Querendo mais retorno? Invista em startups criadas por mulheres

Pesquisa mostra que, apesar do abismo entre o valor dos investimentos para startups criadas por homens e mulheres, os ganhos estão do lado delas
Empreendedora: pesquisa descobriu que, para cada dólar de financiamento, startups criadas por mulheres geravam 78 centavos, ante 31 centavos das fundadas por homens. (Wavebreakmedia Ltd/Thinkstock)
Empreendedora: pesquisa descobriu que, para cada dólar de financiamento, startups criadas por mulheres geravam 78 centavos, ante 31 centavos das fundadas por homens. (Wavebreakmedia Ltd/Thinkstock)
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Ligia Tuon

Publicado em 18/08/2018 às 18:35.

Última atualização em 18/08/2018 às 20:35.

São Paulo - Quando mulheres empreendedoras lançam suas ideias para investidores em busca de capital inicial, recebem muito menos do que homens na mesma situação. Mais precisamente 1 milhão de dólares a menos, em média. Startups fundadas por mulheres, por outro lado, têm mostrado retornos financeiros maiores: geram em receita mais do que o dobro do dólar investido em empresas criadas por homens. A conclusão é de pesquisa feita pelo Boston Consulting Group (BCG), em parceria com a rede de aceleradoras MassChallenge, dos EUA.

Com o objetivo de descobrir o que diferencia negócios criados por mulheres daqueles fundados por homens, o BGC chegou a um abismo entre o valor do cheque dos investidores. Em empresas com fundadoras ou co-fundadoras, os investimentos foram em média de 935 mil dólares, o que representa menos da metade da média investida em empresas fundadas por empreendedores do sexo masculino, de 2,1 milhões de dólares.

Apesar dessa disparidade, as startups delas geraram 10% a mais em receita ao longo de um período de cinco anos: 730 mil dólares em comparação com 662 mil dólares faturados pelos negócios deles. Em relação à eficiência, a pesquisa descobriu que, para cada dólar de financiamento, startups criadas por mulheres geravam 78 centavos, enquanto as startups fundadas por homens geravam menos da metade disso - 31 centavos.

Para chegar a esses números, o BCG reuniu dados coletados pelo MassChallenge sobre as startups com as quais a rede de aceleradoras trabalhou. Dessas, cerca de 40% tiveram pelo menos uma fundadora. Segundo a consultoria, foram excluídos na hora de fazer o levantamento fatores que poderiam afetar os investimentos, como os níveis de educação dos empreendedores e a qualidade de seus "pitches" - expressão em inglês que se refere à forma como o empreendedor descreve seu negócio a um investidor em potencial.