Ela salvou o restaurante com redes sociais — e hoje fatura 3 vezes mais

Adriana Coutinho apostou em fotos sedutoras de comida e postagens afetivas para salvar restaurante por quilo. Agora, ensina celebridades a fazerem o mesmo

Adriana Coutinho sempre empreendeu — mas foi salvando um de seus negócios da falência que descobriu onde estava o verdadeiro empreendimento de sucesso para ela. Coutinho foi de sócia de farmácia e de restaurante para uma especialista em redes sociais. O estalo veio após salvar suas comidas por quilo por meio de fotos sedutoras e posts afetivos. 

Sua agência de redes sociais e produção audiovisual, chamada Acout, atende desde marcas como Arezzo até personalidades como a jogadora de vôlei Jaqueline Carvalho e a cantora Luísa Sonza. A Acout fatura 160 mil reais por mês — o triplo do que Coutinho ganhava nos melhores dias de seu espaço de comida por quilo.

A estratégia para salvar seu restaurante

Natural do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, Adriana Coutinho começou a empreender junto do marido ao cuidar da parte administrativa de uma farmácia. Porém, a entrada de grandes redes de drogarias acabou tornando o pequeno estabelecimento de bairro obsoleto. Pensando em como continuar a empreender, os dois abriram um restaurante por quilo em 2001, no bairro paulistano da Vila Olímpia.

“Estudei onde tinha um bom movimento de funcionários que almoçam na região todos os dias. Nossa comida caseira e saudável fez a gente se diferencial na Vila Olímpia”, afirma Coutinho. O restaurante tinha um volume diário de 450 refeições e os sócios se preocupavam mais com ambiente, atendimento e comida do que com marketing.

Foi assim durante oito anos. Até que um shopping center foi inaugurado a dois quarteirões do restaurante. Nos dias seguintes, o movimento caiu 60%. O restaurante fechou o primeiro mês pós-shopping com uma média de 210 refeições diárias. “Antes, o restaurante lotava e nunca havia me preocupado com campanha ou promoção. Naquele momento, achei que iria quebrar e passei a pensar em estratégias para atrair clientes”, diz Coutinho.

A empreendedora tentou baixar o preço, buscar parcerias com empresas da região e organizar promoções para o happy hour. O movimento aumentar por volta de 10%, o que não resolvia sua situação. 

Continuando suas pesquisas, Coutinho descobriu que a rede social Facebook era usada não apenas por pessoas, mas por empresas. Porém, as postagens eram tediosas e apenas replicavam anúncios de revista ou televisão. “Era algo impessoal. Criei uma página, estudei fotografia e tentei criar postagens que fizessem as pessoas de fato sentirem vontade de provar minha comida.”

Coutinho tirava todos os dias uma foto do prato mais sedutor que havia cozinhado e as vendia nas postagens de forma afetiva, como “comidas de avó”. Publicava pouco antes do almoço e percebeu como os clientes chegavam perguntando do prato, fosse ele uma sopa de ervilha ou uma torta de morango.

A empreendedora começou a impulsionar alguns posts, mas a maioria do alcance foi orgânico. Também respondia todos os comentários com uma mensagem diferente e fazendo menção a visitas anteriores do usuário no restaurante, sem copiar e colar textos. “Foi muito eficiente. Em três meses, voltei ao patamar pré-shopping e com clientes muito mais apaixonados”, diz Coutinho.

A virada para as redes sociais

O restaurante ia bem, mas a rotina era estressante e manter as margens de um negócio de alimentação é um desafio comum do setor. Por isso, Coutinho e o marido aceitaram uma proposta e venderam o estabelecimento em 2011. 

Na festa de despedida, uma surpresa: a empreendedora saiu com oito contas de restaurantes na Vila Olímpia, que queriam melhorar suas redes sociais. Esse foi o começo da empresa de gestão de mídias sociais e produção audiovisual Acout, na casa de Coutinho. 

O trabalho de fotos bonitas e legendas afetivas para restaurantes no Facebook foi feito por um ano. De indicação para indicação, Coutinho expandiu para outras redes (como Instagram e YouTube) e para além dos restaurantes (atendendo atletas, marcas e personalidades do entretenimento).

O escritório da Acout hoje tem 20 funcionários e está na frente da sede do Instagram, no bairro paulistano Itaim Bibi (próximo à Vila Olímpia). A empresa tem mais de 30 assessorados de grande porte, como a marca de acessórios e calçados Arezzo; as cantoras Cleo e Luísa Sonza e a Banda Eva; as personalidades do esporte Bia e Branca (nado sincronizado) e Jaqueline Carvalho (vôlei).

A Acout cria um grupo de WhatsApp com cada assessorado e envia orientações sobre qual foto poderia viralizar mais no Instagram e como gravar um bom stories. Por exemplo, aproveitar a luz natural de uma janela e dar bom dia aos seguidores. Há um time de redatores e designers para dar suporte às postagens e a empresa realiza reuniões mensais para apresentar relatórios das métricas de engajamento.

Para o futuro, projeta chegar a 50 funcionários fazendo a curadoria de redes sociais de 100 assessorados. “Cheguei a um negócio que atende meus três pilares: me divertir, ajudar as pessoas e ganhar dinheiro”, diz a empreendedora. A Acout fatura 160 mil reais por mês — três vezes mais do que o visto no restaurante por quilo. E sem ameaças de um novo shopping center.

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