Bienal do Livro: cofundador da CCXP será responsável pela curadoria da Alameda dos Artistas (Assessoria de Imprensa/@oxidany)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 16h22.
Última atualização em 21 de agosto de 2026 às 16h39.
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026 trará, pela primeira vez na história do evento, um espaço completamente dedicado a quadrinistas.
A Alameda dos Artistas faz parte de uma iniciativa que busca ampliar a presença das histórias em quadrinhos dentro do maior evento cultural da América Latina. O espaço terá curadoria de Ivan Costa, cofundador da CCXP.
A EXAME conversou com o empresário e curador para entender mais sobre a nova proposta de espaço e a incorporação das HQs na história da Bienal do Livro de São Paulo.
Co-fundador da CCXP e responsável pela programação de histórias em quadrinhos e pela área dedicada aos artistas no evento, Ivan Costa assumiu um novo desafio em 2026: incorporar oficialmente os quadrinhos à programação da Bienal do Livro de São Paulo.
No evento do Rio de Janeiro, uma versão da Alameda dos Artistas já está presente. O espaço "Artists Alley" é dedicado à exibição do trabalho de quadrinistas e ilustradores.
De acordo com a consultoria Grand View Horizon, em 2025, o mercado brasileiro de histórias em quadrinhos gerou uma receita de US$ 153,7 milhões, equivalente a R$ 791,17 milhões na cotação atual. É esperado que esse mercado tenha uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 8% entre 2026 e 2033. Essa métrica é empregada para avaliar investimentos, projetar retornos futuros e comparar o desempenho de ativos ao longo do tempo.
Os números refletem uma legião de fãs apaixonados e leais, que, a partir de agora, terão um espaço só seu em um dos maiores eventos culturais da América Latina.
"A Bienal está pensando na leitura como uma forma mais ampla", explica Ivan. "Livros ilustrados são bastante populares entre as crianças e funcionam como uma base de entrada para a leitura, mas muitos jovens leem, principalmente, mangás."
"As histórias em quadrinhos são uma forma de literatura e trazem uma geração de leitores, que o evento pode abraçar", seguiu.
A Alameda dos Artistas será um espaço expositivo com 30 mesas permanentes, compostas por artistas e coletivos que estarão presentes durante os dez dias de evento. Para Ivan, a experiência se assemelha a uma "sessão de autógrafos permanente".
"A ideia da Alameda, além de apresentar os quadrinistas ao público, é dar oportunidade para quem já acompanha esse tipo de mídia de conhecer os artistas", explica o curador. "Comprar diretamente da mão dele, pegar um autógrafo, tirar uma foto. Ter essa experiência de ter contato com o autor, que é muito rica e muito única."
Os leitores que passarem pelo espaço também terão a oportunidade de comprar mais do que apenas HQs, mas também pôsteres e produtos exclusivos criados pelos artistas para a Bienal.
A curadoria do espaço busca apresentar um retrato diverso da produção brasileira contemporânea, com grandes nomes e artistas independentes, que produzem quadrinhos autorais, tirinhas, mangás e histórias de super-heróis para grandes estúdios, como a DC .
Entre os nomes de destaque presentes no evento estão Laerte, Paulo Moreira, Gabriel Picolo e Helô D’Angelo.
O curador afirma que a edição de 2026 será um lugar de aprendizados e que espera que, nos próximos anos, a Alameda dos Artistas se expanda, inclusive abrindo a possibilidade de inscrições para quadrinistas de todo o Brasil participarem do evento.
“Ir para a Bienal pela primeira vez como um dos curadores, numa área nova e com uma expectativa de chegar talvez a 1 milhão de visitantes, eu não vou dizer desafiador, eu vou dizer excitante mesmo, porque eu estou realmente muito animado com o que eu vou fazer e aprender dentro do evento", relatou Ivan.
Além do espaço exclusivo na Bienal de São Paulo, as histórias em quadrinhos também ganharão espaço na programação oficial do evento.
Entre os principais destaques na programação está "Chico Barney e convidados conversam sobre os 40 anos de Batman: O Cavaleiro das Trevas", que irá celebrar o aniversário de uma das histórias mais populares do mundo geek. O bate-papo acontece no domingo, 13 de setembro, a partir das 15h15, na Arena Cultural.
Outro destaque é o painel "Arte, autoria e algoritmos: os desafios da inteligência artificial para quem vive da criação", que recebe o candidato a deputado federal Guilherme Cortez para uma conversa sobre a presença da IA na vida de quadrinistas, ilustradores, designers e criadores visuais. A discussão ocorre no espaço Papo de Mercado, a partir das 17h30, na sexta-feira, 11 de setembro.
É esperado que a edição de 2026 da Bienal do Livro de São Paulo ultrapasse os 700 mil visitantes, podendo atingir a meta de 1 milhão de pessoas passando pelo Distrito Anhembi em dez dias.
A forte exposição pode levar o trabalho desses quadrinistas brasileiros a um público muito maior e a pessoas que, talvez, não frequentassem um evento específico de cultura pop ou HQs, como a CCXP.
“Ter quadrinhos dentro da Bienal é mais um espaço, um evento importante, que reconhece a qualidade dessa produção, a diversidade dessa produção", afirmou. "E eu fico pessoalmente muito feliz em ver os quadrinhos tendo esse espaço dentro da Bienal e ainda mais feliz em ter sido convidado para ser o operador da entrada desse conteúdo oficialmente dentro do evento."
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026 acontece entre os dias 4 e 13 de setembro, no Distrito Anhembi, na Zona Norte da capital. Os ingressos ainda estão disponíveis.