Szekasy, da Kaszek e Lavca: otimismo com os unicórnios da América Latina

O investidor argentino conversou com a EXAME após ser anunciado como o novo presidente do conselho de administração da Associação Latino-Americana de Private Equity e Venture Capital

Nicolás Szekasy é uma das estrelas do mercado de inovação latino-americano. Além de ter sido diretor financeiro do Mercado Livre e conduzido o processo de abertura de capital da empresa em 2007, o argentino cofundou e hoje dirige a gestora Kaszek Ventures, que apoiou empresas de sucesso na região, como Nubank e QuintoAndar.

Agora, o investidor assume um novo desafio ao assumir a presidência do conselho de administração da Associação Latino-Americana de Private Equity & Venture Capital (Lavca), que estuda as transações na região e auxilia os investidores que atuam na América Latina. Ele assume o posto depois da saída de Carlos Garcia, sócio-diretor da Victoria Capital Partners.

Szekasy também é conselheiro de várias empresas de tecnologia da América Latina, como as brasileiras Nubank, Creditas e GuiaBolso, a chilena NotCo e a argentina Nuvemshop. “O trabalho de Nicolás com venture capital e tecnologia é um excelente exemplo de algumas das oportunidades transformacionais que estamos vendo na América Latina hoje”, disse, em nota, Ivonne Cuelo, presidente da Lavca.

Em entrevista à EXAME após assumir o cargo, Szekasy contou sobre suas expectativas em relação ao capital de risco na América Latina, comentou sobre os setores que mais atraem investidores e ponderou sobre o efeito que a covid-19 teve nos investimentos ao longo de 2020. Confira abaixo trechos da entrevista:

Nos últimos anos, vimos uma tendência de crescimento de investimento em venture capital na América Latina. Isso vai continuar?

Sim, nos últimos anos vimos uma tendência de expansão nos investimentos na região. Provavelmente, agora, nessa nova fase, teremos uma nova mudança, estimulada pela covid-19, que é o fato de que a tecnologia e o mundo digital ocuparem um papel maior nas nossas vidas e economias. Nos próximos anos, devemos ver mais capital sendo aportado em empresas de tecnologia e também em empresas tradicionais que precisam acrescentar tecnologia ao seu modelo de negócio. Não é a única tendência, mas é algo que ficou evidente desde 2020 com a tecnologia passando a ter um papel central em nossas vidas.

De que forma a pandemia afetou os investimentos em tecnologias e startups na região?

O capital investido aumentou 30% na primeira metade de 2020 na comparação com o ano anterior, segundo os últimos números publicados pela Lavca. Em relação à tecnologia, continuamos a ver aportes significativos. Não é possível prever o que vai acontecer em 2021, mas esses números têm aumentado ano após ano nos últimos anos. Esperamos ver uma enorme quantidade de oportunidades que vão atrair capital na região. E isso vale para todos os estágios, desde o early stage, em rodadas de capital semente, a rodadas maiores, feitas por fundos de private equity, que têm olhado nos últimos anos para empresas de matriz puramente tecnológica e para empresas tradicionais que precisam da tecnologia para acelerar sua estratégia. A covid-19 provavelmente deve continuar por alguns meses mais, então o ano de 2021 provavelmente deve ser difícil, especialmente no primeiro semestre. Mas, em relação a capital para companhias de inovação para os próximos cinco a dez anos, temos uma forte convicção de que haverá enormes quantidades de oportunidades para investir em empresas da região.

Como o mercado brasileiro está hoje na comparação com os outros países da região em relação a investimento?

O Brasil é o maior país da região e tem um peso significativo no volume de capital que está sendo levantado pelos fundos e aportado nas companhias e em projetos de infraestrutura. É interessante, porque quando olhamos para investimentos de private equity em empresas mais maduras ou para venture capital em startups em early stage, a proporção na região é basicamente a mesma, com o Brasil representando cerca de 60% das transações, o que mostra o peso que ele tem na região. Na Lavca, percebemos que a proporção de negócios segue o tamanho da economia, então de longe o México é o segundo maior mercado de capital privado na região. Juntos, Brasil e México estão com quase 80% dos recursos.

Em termos de leis, o Congresso Nacional brasileiro está analisando um projeto para criar um Marco Legal das Startups. Esse tipo de legislação pode incentivar investimentos no país?

Em geral, temos visto um número grande de iniciativas nesse sentido. No setor financeiro, há algumas regulamentações para fintechs, e não só no Brasil, mas em vários outros países da região. Isso é positivo, porque permite que companhias lancem novos serviços, tornando o mercado mais competitivo e beneficiando os consumidores com preços mais baixos e serviços melhores. Toda iniciativa que remova os empecilhos para se começar uma companhia — sabemos que há alguns processos burocráticos nos países — e ajude o empreendedor a navegar durante os primeiros anos de negócio é algo que encorajamos. É positivo para os consumidores e para a economia.

Em 2020, tivemos cinco novas empresas avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares na América Latina. Na sua opinião, em quais setores estão os próximos unicórnios da região?

É muito animador ver nas últimas décadas tanto VCs e como fundos de private equity ajudando a desenvolver negócios bilionários. Atingir o valuation de 1 bilhão de dólares é o indicador de que uma companhia está indo para a direção certa, mas o mais importante é que essas companhias estão criando novos produtos e serviços através da inovação. Há cerca de 15 unicórnios na América Latina, muitos dos quais nascidos no Brasil. Fintech é uma das áreas que originou vários unicórnios, assim como marketplaces, que permitem que compradores e vendedores se conectem em diferentes indústrias, como no mercado imobiliário e automotivo. Softwares relacionados a alimentação, varejo e e-commerce também deram origem a unicórnios na região. Acredito que haverá muitos mais surgindo nos próximos anos.

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