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Conheça o G10 Bank, banco que promete ser o BNDES para as favelas

Com objetivo de fomentar o desenvolvimento econômico dentro das comunidades, o foco do “BNDES da favela” é oferecer microcrédito para empreendedores das favelas

Para superar a crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus e fomentar o desenvolvimento econômico dentro das comunidades, o G10 das Favelas, bloco de líderes e empreendedores das favelas, fundou o banco digital G10 Bank, uma instituição financeira que pretende ser um gerador do crédito nas periferias.

“A gente é um banco para a favela, é o BNDES da favela”, explicou Gilson Rodrigues, de 36 anos, coordenador nacional do G10 das Favelas e presidente da nova instituição financeira, em entrevista à EXAME.

O grupo de líderes das favelas, a exemplo de blocos econômicos mundiais, uniram forças em prol do desenvolvimento econômico e social dessas áreas urbanas. O bloco é formado pelas comunidades da Rocinha (RJ), Rio das Pedras (RJ), Heliópolis (SP), Paraisópolis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixadas da Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF).

Com autorização do Banco Central para funcionar como uma Empresa Simples de Crédito (ESC), inicialmente o G10 Bank irá oferecer microcréditos e financiamentos voltados para empreendedores das favelas. Os empréstimos poderão variar de 1 mil reais até 15 mil reais nesse início de operação. 

A Fintech planeja também fornecer serviços como cartão de crédito, seguros e maquininhas de cartão em parceria com outras instituições financeiras, incluindo os principais bancos do país. 

“Nós não vamos participar dessa crise, não fomos nós que criamos, vamos participar da solução. São 14 milhões de brasileiros vivendo nas favelas que não são notados e citados, apesar do poder econômico e de mobilização”, afirmou Rodrigues.

Quando Gilson fala do poder econômico das favelas não é um exagero. Segundo estudo de 2019 do Outdoor Social, empresa de impacto social voltada para classes populares, o potencial de consumo das 10 favelas do G10 é de 7,7 bilhões de reais. “Se considerar todas as favelas do Brasil, são quase 170 bilhões de reais, é maior que a economia de alguns países da América Latina”, reforçou Rodrigues. 

Uma outra pesquisa, desta vez dos institutos Data Favela e Locomotiva, de 2019 entrevistou 2006 moradores de 60 favelas de todos os estados do Brasil e 35% deles sonhavam em ter seu próprio negócio. 

“O foco nos empreendedores é por nós entendermos que além da pessoa ter dinheiro no bolso, ela gera desenvolvimento local e emprego. É uma cadeia de consequências positivas para as favelas”, explicou o presidente do novo banco. 

Além de fazer com que o crédito chegue na mão dessa população a juros baixos, o principal objetivo do banco é ajudar no desenvolvimento das comunidades onde irá atuar, por isso existe o compromisso de que 33% do lucro da instituição seja destinado para ações de assistência social nas favelas. 

“O nosso trabalho é ajudar pessoas, pode ganhar dinheiro sim, mas o banco nasce principalmente para ajudar a favela a superar essa crise”, explicou o líder comunitário. 

O processo de análise de crédito do G10 será bem diferente dos bancos tradicionais. Para liberar o crédito, o empreendedor passará pelo crivo dos presidentes de rua. A iniciativa, que foi criada para auxiliar as comunidades no combate ao coronavírus, será aproveitada pelo banco.

Cada voluntário será uma espécie de “avalista” de cerca de 50 casas. A ideia é que o processo para liberação do crédito seja humanizado, no sentido de que os presidentes de rua, por conhecer as pessoas, possam orientar a equipe do banco sobre a liberação de créditos. 

O projeto abrange também oferecer aulas de educação financeira e de administração para que os empreendedores consigam fazer o seu negócio prosperar. 

A nova instituição financeira terá uma plataforma online, aplicativo e uma estrutura física para oferecer o crédito. Gilson também revelou que existirá uma parceria com a empresa Sodexo para que doações de cestas básicas possam ser feitas através de cartões, numa divisão que deve se chamar G10 Bank Benefícios.

Primeiros créditos liberados

Até o final deste mês serão anunciados os dez primeiros empreendedores selecionados, sendo cinco de Heliópolis e cinco de Paraisópolis. A proposta é fornecer crédito para no mínimo dez empreendedores por mês, com meta anual de 120 pessoas atendidas em todo o país nesse primeiro ano. O banco ainda não anunciou qual será a taxa de juros ofertada para os microcréditos, mas a ideia é oferecer o menor juros possível, de forma que a operação seja sustentável. 

O capital inicial da empresa é de 1,8 milhões de reais. Essa primeira rodada de recursos foi oferecida por empresários parceiros do G10 Favelas. “Temos perspectiva de mais recursos, mas nós que não estamos querendo ainda”

Rodrigues explicou que a empresa destinará uma fatia de 33% para sócios investidores entrarem no negócio através de compra de cotas de participação do banco. A intenção é atrair investidores que tenham consciência social do capital. 

O plano a curto prazo do banco digital é audacioso. No primeiro ano a projeção seria captar 5 milhões de reais para cada favela do G10, um total de 50 milhões até o final de 2021. Em 2022, a ideia é mais que dobrar o valor, o banco quer captar 20 milhões de reais para as 10 favelas do grupo, 200 milhões de reais no ano. 

Segundo o líder comunitário, apesar de já estar em operação, o primeiro mês do banco será para entender processos, para que até 30 de março o martelo seja batido sobre captação de novos investimentos. 

Um conselho de 20 pessoas formado por empresários, economistas e profissionais do mercado financeiro vai participar das decisões ao lado de Rodrigues. Jeronimo Ramos, de 63 anos, é um dos mentores do projeto. Com mais de 15 anos de experiência com microcrédito, Ramos foi executivo no Santander e hoje é consultor da Avante Microfinanças, empresa que concede crédito a pequenos empreendedores nas regiões Norte e Nordeste.

Segundo Rodrigues, a inspiração para criação do banco vem das teorias e ações do matemático norte-americano John Nash, prêmio Nobel de economia, e do Muhamad Yunus, Prêmio Nobel da Paz e pioneiro do microcrédito por meio do banco Grameen, em Bangladesh. Além do pioneirismo do Banco Palmas, criado em 1998 na periferia de Fortaleza. 

Futuro

Além das 10 maiores favelas que serão o foco inicial da empresa, o G10 Bank planeja chegar em mais de 300 comunidades em 14 estados brasileiros. Já existem mais de 800 mil comitês de favelas conectados, ou seja, o potencial de crescimento é enorme. 

Questionado se a médio prazo o banco planeja oferecer crédito para pessoa física, Gilson disse que sim. “Já estamos construindo alternativas para fazer empréstimos para pessoas físicas, idosos, aposentados e etc”. O Brasil tem um grande número de desbancarizados que são, em sua maioria, moradores de periferia.

E mesmo com a operação engatinhando, Gilson pensa grande. Ele vê o banco com potencial de ser o primeiro Unicórnio da favela - uma startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão de dólares.

“Entendemos que quanto mais conseguirmos circular o recurso aqui e nos ajudar, vamos dar certo”, concluiu Rodrigues.

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