Rede de franquias fatura R$ 275 mi alugando equipamentos para obras

A Casa do Construtor tem mais de 280 unidades pelo Brasil e planeja terminar 2020 com 50 novas lojas

Amigos de infância, os engenheiros Expedito Eloel Arena e Altino Cristofoletti Junior sempre sonharam em abrir um negócio juntos. A oportunidade apareceu em 1993, quando criaram a Casa do Construtor, um depósito de material de construção na cidade Rio Claro, no interior do estado de São Paulo. Vinte e sete anos depois, os sócios continuam juntos, mas o negócio hoje é outro: uma rede de franquias de aluguel de equipamentos para a construção civil.

A Casa do Construtor tem 280 unidades espalhadas pelo país e uma loja no Paraguai. A rede, que havia faturado 223 milhões em 2018, terminou 2019 com faturamento de 275 milhões de reais. Para 2020, a meta dos sócios é elevar o valor para casa dos 350 milhões e chegar a 330 lojas da marca.

O público alvo da rede são pessoas que estão fazendo pequenas reformas; pedreiros, eletricistas e pintores que trabalham de forma autônoma; e pequenas construtoras e empreiteiras. As lojas oferecem aos clientes o aluguel de equipamentos de pequeno porte para todas as fases da obra. 

Estão disponíveis no portfólio da marca mais de 300 tipos de máquinas, desde andaimes e betoneiras, até equipamentos de jardinagem e limpeza. O valor do aluguel de cada item varia de unidade para unidade da rede, devido aos custos diferentes com logística em cada região. Uma betoneira, por exemplo, pode custar de 40 a 50 reais por dia. No aluguel mensal, há um desconto, e o valor fica na faixa de 200 a 250 reais. 

Trajetória de empreendedorismo

Apesar do desejo de ter o próprio negócio, Altino e Expedito não apostaram todas as fichas logo de cara na Casa do Construtor. No começo da década de 1990, os empreendedores se dividiam em vários empregos enquanto montavam o depósito de material de construção. “Nós tínhamos uma pequena empreiteira na cidade, por isso decidimos colocar nossos equipamentos para alugar”, conta Cristofoletti.

Em pouco mais de um ano de operação, os sócios perceberam que apesar de haver sinergia entre material de construção e máquinas, os negócios eram diferentes. O aluguel precisava de uma logística reversa para recolher o equipamento da obra, além de uma estrutura própria de manutenção dos aparelhos. “Como o aluguel era mais rentável, a gente focou em trabalhar só com ele”, conta Altino. 

A ideia inicial dos amigos era expandir o negócio para a região de Rio Claro, mas o alto custo de aquisição das máquinas era um problema. O modelo de franquias surgiu como uma oportunidade para trazer capital externo para a marca.

Antes de franquear, os sócios formataram manuais, estabeleceram processos internos da rede e testaram a abertura de uma segunda unidade, na cidade de Araras, em 1997. A primeira franquia foi aberta em Americana, em 1998, por um engenheiro amigo dos sócios.

A expansão da rede aconteceu de forma lenta e foi centrada no interior de São Paulo até 2010, quando a empresa foi procurada pela organização de apoio ao empreendedorismo Endeavor. Na época, a Casa do Construtor tinha 80 lojas, mas a organização acreditava que o negócio tinha potencial para mais unidades. 

Com a Endeavor, a rede de franquias passou a adotar modelos de governança corporativa, auditoria externa e acordo de acionistas. “Eles nos ajudaram a ter uma mentalidade de negócio estruturado. Agora, nossa missão é ter capilaridade pelo Brasil e chegar até 1.000 unidades até 2027”, diz o cofundador da rede.

Modelo de franquias

Para ter uma franquia da Casa do Construtor, o franqueado precisa investir de 600 mil a um milhão de reais na unidade da loja. O valor varia de acordo com o tamanho da cidade em que a loja será instalada. “O dinheiro é usado para compra do kit inicial de máquinas e para o pagamento da taxa de franquia, que oscila entre 40 e 80 mil reais”, afirma Cristofoletti.

A empresa estima que o tempo de retorno do capital investido seja de dois anos e meio a três anos. O tíquete médio por dia de aluguel das máquinas é de 160 reais, e o faturamento mensal das lojas é, em média, 85 mil reais. Por mês, o franqueado precisa pagar 8% sobre o faturamento em royalties e 2% para um fundo conjunto de marketing. 

A margem de lucro é, segundo a empresa, de 35% para as unidades, mas os sócios ressaltam que é necessário reinvestir parte do valor na aquisição de novos equipamentos para a loja. “É um negócio de capital intensivo”, afirma Cristofoletti. 

Pela necessidade constante de investimentos no negócio, os sócios selecionam os franqueados, ao que atribuem parte do sucesso da rede. “Exigimos que o franqueado tenha o capital inicial sem empréstimos, pois logo ele precisará investir em novas máquinas. Depois de um ano de operação, ele pode pegar”, diz.

Apesar de confiantes com o negócio atual, os fundadores querem investir na construção de uma solução digital para a Casa do Construtor. “A gente quer utilizar a economia compartilhada para fornecer os equipamentos para os profissionais da construção civil”, explica o sócio. 

Enquanto o novo produto não existe, o desafio do cotidiano segue o mesmo para os empreendedores: entregar e retirar as máquinas certas no tempo adequado. 

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