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A empresa fundada por uma mecânica que atraiu banqueiro vencedor do Nobel

A Escola do Mecânico, edtech fundada por Sandra Nalli, ajuda na empregabilidade de mecânicos e aposta na responsabilidade social

Sandra Nalli é um ponto fora da curva, a começar por sua área de paixão e para qual se dedica profissionalmente há duas décadas: o setor automotivo. Mecânica desde os 14 anos, Sandra começou como menor aprendiz em um pequeno centro automotivo na cidade de Mogi Mirim, no interior de São Paulo. Mas desde 2011, a empreendedora está à frente da Escola do Mecânico, edtech (apelido dado às startups ligadas à educação) que capacita, forma e emprega mecânicos, além de oferecer serviços de gestão para oficinas e centros automotivos.

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A ideia para o negócio surgiu da percepção de que o mercado para essa área era escasso, especialmente em cidades interioranas. De menor aprendiz, Sandra se tornou consultora e então gerente. Uma temporada ensinando mecânica básica em uma Fundação Casa também serviu para que a empresária (na época, gerente automotiva) entendesse que havia chances de profissionalizar jovens encarceirados, preparando-os para um mercado de trabalho exigente e restrito para ex-presidiários.

"Eu ficava horas com aquelas listas telefônicas amarelas em mãos, fazendo ligações e oferecendo às oficinas da região a mão de obra daqueles jovens que se formavam por ali", diz.

Pouco tempo depois, o esforço vingou. Da Fundação Casa, uma sala foi alugada para dar espaço a novas turmas e, dez anos depois, a Escola do Mecânico já tem em sua conta mais de 30.000 alunos formados e quase 300 funcionários. As aulas vão de mecânica básica (motor, suspensão, freios, sistema de rodagem, injeção eletrônica e elétrica automotiva) a mecânica pesada (mecânica de empilhadeira), funilaria e estética e gestão de oficinas.

Sem deixar de lado o desejo por empregar jovens — como na época das listas telefônicas — a Escola do Mecânico também ganhou um braço dedicado à contratação de mecânicos, o aplicativo Emprega Mecânico, que conecta oficinas e centros de reparos automotivos a uma base de profissionais do setor.

Nos últimos dois anos, foram mais de 500 alunos contratados por intermédio do aplicativo. O bom resultado também ficou ainda mais evidente com a pandemia: de todas as vagas cadastradas no primeiro semestre de 2021, 30% já foram preenchidas.

Há cinco anos, a empresa passou a atuar também no modelo de franquias. Ao todo, são dez escolas próprias e outras 27 unidades franqueadas, espalhadas por nove estados do país. A operação dobra de tamanho ano após ano e para 2021, a previsão é faturar 48 milhões de reais. Em 2023, a ambição é ter pelo menos 170 escolas abertas. "A meta é ousada, mas totalmente possível", diz a empreendedora.

Mercado em ascensão

A missão social da empresa, ligada à empregabilidade, chamou a atenção de Muhammad Yunus, banqueiro vencedor do Nobel da Paz e criador de um fundo social dedicado à oferta de crédito para pequenos empreendedores de países pobres — fundação que lhe rendeu o título de "pai do empreendedorismo social". Recentemente, a Escola do Mecânico recebeu um investimento de 1 milhão de reais do fundo social da instituição comandada pelo banqueiro.

"A nossa missão é, antes de tudo, social", diz. "É por isso que ter esse apoio financeiro é tão importante para chegar onde queremos chegar".

Por trás da ambição por crescimento da empresa estão alguns fatores que justificam o otimismo. Em 2020, a Escola do Mecânico cresceu embalada por um setor que, diferente de muitos outros, foi considerado como essencial na pandemia. "As oficinas não fecharam. A demanda por mecânicos, serviços e reparos só cresceu. Nosso mercado ficou aberto e ativo", diz.

Mesmo com a retomada das atividades presenciais, a expectativa é que os serviços oferecidos pela startup se tornem ainda mais relevantes, segundo Sandra. "Os carros voltaram a circular, temos veículos de aplicativos como nunca antes e serviços de manutenção, funilaria são necessários em qualquer lugar do país", diz.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Reparação de Veículos (Sindirepa), a demanda por técnicos em mecânica veicular deve crescer quase 20% até 20203, e cerca de 90% das vagas profissionais na área já são para o setor de reparação automotiva, foco dos cursos da startup.

Com o capital da Yunus, a startup vai investir em ações de marketing, canais de aquisição, na contratação de funcionários e na expansão para a Região Nordeste do país.

O foco, porém, está na criação de novos cursos de reparação automotiva. A primeira aposta está na expansão de cursos ligados a carros híbridos e elétricos. "Consideramos sim o futuro da mobilidade e, se queremos resolver o problema crônico de falta de mão de obra qualificada nas oficinas, precisamos olhar para a frente", diz.

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