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Volkswagen prevê expansão do mercado em 2021, mas alerta para riscos

Apesar da projeção de crescimento, a montadora vê aumento de custos como um obstáculo para a plena recuperação do setor

Volkswagen Nivus: estratégia com foco em SUVs (Volkswagen/Divulgação)

Volkswagen Nivus: estratégia com foco em SUVs (Volkswagen/Divulgação)

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Juliana Estigarribia

9 de dezembro de 2020, 12h59

A Volkswagen projeta um crescimento aproximado de 20% do mercado brasileiro em 2021, para um volume entre 2,3 milhões e 2,4 milhões de unidades. No entanto, a montadora alerta para o aumento dos custos na indústria, o que pode atrapalhar a recuperação plena do setor.

"Haverá uma pressão de custos muito grande na cadeia produtiva como um todo. Nosso planejamento é para um mercado de 2,4 milhões de unidades, mas estaremos prontos para desacelerar um pouco se for preciso", disse Pablo Di Si, presidente da montadora no Brasil, em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira, 09.

Ele citou o aumento do aço e de outras commodities como a principal pressão sobre a indústria atualmente, o que deve persistir no ano que vem. A valorização do dólar, segundo o executivo, faz parte dessa conjuntura.

"A pressão cambial tem sido difícil nos últimos meses. Temos projeto de nacionalizar ainda mais peças na produção do Brasil e da Argentina nos próximos 2 ou 3 anos."

Di Si afirma que a montadora esperava enfrentar problema de falta de peças entre junho e julho deste ano, logo quando as linhas de produção de veículos retomaram as atividades em meio à pandemia. "A cadeia respondeu muito bem."

No entanto, ele destaca que a indústria deve continuar com problemas pontuais pelo menos nos próximos 40 dias. "Podemos até ter algum dia de parada na indústria em dezembro por falta de peças, a cadeia de produção é muito longa e deve levar um tempo para se estabilizar."

Diante deste cenário, o executivo acredita que o repasse de custos no produto final deve ser inevitável. "Isso pode afetar o mercado como um todo."

Apostas

A Volkswagen sustentou ao longo de 2020 o posto de segunda maior montadora do mercado e está muito próxima da líder General Motors: apenas 0,4 ponto percentual separa as duas empresas. No entanto, Di Si evita falar sobre liderança.

"Liderança nunca foi um objetivo único, queremos que nosso desempenho seja sustentável, com rentabilidade."

Para tanto, a montadora aposta principalmente em uma linha completa de SUVs. O segmento é o que mais cresce no Brasil. Segundo Di Si, hoje os utilitários esportivos representam cerca de 24% das vendas totais de automóveis no país, mas podem chegar a 35%.

Neste sentido, a marca realizou 3 lançamentos importantes desde o ano passado: o T-Cross, que chegou a liderar o mercado brasileiro em julho de 2020 e hoje está entre os 10 mais vendidos do país; o Nivus e mais recentemente o Taos.

Além disso, a montadora prevê ampliar a oferta de elétricos e híbridos na América Latina: são cinco no total para os próximos anos.

Nesta quarta-feira, a Volks anunciou ainda o lançamento da loja online da marca, a VW e-store. Por meio da plataforma, o cliente poderá escolher a concessionária de sua preferência, configurar qualquer modelo, simular e consultar o crédito pré-aprovado junto ao Volkswagen Financial Services.

Ao final do processo, mediante um pagamento de sinal, o consumidor pode concluir a compra do automóvel diretamente do estoque do concessionário. O site estará disponível no próximo dia 11 de dezembro.

"No final de 2017, começo de 2018, nasceu a estratégia digital completa da Volkswagen. Trata-se de uma jornada que começou lá atrás", afirma Di Si.

Ainda recentemente, a montadora estreou no negócio de carros por assinatura, uma tendência que vem crescendo no mercado brasileiro. "Esta é mais uma ferramenta para o consumidor. Ele pode comprar o carro, alugar, ir a concessionária, acessar a loja online. Vamos dar várias opções para o cliente."