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Com GPA de volta, Rappi dá mais um passo no plano de ser "super app"

O Grupo Pão de Açúcar anunciou que vai deixar de operar com exclusividade com o seu aplicativo próprio, o James Delivery

Rappi: a empresa colombiana quer ser um super aplicativo na América Latina, seguindo os moldes das chinesas WeChat e AliPay (Germano Lüders/Exame)

Rappi: a empresa colombiana quer ser um super aplicativo na América Latina, seguindo os moldes das chinesas WeChat e AliPay (Germano Lüders/Exame)

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Carolina Ingizza

Publicado em 5 de março de 2021 às 16h50.

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) surpreendeu no final de fevereiro ao anunciar que não iria mais usar somente seu aplicativo de entregas, o James Delivery, para chegar até o cliente final. A decisão da empresa beneficiou a empresa colombiana Rappi, que fechou um contrato para voltar a vender os produtos do grupo na sua plataforma.

Segundo Ana Bogus, diretora global de Supermercados, Farmácias e Bebidas do Rappi, a meta é cobrir toda a rede do GPA em até dois meses. “Com o retorno deles, melhoramos ainda mais nossa oferta no aplicativo nas principais cidades brasileiras onde o GPA atua”, afirma a diretora.

A parceria dá direito a operar com as marcas Extra, Pão de Açúcar e Minuto. Só nos primeiros dez dias, as empresas já lançaram a operação conjunta em São Paulo, Recife e Fortaleza e devem chegar a pelo menos mais cinco cidades nas próximas duas semanas. Para atender essas oito regiões, a Rappi está contratando 300 shoppers — os profissionais responsáveis por selecionar os produtos dos clientes dentro dos supermercados.

Para a Rappi, ter um grupo de abrangência nacional dentro do aplicativo é uma boa vantagem competitiva na vertical de supermercado, que disputa espaço com players como iFood e B2W. “Com a chegada do principal varejista do continente ao app vem também um tráfego orgânico de clientes bastante fiéis às bandeiras do GPA, como Pão de Açúcar e Extra, que passarão a ter com o Rappi mais uma opção para receber os produtos de suas lojas favoritas”, diz Bogus.

Fortalecer a vertical de supermercados é um dos planos da empresa colombiana, fundada em 2015, para se consolidar como um super aplicativo latino-americano. O conceito, popularizado pelas grandes companhias chinesas WeChat e AliPay, consiste em reunir em um lugar só os programas usados com muita frequência pelos usuários, como os apps de mensagem, com os abertos esporadicamente, como o de lojas online.

A pandemia deu um empurrão nos planos. Segundo a companhia, 71% dos usuários já compram produtos em mais de uma  das verticais (restaurante, supermercado, varejo). A alta recorrência de compras também estimulou o crescimento do Prime, serviço de assinatura que garante frete grátis nas entregas, que triplicou o número de assinantes de fevereiro de 2019 a 2021. 

Além disso, só a frente de supermercados, farmácias e bebidas cresceu 80% desde março do ano passado, quando as recomendações de isolamento começaram. Mas para o Rappi, ainda é só o começo. "Temos um potencial gigante de crescimento na América Latina, onde a penetração do e-commerce no varejo alimentar é de 0,5% em um mercado de 450 bilhões de dólares. Tem espaço para gente buscar os usuários que ainda não entraram no digital", afirma Bogus. 

Segundo a diretora, para isso, é necessário ajudar os consumidores menos familiarizados com tecnologia a usar o aplicativo, assim como mostrar aos usuários frequentes do delivery de refeições que é possível ter boas experiências com entregas de supermercado. "Não abrimos nossas metas, mas queremos chegar no final do ano com muito mais penetração nas entregas do varejo alimentar brasileiro." 

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