Clube do livro TAG fatura R$ 36 milhões e mira mundo corporativo

Clube tem conversado com empresas interessadas em um produto voltado para formação de lideranças; meta é terminar 2020 com 60 mil assinantes

Em um país com poucos leitores, o clube do livro TAG não tem do que reclamar. A empresa fechou 2019 com 50 mil assinantes e faturamento de 36 milhões de reais — crescimento de 38% em relação a 2018. “Sempre quisemos chegar a 50 mil assinantes e não sabíamos se seria possível”, diz Arthur Dambros, um dos fundadores.

Fundada em 2014, a empresa começou com uma proposta simples: enviar um livro diferente todo mês para a casa do assinante. De lá para cá, algumas novidades surgiram. Uma delas foi o clube Inéditos, focado em best-sellers internacionais ainda sem edição no Brasil.

No final de 2019, a empresa também lançou o Cabeceira, um aplicativo de gestão de leitura, que é gratuito e pode ser usado inclusive por quem não é assinante do clube. “Percebemos que havia uma comunidade que acompanhava o TAG mas não era assinante e criamos esse produto, que gera um engajamento de leitura”, diz.

Outro produto iniciado no ano passado e que deve ganhar corpo agora são os podcasts, com discussões sobre as obras lidas no clube. “A ideia do podcast é que o contato com livro não termina na última página”, diz Dambros.

Para 2020, a meta é chegar a um faturamento de cerca de 45 milhões de reais, e 60 mil assinantes. Um dos planos é colocar para rodar um clube focado no mundo corporativo. “Temos tido contato com empresas interessadas em um clube voltado para a formação de lideranças, usando o livro como ferramenta de desenvolvimento”, afirma.

A TAG também deve avançar esse ano no desenvolvimento de sua presença no mundo físico. No ano passado, o clube esteve presente na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Em fevereiro, iniciou uma parceria com a Livraria da Vila, com um espaço dentro da loja para seus kits. Em 2020, a ideia é repetir a experiência na Flip e pensar outros formatos para se aproximar do público leitor fora do mundo virtual.

Outro objetivo é desenhar a internacionalização do clube, um projeto que deve começar a ganhar corpo agora. A ideia ainda está em estágio inicial, mas a prioridade deve ser para expandir pela América Latina.

Para dar conta dos projetos, a empresa, que chegou até aqui com capital próprio, estuda levantar investimento. “Chegamos até aqui com nossas próprias pernas, agora consideramos um investimento para conseguirmos alçar voos mais altos”, afirma.

O desafio é dar conta de todos esses projetos mantendo a qualidade no negócio principal, que é clube do livro. Para isso, a TAG vai precisar de organização interna e foco. Outro desafio depende de uma ajuda de fora. O mercado editorial tem vivido tempos difíceis em meio à crise econômica.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.