Lucas Schoch: 'CBDCs são a minha aposta para o mercado cripto em 2021'

CEO de uma das startups em blockchain que mais cresceu no Brasil em 2020, Schoch destaca moedas digitais de bancos centrais para 2021
 (Bitfy/Divulgação)
(Bitfy/Divulgação)
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Gabriel RubinsteinnPublicado em 29/12/2020 às 15:14.

Criada em dezembro de 2019, a Bitfy é uma das startups em blockchain que mais cresceu no Brasil em 2020. A carteira de bitcoin, que pretende facilitar o uso do criptoativo para compra de produtos e serviços, foi criada e é comandada por Lucas Schoch.

Schoch sempre trabalhou com desenvolvimento de software e em 2017 se envolveu no mercado de criptoativos. Como um dos jovens empreendedores de destaque no cenário cripto nacional, conversou com a EXAME para falar sobre o futuro do setor.

Em mais uma entrevista do especial "Perspectivas 2021", Lucas mostra sua visão para o mercado cripto no ano que vem. Confira sua análise:

Future of Money: Qual é sua perspectiva para o mercado cripto em 2021?
Lucas Schoch: 
Assim como 2020, 2021 será um ano de alta, sem dúvidas.

FoM: Qual será a altcoin de maior destaque em 2021? Por quê?
LS: 
Praticamente impossível responder essa pergunta. A altcoin com maior destaque pode nem estar disponível ainda. Acredito que a Ripple (XRP) conseguindo algum contrato grande para ser o blockchain de uma Central Bank Digital Currency, pode ser uma aposta simpática. Altcoins com utilidade de interoperabilidade entre blockchains tem em sua tecnologia meus olhos também.

FoM: Qual a melhor notícia que pode surgir para o bitcoin e para as criptos de modo geral em 2021?
LS:
 "Bitcoin substitui o dólar nos pares de negociações das bolsas de valores asiáticas" (risos). Fora essa, muito pouco provável, as notícias favoráveis e prováveis do governo norte-americano perante as criptomoedas são uma bela aposta de abertura de mercado para fundos de investimentos continuarem aderindo a criptomoedas.

FoM: Qual a pior notícia que pode surgir para o bitcoin e para as criptos de modo geral em 2021?
LS:
 "Blockchain do bitcoin foi hackeado". Brincadeiras à parte, não vejo grandes problemas à vista para o mundo das criptomoedas. Algumas altcoins mais recentes devem substituir outras mais antigas em projetos já existentes e forks e atualizações devem tornar os produtos que usam a tecnologia por trás desse mundo econômico mais atualizados e com diferentes possibilidades. Isso causará diferentes desvalorizações, muito mais em altcoins do que com o bitcoin em si.

FoM: Qual aplicação em blockchain se tornará mais popular no ano que vem?
LS:
As Central Bank Digital Currencies [CBDCs] são a minha aposta.

FoM: Qual startup blockchain brasileira tem maior potencial de inovação e impacto no mercado para 2021?
LS:
Bitfy, certamente (risos). Lançamos nosso produto em plena pandemia e, em menos de um ano, já ultrapassamos o break even, com mais de R$ 25 milhões em transações no aplicativo. Só no último trimestre, crescemos 40% a cada mês. Atualmente, a carteira possui 30 mil usuários cadastrados e a expectativa é chegar a 100 mil até o final do primeiro quadrimestre de 2021.

FoM: O que passou despercebido para a maioria no mercado cripto em 2020?
LS:
Apesar de muito ter sido dito na época, o halving do bitcoin nunca havia acompanhado uma abertura forte de mercado. Sem dúvidas, as pessoas não correlacionaram o potencial desse evento com a magnitude dos investidores e empresas que passaram a utilizar criptomoedas.

FoM: Qual será o preço do bitcoin em dezembro de 2021?
LS:
Absolutamente impossível responder essa questão, e por isso que é tão interessante. Seguindo a ideia de dar um “chute”, o meu palpite é 250 mil reais.

A série de entrevistas "Perspectivas 2021", publicada pelo Future of Money, da EXAME, pretende mostrar as opiniões de nomes relevantes do mercado, do Brasil e de outros países, para ajudar a traçar um panorama sobre o que esperar do mercado de criptoativos no ano que vem. Para ver todas as entrevistas já publicadas, clique aqui.