Startups de São Paulo receberam 83% dos aportes no Brasil em 2019

Levantamento feito pela empresa de inovação Distrito mostrou que o estado recebeu mais investimentos que Colômbia, Chile, México e Argentina juntos

A empresa de inovação Distrito, especializada em coletar dados sobre o mercado de inovação brasileiro, lança nesta quinta-feira 23 um relatório sobre o estado de São Paulo. O levantamento, feito em parceria com a consultoria KPMG e a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), indicou que as startups de São Paulo receberam 83,5% dos investimentos feitos em inovação no Brasil em 2019.

As 2677 empresas do estado receberam, ao todo, 2,4 bilhões de dólares em aportes no ano passado. Desde 2018, em 319 rodadas de investimento, mais de 4 bilhões de dólares foram investidos nas startups paulistas. Só no segundo trimestre de 2019, Loggi, Gympass e Creditas receberam aportes milionários liderados pelo conglomerado de telecomunicações SoftBank.

Em comparação com outros países da América Latina, o estado de São Paulo lidera na quantidade de investimentos recebidos. O estado sozinho recebeu mais dólares em aportes que a Colômbia (1,2 bilhões), México (577 milhões), Argentina (184 milhões) e Chile (45 milhões) somados. “Isso mostra a força do estado paulista na América Latina”, diz Tiago Ávila, líder de inteligência de mercado no Distrito.

Com a crise causada pelo novo coronavírus, Ávila acredita que o critério dos fundos de investimento irá mudar, mas que os aportes não devem diminuir, já que os fundos estão capitalizados. “Eles vão focar nas startups que já fazem parte do portfólio, fazendo novas rodadas para ajudá-las a não se prejudicar. Novos investimentos estarão voltados para negócios que se provem e que tenham capacidade de se manter”, afirma. 

Dados do Distrito mostram que os três primeiros meses de 2020 foram equivalentes aos de 2019 no que tange ao montante de investimentos feitos em empresas brasileiras. Números preliminares de abril indicam 129 milhões de dólares captados pelas startups, o que mostra que a pandemia afetou pouco o segmento até agora. 

Cinco polos estaduais

Dentro do estado de São Paulo, 70,8% das startups estão na capital. Uma concentração maior em relação aos estados do Sul, onde só cerca de 60% das empresas estavam nas capitais, mas menor que no Rio de Janeiro, onde 85% das startups estão na capital. Fora da capital, o maior polo de inovação paulista é Campinas, com 5% das empresas, seguido por Barueri (2,8%), Ribeirão Preto (2,7%) e São José dos Campos (2,6%). 

Mesmo dentro da capital, há uma presença mais forte de empresas de inovação nas zonas Sul e Oeste. Os bairros de Pinheiros (207) e Itaim Bibi (358 startups) se destacam pela quantidade de startups instaladas ali. 

Ao todo, as startups paulistas já empregam quase 100.000 pessoas. Cerca de 14% dos negócios já possuem mais de 200 funcionários, o que, segundo o Distrito, mostra a maturidade do ecossistema. Em Santa Catarina, por exemplo, só 6% das empresas têm mais de duas centenas de funcionários. No Rio de Janeiro, são apenas 3,5% das startups. 

Analisando os setores de cada startup, as empresas financeiras, chamadas de fintechs, são maioria: há 362 companhias desse tipo no estado de São Paulo. Na sequência, aparecem as adtechs (315 empresas), que usam tecnologia para inovar no mercado de publicidade e marketing. Depois, estão as plataformas de saúde (225), educação (211) e varejo (165).  

No estado, cada startup tem, em média, 2,6 sócios. Em sua maioria (82,9%), homens com idade média de 40 anos. Os setores em que há maior participação feminina são moda, educação e serviços. A cidade analisada com melhor proporção é Ribeirão Preto: 23,3% dos sócios são mulheres e 76,7%, homens. 

O estudo também mapeou quais são as startups mais maduras do estado. O algoritmo leva em consideração o crescimento de número de funcionários, o faturamento presumido, a quantidade de investimento captado e as métricas em redes sociais. Na lista das dez empresas mais evoluídas, estão os unicórnios Nubank, iFood, Stone, PagSeguro, 99, Loft, Quinto Andar e Loggi; além das fintechs Neon e Creditas. 

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