'Emergência Radioativa': série da Netflix mostra como substância radioativa causou um dos maiores acidentes do país (Netflix/Reprodução)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 10 de abril de 2026 às 14h51.
Última atualização em 10 de abril de 2026 às 15h04.
"Emergência Radioativa" já se tornou um dos maiores sucessos brasileiros na história da Netflix, sendo número 1 em 16 países durante a segunda semana de exibição, segundo a Flixpatrol, plataforma que monitora a audiência dos streaminhs.
Além do sucesso dentro da plataforma, a série já despertou interesse no Google em pelo menos 46 países, de acordo com dados enviados pela empresa à EXAME.
Depois do Brasil, que ocupa o 1º do ranking de buscas por "Emergência Radioativa", Portugal, Irlanda e países da América do Sul e do Leste Europeu foram os que mais se procuraram pela série no Google. Confira o ranking:
Além da própria obra, o lançamento da série na Netflix fez com que as buscas sobre o Césio-137 aumentassem 46 vezes no Google. No Brasil, a busca disparou 4.480%. No mundo, as pesquisas pelo assunto também subiram bastante: 2.260%.
Na Netflix, em sua segunda semana de exibição, a minissérie "Emergência Radioativa" alcançou o Top 1 global de séries de língua não-inglesa mais assistidas da Netflix.
A produção somou mais de 10,8 milhões de visualizações no período e figurou no Top 10 de 55 países.
Lançada em 18 de março, a obra é inspirada no acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987.
A minissérie é criada por Gustavo Lipsztein, dirigida por Fernando Coimbra e produzida pela Gullane. Ambientada em 1987, acompanha físicos, médicos e as próprias vítimas enquanto enfrentam pânico e preconceito em uma corrida contra o tempo para rastrear a contaminação e salvar a cidade.
No elenco estão Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, Bukassa Kabengele, Alan Rocha, Antonio Saboia, Luiz Bertazzo e Tuca Andrada, com participações especiais de Leandra Leal e Emílio de Mello, segundo a Rolling Stone.
Confira o trailer oficial:
A origem do acidente remonta a 1972, quando a CNEN autorizou o Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) a adquirir uma bomba de césio-137 de fabricação italiana para uso em serviços radiológicos, segundo o Ministério Público Federal.
Com o passar dos anos, pressionado a deixar o imóvel, o IGR transferiu sua sede para outro endereço. O instituto, no entanto, abandonou o equipamento, já obsoleto, nas ruínas do antigo prédio, sem comunicar o fato à CNEN ou à Secretaria Estadual de Saúde de Goiás. Em maio de 1987, a construção foi demolida a mando de um ex-sócio do IGR, sem qualquer aviso sobre a existência do material radioativo no local.
O acidente em si começou no dia 27 de setembro, quando dois catadores de material reciclável encontraram o equipamento nas ruínas e o desmontaram para venda a um ferro-velho.
A cápsula foi rompida a marretadas e o material radioativo (um pó que emitia uma luz azul cintilante, inodora e aparentemente inofensiva) chamou a atenção de Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho.
Devair levou o Césio-137 como presente para sua sobrinha de seis anos, Leide das Neves, que se tornaria a primeira vítima fatal do acidente.
As reações visíveis começaram a aparecer poucos dias após o primeiro contato.
Segundo a Secretaria de Saúde do Estado de Goiás, foram identificados e isolados sete focos principais de contaminação.
A CNEN monitorou 112.800 pessoas entre setembro e dezembro de 1987: 249 apresentavam contaminação interna ou externa, 49 foram internadas, 14 transferidas em estado grave para o Hospital Militar Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, e quatro morreram.