Após cair 80% na pandemia, rede de cafés se reinventa e fatura R$ 42 mi

Para enfrentar pandemia, rede de cafeterias, que conta com 150 unidades, suspendeu royalties e renegociou custos para os franqueados
Rafael Naves, fundador da Duckbill: meta é atingir R$ 100 mi esse ano, apesar do cenário econômico adverso (Exame/Divulgação)
Rafael Naves, fundador da Duckbill: meta é atingir R$ 100 mi esse ano, apesar do cenário econômico adverso (Exame/Divulgação)
Por Luciana LimaPublicado em 24/03/2022 08:00 | Última atualização em 24/03/2022 09:56Tempo de Leitura: 3 min de leitura

A pandemia de coronavírus foi um baque para muitos negócios, especialmente para bares e restaurantes que ficaram fechados meses a fio. E não foi diferente para Duckbill, franquia de cafeterias, que conta com 150 lojas em funcionamento. 

“Foi um momento muito desafiador, tínhamos muitas lojas vendidas e tivemos que paralisar projetos de inauguração. Nos três primeiros meses de pandemia nosso faturamento caiu 80%”, diz Rafael Naves, fundador da Duckbill. 

Na época, o empreendedor teve de zerar os royalties pagos pelos franqueados e colocar a equipe para negociar com fornecedores e donos de imóveis para que as lojas da rede sobrevivessem.

E, assim como outros negócios, o delivery passou a ser prioridade. Por meio de uma parceria com o Ifood, todas as unidades da Duckbill começaram a fazer entregas e drive-thru. Como resultado, os pedidos via esses canais saíram de 5 mil para 70 mil por mês. 

“Hoje, 30% do faturamento já vem exclusivamente via delivery. A rapidez com que implementamos as mudanças foi essencial para aliviar o impacto. Com isso, no final de 2020 já havíamos retomado o patamar pré-pandemia”, afirma Naves. 

Mercado fitness e planos para o futuro 

A primeira unidade da Duckbill foi inaugurada em 2016, em Franca, interior do estado de São Paulo. A ideia surgiu após Naves realizar um curso de barista e se apaixonar pelo mundo dos cafés. 

“Na época, eu fazia um MBA e um professor me perguntou qual seria o diferencial do negócio. Eu tinha conhecido a Levain Bakery quando viajei para Nova Iorque e pensei: é isso, vou apostar em uma Cookie Shop”. 

Depois de testar mais de 40 receitas diferentes, Naves chegou à fórmula que a Duckbill possui hoje. A loja instagramável, inspirada em modelos como o Starbucks, atraiu a atenção das pessoas da região e, ainda no primeiro ano, o empreendedor faturou R$ 60 mil. 

Em 2018, entraram para o ramo de franquias e, desde então, a rede se espalhou por todo o Brasil. Atualmente, o único estado que não possui uma loja da Duckbill é Roraima. Só no ano passado, foram abertas 110 novas unidades e a Duckbill faturou R$ 42 milhões. Até o final do ano, outras 85 novas franquias devem ser inauguradas. 

Até dezembro deste ano, Naves também tem uma meta ambiciosa: dobrar o faturamento, atingindo R$ 100 milhões. Entre as apostas da rede estão uma nova linha de produtos fitness, que incluem chás termogênicos e cookies low carb, e opções inusitadas como chás com colágeno. Além disso, recentemente, assinaram um contrato com o ator Caio Castro para fortalecer a marca. 

O empreendedor, porém, admite que o cenário macroeconômico do país pode atrapalhar os planos para o futuro. “Com a inflação em alta, um dos meus maiores desafios, hoje, é manter os custos operacionais e as margens de lucro para os meus franqueados”, diz. 

“O primeiro reflexo que já tivemos, com a alta das commodities, foi o aumento do preço de ingredientes como a farinha. Então, voltamos a negociar com os fornecedores. Antes, brigávamos para reduzir os custos, hoje o foco é não ter aumento”, finaliza.