Empresa do BTS: a Hybe se tornou a maior empresa do K-pop, majoritariamente, devido ao sucesso do BTS (Montagem EXAME)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 21 de abril de 2026 às 12h09.
Bang Si-hyuk, o presidente e fundador da Hybe, é alvo de um pedido de prisão em Seoul, na Coreia do Sul. O empresário é responsável pela maior empresa de K-pop do mundo, que gerencia o BTS e outros grupos de sucesso como Seventeen, Katseye, Illit e, previamente, NewJeans.
Si-hyuk é acusado pelas autoridades coreanas de fraude envolvendo as ações da própria Hybe, em um esquema ilícito que teria rendido a ele US$ 129 milhões.
A Agência Metropolitana de Polícia de Seul suspeita que o empresário violou leis de mercado de capitais, segundo a Reuters.
Ele teria enganado investidores antes da abertura de capital da Hybe na bolsa de valores, ao direcioná-los a vender suas ações para um fundo de private equity ligado a seus associados.
Segundo as autoridades, após a abertura de capital da empresa, o fundo vendeu sua participação e Bang recebeu cerca de 30% dos lucros por meio de um acordo prévio entre acionistas. Esse valor corresponderia aproximadamente 190 bilhões de wons em ganhos ilícitos, o equivalente a cerca de US$ 129 milhões.
Bang nega qualquer irregularidade. Em nota, sua defesa afirmou lamentar a solicitação do mandado "apesar da cooperação total e consistente com as investigações ao longo de um período prolongado" e prometeu continuar colaborando com os procedimentos legais.
Bang está proibido de deixar a Coreia do Sul desde agosto do ano passado.
O caso tem ainda um episódio diplomático.
A polícia confirmou que a embaixada americana em Seul enviou uma carta pedindo a suspensão temporária da proibição de viagem, citando planos de Bang e outros executivos para participar de um evento em comemoração ao Dia da Independência dos EUA e de reuniões relacionadas à turnê global do BTS. A embaixada americana na Coreia não quis comentar o assunto com a Reuters.
O pedido de detenção será analisado pelo Ministério Público do Distrito Sul de Seul.
Se os promotores decidirem solicitar formalmente o mandado, um tribunal normalmente realiza uma audiência em dois ou três dias para decidir sobre a prisão.
Fundada em 2005 como Big Hit Entertainment, a Hybe se tornou a maior empresa da indústria do K-pop.
Nos primeiros nove meses de 2023, a companhia registrou receita acumulada de 1,57 trilhão de wons, crescimento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, com lucro operacional de 206,5 bilhões de wons, segundo dados do portal coreano Naver.
A Hybe lidera as quatro grandes empresas do setor, à frente de SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment.
Parte relevante desse resultado vem de fora da Coreia do Sul, 63% da receita da Hybe é gerada no exterior, a maior proporção entre as grandes empresas de entretenimento coreanas.
A empresa conta com operações nos Estados Unidos, onde adquiriu a Ithaca Holdings em 2021, o que trouxe para seu portfólio artistas como Justin Bieber, Ariana Grande e J Balvin. Ela também está expandindo para a América Latina, com uma subsidiária no México.
A Hybe opera por meio de um sistema de múltiplos selos, com produtores e executivos independentes à frente de cada divisão.
Em 2021, artistas da Hybe ocuparam o primeiro lugar no Billboard Hot 100 por 22 das 52 semanas do ano.
A empresa também exporta sua metodologia de formação de artistas. A aposta mais recente é o Katseye, grupo formado por integrantes de diferentes países selecionadas por meio de um reality show, uma tentativa de levar o modelo do K-pop para além das fronteiras coreanas.
A história da Hybe é, em grande parte, a história do BTS.
O grupo debutou em 2013, quando a maioria de seus integrantes ainda era adolescente, numa empresa pequena que mal chamava atenção na indústria musical coreana. O que a Big Hit tinha de diferente era a aposta em construir uma relação profunda entre os artistas e seus fãs, não apenas no palco, mas fora dele.
A estratégia funcionou. Com o crescimento global do BTS e de seu fandom, o ARMY, a empresa foi crescendo junto.
Em 2019, a Big Hit anunciou uma reformulação do modelo de negócios, expandindo para três frentes: gestão de artistas, soluções de entretenimento e plataformas digitais.
No ano seguinte, em 2020, abriu seu capital na bolsa de valores de Seul. Em 2021, passou a se chamar Hybe.
"O BTS pôde chegar ao status de ícone pop do século XXI graças a todos os degraus que o ARMY, um fandom único no mundo, construiu para eles", escreveu a empresa em comunicado a investidores em 2021.