Com US$ 180 mi, Jeeves chega ao Brasil para brigar pelo cartão corporativo

Startup que oferece linhas de crédito, gestão financeira e cartão para startups em crescimento chega ao Brasil após rodada série C de US$ 180 milhões
Fernando Torres, líder da Jeeves no Brasil: fintech chega para facilitar gestão financeira de startups (Jeeves/Divulgação)
Fernando Torres, líder da Jeeves no Brasil: fintech chega para facilitar gestão financeira de startups (Jeeves/Divulgação)
Por Maria Clara DiasPublicado em 22/03/2022 12:35 | Última atualização em 28/03/2022 12:53Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Mais uma fintech internacional acaba de desembarcar no Brasil para disputar pela atenção das pequenas e médias empresas. A Jeeves, startup americana, anuncia o início das operações em terras brasileiras após concluir uma captação de US$ 180 milhões, em uma rodada série C liderada pela Tencent.

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A lista de investidores também inclui os fundos GIC, de Singapura, Universidade de Stanford, Andreessen Horowitz, CRV, Silicon Valley Bank, FT Partners, Clocktower Ventures, Urban Innovation Fund, Haven Ventures, Gaingels, Spike Ventures, além dos escritórios familiares dos fundadores da FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) e Carlo Enrico, presidente da Mastercard para América Latina e Caribe.

A premissa da Jeeves é oferecer crédito facilitado para empreendedores à frente de negócios em expansão, especialmente startups que concluem rodadas de captação e precisam de mais dinheiro para expandir globalmente — e não conseguem isso com os bancos tradicionais. “É muito comum que empresas novas não tenham suas necessidades atendidas e recebam limites muito baixos nos bancos. Afinal, são companhias pequenas e muito recentes, mas queremos mudar isso”, diz Fernando Torres, diretor de operação da Jeeves no Brasil.

Para facilitar esse acesso, a empresa fica a cargo da análise de crédito e o oferece em moeda local de forma instantânea.

A ponte entre essas startups e os recursos financeiros da Jeeves é feita com a ajuda de um cartão de crédito corporativo que pode ter limites pré-estabelecidos pela empresa, dependendo da área, cargo ou outras atribuições.  Além do cartão, a Jeeves também criou uma plataforma por onde a gestão financeira e de despesas podem ser controladas.

O modelo de negócio, criado em 2019 pelos americanos Dileep Thazhmon e Sherwin Gandhi tem dado certo. Em doze meses, desde que foi fundada, a Jeeves já captou mais de US$ 380 milhões em investimentos e conquistou uma base de clientes com mais de 3.000 empresas. A receita foi multiplicada por nove desde a última captação, em setembro do ano passado, e o volume transacionado pela plataforma já ultrapassou o primeiro bilhão de dólares.

Para coroar todo esse crescimento, a Jeeves também acaba de alcançar o status de unicórnio, com valor de mercado de US$ 2,1 bilhões.

O foco da fintech são as startups em ascensão. Entre os nomes dos clientes estão, por exemplo, a Bitso, e os unicórnios Merama e Kavak. Depois de estabelecer operações no México e em outros países da América Latina — hoje a Jeeves está em 24 países ao todo e quer chegar a 40 —, a intenção é continuar mirando startups também no Brasil.

A expansão mundo afora e os números da Jeeves marcam o bom momento para as fintechs que decidem entrar no disputado mercado de cartões corporativos. No último ano, a fintech mexicana Clara, também de cartões de crédito corporativos, chegou ao Brasil após aporte de US$ 70 milhões. Há pouco mais de um mês foi a vez da Tribal, startup americana, desembarcar no Brasil após concluir uma captação de US$ 60 milhões (R$ 321,4 milhões).

Agora, a fintech deve usar o capital para expandir globalmente, realizar melhorias na plataforma e contratar novos profissionais. Com o aporte série C, a Jeeves já recrutou profissionais com alguma expertise em pagamentos, como Arpan Nanavati (ex-PayPal); Trent Beckley (ex-Google); Bhushan Ekbote (ex-Afterpay e Magneto/Adobe) e Victor Garrido (ex-Mastercard).

“Com certeza há muito a explorar, e há uma demanda muito grande pois o Brasil tem número cada vez maior de startups em amadurecimento. Esse será o nosso principal mercado e o foco no Brasil agora é total”, diz Torres.

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