informações claras e detalhadas sobre o funcionamento da montanha russa, além de recomendações e restrições. Ainda quando estão na fila para acessar a atração, um sistema de áudio destaca as recomendações e restrições. E, no momento do embarque, os operadores da atração também reforçam as informações, por meio de um sistema de som. Os procedimentos seguem normas internacionais adotadas em atrações ao redor do mundo e integram rotinas obrigatórias de segurança e operação. De janeiro de 2026 até o momento, mais de 870 mil pessoas frequentaram o parque e, deste total, aproximadamente 470 mil pessoas passaram pela atração, que é a mais visitada do Hopi Hari.

Também é importante destacar que, recentemente, o Ministério Público emitiu parecer sobre a atração enfatizando não haver risco coletivo, defeito no projeto da montanha russa ou qualquer negligência. No texto do parecer, o MP destaca "a regularidade do funcionamento da atração "Montezum" sob a ótica da tutela coletiva e difusa da segurança e saúde dos consumidores". O parecer acrescenta, ainda, que "o estabelecimento prestador do serviço adota protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional".

E enfatiza que "a montanha-russa "Montezum" é submetida a rotinas periódicas de inspeção técnica diária , abrangendo a estrutura de madeira, trilhos, fixações, travas de segurança, cintos, sensores fotoelétricos, painéis elétricos e sistemas de frenagem, com supervisão por equipe de engenharia e certificações técnicas pertinentes. Ademais, constata-se a existência de sinalização visual e sonora no local, informando previamente a classificação da atração como radical, as forças e movimentos nela envolvidos, além das expressas contra indicações de uso a pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas", descreve o parecer. As placas indicativas com as informações nelas contidas, também estão anexadas neste email.

O Hopi Hari esclarece ainda que a visitante do Paraná acessou a atração por duas vezes no mesmo dia de sua visita ao parque, conforme imagens anexadas. A primeira ida à Montezum ocorreu às 11h da manhã e a segunda, cerca de cinco horas depois, por volta de 16h30 do mesmo dia.

O episódio envolvendo a jovem paranaense ocorreu em sua segunda passagem pela atração, quando apresentou um quadro de convulsão e recebeu pronto atendimento das equipes do parque, seguindo todos os protocolos de segurança. A providência inicial foi prestar os primeiros socorros no ambulatório do parque. A visitante foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde permaneceu internada até apresentar condições de retorno à sua cidade. A direção do parque acompanhou de perto o tratamento prestado, sempre em contato com os familiares, custeando as despesas durante a permanência em Vinhedo.

Vale ressaltar que o departamento jurídico do Hopi Hari também manteve contato com os familiares da visitante paranaense para o suporte necessário durante todo o processo de atendimento da paciente em seu tratamento. O corpo jurídico, assim como a direção do parque, seguem à disposição da família da visitante. Importante destacar também que o Hopi Hari dispõe de um seguro que foi franqueado à família.

O Hopi Hari segue investindo em normas, procedimentos e treinamentos visando a segurança das atrações do parque que, nos últimos 5 anos, já recebeu mais de 5,5 milhões de visitantes.

Sobre as ocorrências mencionadas de anos anteriores, esclarecemos que os dados pertencem a gestões passadas. A atual administração tem seu foco estrito na rigorosa cultura de segurança implementada nos últimos 5 anos, responsável por receber mais de 5,5 milhões de visitantes de forma segura".


O que aconteceu com Júlia Bossoni na montanha-russa Montezum?

Júlia Bossoni ficou inconsciente após andar pela segunda vez na Montezum, em abril, e foi levada à Santa Casa de Vinhedo. Exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral, e a jovem recebeu diagnóstico de traumatismo cranioencefálico.

O que causou o traumatismo cranioencefálico de Júlia Bossoni?

Segundo o laudo médico, o traumatismo ocorreu por um mecanismo de contragolpe durante o percurso. De acordo com o especialista, movimentos de aceleração, desaceleração e rotação do crânio podem romper vasos sanguíneos cerebrais.

Quais sequelas Júlia Bossoni sofreu após andar na Montezum?

Segundo João Pedro Bossoni, Júlia perdeu os movimentos do braço e da perna do lado esquerdo do corpo, além de apresentar dificuldades na fala e alterações de memória. A jovem permaneceu internada por 57 dias e passou por uma craniectomia descompressiva.

O que o Ministério Público investiga no caso da Montezum?

O Ministério Público de São Paulo investiga o episódio envolvendo Júlia Bossoni e solicitou uma perícia policial na montanha-russa Montezum. A apuração permanece em andamento.

Já houve outros casos de lesões na montanha-russa Montezum?

Sim. Nathalia Assenjo Motta sofreu deslocamento de vértebras em 2018 e Márcio ficou tetraplégico após usar a atração em 2014. Também foram identificados ao menos 40 relatos de lesões publicados por consumidores nos últimos dois anos.

O que o Hopi Hari diz sobre a segurança da Montezum?

O Hopi Hari afirma que a Montezum tem certificação internacional do grupo TÜV Nord, passa por inspeções anuais e segue a norma ABNT NBR 15926-2023. Segundo o parque, Júlia recebeu atendimento imediato, teve despesas custeadas durante a internação em Vinhedo e contou com um seguro disponibilizado à família.

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