Inovação é prioridade para 85% das empresas, diz pesquisa da ACE Cortex

Estudo da consultoria de inovação evidencia a importância de criar ambientes que fomentem o surgimento de novas ideias. Não basta adotar as tecnologias mais avançadas – é preciso também adaptar a cultura organizacional
Luis Gustavo Lima, sócio da ACE Cortex: “Inovação nunca foi tão valorizada.” (Divulgação/Divulgação)
Luis Gustavo Lima, sócio da ACE Cortex: “Inovação nunca foi tão valorizada.” (Divulgação/Divulgação)
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Da Redação

Publicado em 05/11/2021 às 11:42.

Última atualização em 05/11/2021 às 11:43.

Essencial, mas difícil de colocar em prática. É o que revela a 4ª edição da pesquisa Ace Innovation Survey, liderada pela consultoria de inovação ACE Cortex, que fornece um panorama da inovação nas companhias brasileiras. Inovar é prioridade de 85% das empresas na formulação de suas estratégias de negócios. Entretanto, apenas 36% das companhias possuem uma estrutura adequada para fomentar e desenvolver novas ideias.

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Segundo Luis Gustavo Lima, sócio da ACE Cortex, é um grande avanço que a inovação esteja sendo percebida pelos empresários como fundamental não somente do ponto de vista estratégico, mas também como um componente obrigatório para a sobrevivência de qualquer negócio no futuro. “É a quarta edição da pesquisa”, diz Lima. “Inovação nunca foi tão valorizada.”

Os obstáculos para inovar  

Quase 45% dos respondentes acreditam que a principal barreira para a inovação é cultural. Ou seja, entendem que a visão, os valores, as estratégias e os processos de suas empresas não derivam de uma mentalidade disruptiva. Para cerca de 35%, o impasse é financeiro – eles creem que faltam recursos para financiar projetos de inovação. Aproximadamente 25% enxergam que a ausência de uma liderança focada em inovação é o principal problema.

Os principais entraves para a inovação podem ser uma polêmica entre os empresários, mas eles têm em comum uma característica – não dizem respeito àquele senso comum de que inovar é simplesmente adotar tecnologias de ponta. Inovar, na verdade, depende das pessoas que trabalham na companhia. “Esta é, talvez, a mais importante revelação da pesquisa”, diz Luis Gustavo. “É necessário assimilar uma nova mentalidade, mais criativa e empreendedora, voltada para o risco e realização de experimentos, inclusive promovendo a disrupção do próprio modelo de negócios da companhia, sendo a tecnologia um meio e não um fim para alcançar os objetivos da corporação."

Startups: de inimigas a parceiras 

7 em cada 10 empresas responderam que tiveram algum vínculo ou conexão com startups no decorrer do último ano. Cerca de 61% contrataram startups como fornecedores de tecnologia, produtos ou serviços devido ao seu modelo de negócios mais enxuto, que de alguma forma as beneficiou. Quase metade contratou para impulsionar projetos internos de inovação. E quase 40% investiram nelas com expectativa de retorno futuro.

Descobrir como se relacionar com startups da melhor maneira possível parece ser um enigma longe de ser desvendado. Mas o medo delas ficou para trás. Nas edições do Ace Innovation Survey de 2019 e 2020, pairava um receio das empresas tradicionais se aproximarem de startups, provavelmente alimentado pela visão que tinham delas como concorrentes que ameaçavam seus negócios. “Entendeu-se que era preciso aprender com elas”, diz Luis Gustavo.

Transformação digital 

A transformação digital foi a principal iniciativa de inovação realizada no último ano. Quase a metade realizou algum programa voltado à digitalização de processos e à implementação de uma cultura organizacional mais digital e ágil. Outra iniciativa bastante adotada pelas empresas foi a criação de squads – equipes pequenas e multidisciplinares com foco no desenvolvimento rápido de soluções.

Metodologia 

O levantamento foi desenvolvido com base em informações coletadas por meio de um questionário quantitativo, divulgado e disponibilizado por um período de 14 dias, entre os meses de agosto e setembro de 2021. A pesquisa recebeu respostas de 125 representantes de empresas dos mais variados portes, partindo de startups com menos de R$ 10 milhões de receita anual até corporações com mais de R$ 10 bilhões de receita anual.