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Pix ficará de fora da Black Friday nas principais redes de varejo do país

Mercado Livre, Magalu, B2W e Via Varejo não utilizarão o novo sistema de pagamentos instantâneos; sistema poderia agilizar envios e reduzir custos

 (Busakorn Pongparnit/Getty Images)

(Busakorn Pongparnit/Getty Images)

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Gabriel Rubinsteinn

26 de novembro de 2020, 14h58

Lançado no início de novembro, o Pix oferece uma série de vantagens para a realização de operações financeiras, especialmente em relação à agilidade e baixo custo das transações. Mas o novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central vai ficar de fora da Black Friday, ou, ao menos, de fora da Black Friday das maiores redes de varejo do país.

O uso do Pix para pagamentos de compras online poderia oferecer vantagens logísticas para as empresas, já que os pagamentos pelo sistema são aprovados rapidamente, e também de custos, pois além de evitar fraudes com cartões, o Pix não depende de intermediários para processar as operações.

Mesmo assim, as maiores redes de varejo do Brasil, como Magazine Luiza, MercadoLivre, B2W (Americanas, Submarino e Shoptime) e Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio), não oferecerão aos seus clientes nenhuma forma de pagamento utilizando o Pix.

Empresas do mesmo grupo de algumas desses redes, como Ame (B2W) e Mercado Pago (Mercado Livre), no entanto, não apenas utilizam o Pix em suas carteiras digitais, como oferecem o uso do sistema para seus clientes — mas não nas lojas da própria companhia. "A chegada do Pix com certeza causará impactos na logística, que serão muito positivos ao consumidor. Com a aprovação do pagamento quase que instantânea, o fluxo de estoque do lojista fica muito mais dinâmico e ágil, já que o fornecedor não precisa reservar o produto até uma compensação do pagamento, que muitas vezes não acontece, como no caso de pagamentos por boleto. Assim, ao processar uma venda com o Pix, o lojista pode começar os procedimentos de envio quase que imediatamente", disse Rodrigo Furiato, Diretor de Carteira Digital do Mercado Pago, à EXAME.

Segundo Rodrigo, os usuários do Mercado Pago poderão utilizar o Pix para fazer pagamentos em compras nas lojas de seus parceiros comerciais, que utilizam a plataforma para processar os pagamentos — mas isso não inclui o Mercado Livre: "Neste primeiro momento, o Pix está disponível em frentes de negócios como as máquinas Point, Código QR, pela conta Mercado Pago e, nos próximos dias, para os links de pagamento e e-commerces que utilizam o checkout do Mercado Pago". Esta última opção, apesar de bastante comum em e-commerces, não é utilizada pelo Mercado Livre, que, apesar de pertencer ao mesmo grupo, possui um sistema próprio de checkout.

Por isso, o Mercado Livre não utilizará o Pix na Black Friday 2020 e, segundo a assessoria de imprensa da companhia, o "uso do sistema está previsto para o ano que vem". Já o Magazine Luiza, também através de sua assessoria, disse que o "Magalu ainda não vai utilizar a tecnologia nesta edição da Black Friday" e que "os projetos com a tecnologia serão divulgados futuramente". A Via Varejo informou que "não irá oferecer pagamentos com o Pix nesta Black Friday", mas ressalta que "usuários do banQi [carteira digital das Casas Bahia] já possuem o Pix disponível no app para cadastro e realização de transferências". A B2W preferiu não comentar o assunto.

O Banco Central, por sua vez, diz que o sistema poderia agilizar a entrega de mercadorias e promover uma gestão mais eficiente para as empresas: "Os comerciantes, pequenos ou grandes, que já se prepararam para receber com Pix, poderão disponibilizar aos clientes uma forma de pagamento muito simples e segura, e que tem a disponibilização imediata dos valores recebidos e a notificação instantânea do recebimento. As características do Pix potencializam a conversão e possibilitam a melhor gestão do estoque, pois impede casos em que o produto fica retido por mais de um dia aguardando confirmação do pagamento, e o envio mais célere dos produtos".

Além disso, a instituição afirma que o Pix já está totalmente habilitado para uso por Pessoas Jurídicas, ressaltando que fez diversas participações públicas para auxiliar o varejo a adotar o sistema e que tecnicamente não existem impeditivos para sua adoção: "O uso do Pix para pagamento de compras na Black Friday depende dos varejistas já aceitarem esse método de pagamento e da população escolher este método de pagamento. Não há como prever se haverá um movimento de intensificação já na Black Friday, uma vez que o lançamento do Pix é bastante recente. Mas, se houver, o ecossistema está preparado para lidar com um volume mais elevado”.

O Pix poderia ser utilizado pelas redes de varejo como alternativa aos boletos, através dos QR Codes Dinâmicos, em que o sistema gera um código QR exclusivo, com valor pré-estabelecido e que funciona para apenas uma transação. Neste caso, a vantagem é a compensação instantânea do pagamento, que pode agilizar o envio da mercadoria, e a redução dos custos, já que não seria necessário ter uma instituição financeira intermediando a operação, como acontece com os boletos, que são emitidos pelos bancos.

A alternativa, entretanto, parece não ter caído nas graças das grandes redes de varejo e, assim, consumidores que fizerem compras nessas lojas durante a Black Friday deverão utilizar os métodos de pagamento tradicionais, mais lentos e, para os próprios lojistas, também mais caros.

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