Pop

Cinemas faturam mais em 2026, mas vendem menos ingressos que antes da pandemia

Público mais seletivo e crescimento das sessões premium ajudam a transformar grandes lançamentos em eventos e elevam a arrecadação dos cinemas

Cinema: Receita avança 15% em relação a 2025, enquanto Hollywood tenta recuperar a frequência do público nas salas (Carolina Gehlen/Exame)

Cinema: Receita avança 15% em relação a 2025, enquanto Hollywood tenta recuperar a frequência do público nas salas (Carolina Gehlen/Exame)

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 07h46.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreCinema
Saiba mais

Os cinemas dos Estados Unidos estão arrecadando bilhões e registrando estreias históricas em 2026. Por trás dos números, porém, uma mudança importante ajuda a explicar o momento de Hollywood: menos pessoas estão indo às salas do que antes da pandemia, mas cada ida ao cinema movimenta mais dinheiro.

Segundo os dados de uma reportagem da Reuters, a bilheteria doméstica, que reúne Estados Unidos e Canadá, chegou a US$ 6,2 bilhões até 2 de agosto. O resultado representa um crescimento de 15% em comparação ao mesmo período de 2025.

A recuperação ainda mantém distância de 2019. Naquele ano, antes da pandemia transformar a relação do público com as salas, a arrecadação no mesmo período estava próxima de US$ 7 bilhões de acordo com um relatório da S&P Global Market Intelligence.

Menos ingressos vendidos

A diferença fica mais evidente quando a comparação considera a quantidade de espectadores. Até a metade de 2026, aproximadamente 470,9 milhões de ingressos haviam sido vendidos nos Estados Unidos e Canadá. No mesmo período de 2019, foram 747,3 milhões.

O cenário mostra que o crescimento financeiro dos cinemas está sendo sustentado por um público menor do que aquele registrado antes da pandemia. A frequência às salas já apresentava sinais de queda antes de 2020, enquanto o avanço do streaming e as mudanças nos hábitos de consumo aceleraram essa transformação.

Ingressos mais caros ajudam a elevar a receita

O preço médio pago pelos espectadores ajuda a explicar como a arrecadação consegue crescer mesmo com menos pessoas nas salas. Em julho, o ingresso médio nos Estados Unidos custava US$ 13,46. Nas sessões premium, o valor chegava a US$ 18,22 — os dados são da EntTelligence.

Formatos como IMAX, Dolby Cinema e outras salas de grande formato ganharam espaço na estratégia das redes. Esses ingressos custam mais e costumam atrair espectadores interessados em transformar determinados lançamentos em uma experiência cinematográfica maior.

As próprias redes também vêm registrando aumento no gasto dos consumidores dentro dos complexos. A AMC Entertainment, maior rede de cinemas do mundo, também sentiu o impacto da procura por experiências premium. Segundo a companhia, a demanda por esse tipo de sala ajudou a rede a alcançar a maior receita para um único fim de semana em seus 106 anos de história, além do maior público registrado em uma década.

Mais de 10,2 milhões de pessoas passaram pelos cinemas das redes AMC e Odeon durante o período.

A inflação ainda influencia os hábitos de consumo, mas o aumento dos preços dos ingressos tem favorecido os grandes estúdios. Universal, Disney, Sony, Warner Bros. e Paramount Pictures concentraram 68% da receita das bilheterias dos Estados Unidos neste ano, segundo análise da Rentrak.

Blockbusters viraram grandes eventos

Os filmes de grande escala seguem entre os principais motores dessa recuperação. "Homem-Aranha: Um Novo Dia" estabeleceu um novo recorde de estreia nas bilheterias dos Estados Unidos e Canadá, enquanto "A Odisseia", de Christopher Nolan, também levou grandes públicos às salas durante o verão americano.

De acordo com a reportagem, o desempenho reforça uma tendência observada pelo setor: parte dos espectadores está escolhendo com mais cuidado quais produções justificam uma ida ao cinema.

Grandes franquias, produções de escala épica e títulos desenvolvidos para telas premium ganham vantagem nesse cenário. Para as redes, cada lançamento desse porte se torna uma oportunidade de vender ingressos mais caros e ampliar o consumo de alimentos, bebidas e produtos relacionados aos filmes.

O mercado de 2026 também trouxe resultados positivos fora das franquias tradicionais. Produções originais como "Obsessão" (US$ 470 milhões) e "Devoradores de Estrelas" (US$ 650 milhões) ganharam destaque nas bilheterias.

Acompanhe tudo sobre:CinemaFilmes

Mais de Pop

Jane Austen está de volta aos cinemas. As adaptações de livros viraram a nova febre da geração Z?

Gisele Bündchen estará no 'Victoria’s Secret Fashion Show 2026'? Veja as brasileiras confirmadas

'VisionQuest': quando estreiam os episódios 3 e 4 no Disney+?

7 minisséries de terror para maratonar antes do Halloween