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Startup Rivian conquista investidores com caminhões elétricos

Fundada em 2009, a Rivian se prepara para produzir uma picape e um utilitário esportivo elétricos e tem entre seus investidores nomes como Amazon e BlackRock

É difícil imaginar qualquer empresa que tenha tido uma ascensão meteórica comparável à da Tesla. Mas, se alguma startup de carros elétricos pudesse aspirar a ser a "próxima Tesla", essa seria a Rivian.

Fundada em 2009, a Rivian se prepara para produzir uma picape e um utilitário esportivo elétricos. Ambos os modelos devem chegar ao mercado até meados deste ano e serão feitos em uma antiga fábrica da Mitsubishi no Illinois. A Rivian também está desenvolvendo caminhões de entrega elétricos para a Amazon.

O que distingue a Rivian, no entanto, é sua extraordinária lista de investidores. A Amazon não é apenas cliente – ela investiu muito dinheiro na Rivian. Outros apoiadores incluem BlackRock, Fidelity, T. Rowe Price e Ford Motor, que planeja lançar um veículo baseado na tecnologia da Rivian.

"Estamos ansiosamente antecipando a chegada de 2021 e, com ela, a euforia da Rivian, que vai começar a entregar seus produtos revolucionários aos clientes", disse em comunicado Joseph Fath, gerente de portfólio da T. Rowe Price.

Produzir um carro novo do zero é uma tarefa monumental para montadoras estabelecidas, quanto mais para uma startup. "O processo de criar algo assim não é nada simples. É uma orquestração complexa, milhares de peças vindas de centenas de fornecedores. É definitivamente muito mais complicado do que as pessoas pensam e muito mais difícil do que eu pensava que seria", declarou RJ Scaringe, fundador e executivo-chefe da Rivian, em entrevista.

A Rivian espera lucrar com a mesma oportunidade que a Tesla identificou e promoveu: a eletrificação do transporte. Para a maioria dos executivos de automóveis, agora há pouca dúvida de que esse é o caminho que o mundo resolveu seguir. Nos últimos cinco anos, a Tesla foi da fabricação de 50.000 carros anualmente para dez vezes mais do que isso no ano passado. A General Motors, a Ford, a Volkswagen e outras estão investindo bilhões para desenvolver carros e caminhões elétricos, que podem acabar suplantando os modelos movidos a combustível fóssil.

"Em pouco tempo, estamos indo de um mundo em que os veículos elétricos são um pequeno subconjunto para um no qual representam cem por cento do mercado. Alguns atores tradicionais poderão fazer essa transição, mas também há oportunidades para novas empresas entrarem nesse espaço", disse Scaringe.

A Rivian é diferente da Tesla em vários aspectos. Esta última até agora cresceu vendendo sedãs esportivos, tipo de veículo que está perdendo seu favoritismo entre os consumidores. A Tesla pretende começar a fazer uma picape estranhamente angular e futurista, a Cybertruck, este ano. No entanto, ainda não deu grande atenção aos caminhões e SUVs, que compõem 75% do mercado de veículos de passageiros nos Estados Unidos.

A Rivian, por outro lado, concentra-se na produção de veículos off-road, abordagem que significa que não competirá com a Tesla. "Há uma percepção de que essa é uma situação em que o vencedor leva tudo, e isso está errado. Os consumidores precisam ter marcas diferentes, sabores diferentes. Nosso sucesso não exclui de forma alguma o sucesso dos outros", afirmou Scaringe.

Rebecca Puck Stair é o tipo de compradora de carros que a Rivian espera atrair. Olheira de cenários de filmes em Albuquerque, no Novo México, já há alguns anos tem interesse em comprar um veículo elétrico, mas precisa de um que tenha grande alcance de bateria e tração nas quatro rodas, para dirigir pelo deserto. "Isso não existia no mercado. Um Tesla não se encaixa nas minhas necessidades."

Há cerca de um ano, ela ouviu falar da Rivian e fez um depósito para um SUV no dia seguinte – como a Tesla, a empresa não planeja vender por meio de concessionárias. Stair viu a Cybertruck, mas o design da picape não é para ela. "Tem uma cara de 'caminhão de um sujeito detestável'", comentou, rindo.

O caminhão e o SUV da Rivian, que começam em 67.500 dólares, parecem mais convencionais, como se tivessem sido projetados pela Land Rover.

O executivo-chefe da Tesla, Elon Musk, é uma força disruptiva diferente de tudo o que a indústria automobilística já viu em décadas, talvez desde Henry Ford. Levou sua empresa às alturas do mercado de ações e atrai um exército de fãs. Mas Musk também cortejou controvérsias – classificou os esforços do governo para limitar a disseminação do coronavírus de "fascistas". Por causa de suas postagens no Twitter, ele e a empresa se envolveram em problemas legais, inclusive com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. Há pouco tempo, Musk afirmou que a Tesla teria um milhão de carros autônomos nas ruas em 2020, mas a empresa ainda não apresentou um veículo totalmente autônomo.

Scaringe, por outro lado, é um engenheiro acadêmico, com doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Uma vez, procurou cortar sua pegada de carbono pessoal no MIT andando a pé e de bicicleta, tomando banhos frios e lavando a roupa à mão. Seu feed do Twitter é tão tranquilo que um post recente foi sobre as preferências de cor do carro de seus filhos (azul).

A Rivian espera começar a produzir sua van de entregas da Amazon em grande número no segundo semestre deste ano. A gigante do varejo já está testando protótipos na estrada, e fez dos caminhões parte central de sua estratégia de redução de emissões, com um pedido para que dez mil sejam entregues até o fim de 2022.

Michael Ramsey, analista do Gartner, disse que estava ansioso para ver se a Rivian poderia evitar os erros que atrapalharam a Tesla há alguns anos, quando Musk correu para aumentar a produção do sedã Model 3 e acabou no que chamou de "inferno de fabricação". "Será que a Rivian será uma grande concorrente futura da Ford e da GM? Não sei. Mas ela conta com grandes investimentos. Há uma parceria estratégica com a Ford. Há contratos com a Amazon. De todas as startups de veículos elétricos, ela parece ter a melhor chance de fazê-lo", afirmou Ramsey.

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