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Volkswagen Caminhões anuncia contratações e vai investir R$ 2 bilhões

O foco da montadora para o ciclo de 2021 a 2025 será principalmente o desenvolvimento local de tecnologias de eficiência energética e veículos elétricos

Linha de produção da Volkswagen Caminhões em Resede, no Rio: 550 novos funcionários (Volkswagen Caminhões e Ônibus/Divulgação)

Linha de produção da Volkswagen Caminhões em Resede, no Rio: 550 novos funcionários (Volkswagen Caminhões e Ônibus/Divulgação)

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Juliana Estigarribia

10 de dezembro de 2020, 12h56

A Volkswagen Caminhões e Ônibus, do grupo Traton, anunciou nesta quinta-feira, 10, um novo ciclo de investimentos no Brasil de 2 bilhões de reais entre 2021 e 2025. Grande parte desse montante deverá ser aplicado no desenvolvimento local de novas tecnologias de propulsão, principalmente veículos elétricos.

"O Brasil sofreu muito nos últimos anos, mas a demanda está voltando e vai haver renovação da frota. Em condições normais, o mercado brasileiro, mesmo com a crise, ainda é o maior para o grupo Traton no mundo", afirma Roberto Cortes, presidente da montadora, em entrevista à EXAME.

De acordo com o executivo, este é o maior investimento já realizado pela companhia na região. "O montante cresceu porque toda nossa engenharia está aqui, diferentemente de outras montadoras nossa pesquisa e desenvolvimento é feita no Brasil", acrescenta.

O aporte contempla basicamente as áreas de mobilidade sustentável, com melhoria da eficiência energética e redução das emissões de CO2; o desenvolvimento de veículos de propulsão elétrica e a melhoria contínua dos produtos da marca.

Como parte do novo ciclo de investimentos, a montadora também anunciou a contratação de 550 funcionários no complexo fabril de Resende, no Rio de Janeiro. Cerca de 110 serão destinados à linha do novo modelo Meteor, mais 180 para um segundo turno e o restante para aumentar a produção das outras linhas de veículos atuais. 

A modernização da fábrica e o desenvolvimento de novos produtos serão importantes para a Volks avançar em um disputado mercado liderado pela Mercedes-Benz. Segundo Cortes, o plano inclui a entrada recente da marca Volkswagen no segmento extrapesado, voltado principalmente para exportações de commodities, com as linhas Constellation e Meteor. Além disso, a montadora deve preencher parte da lacuna deixada pela saída da Ford do negócio de caminhões com o Delivery 4x4 da categoria leve.

"Vamos aumentar o market share no país", garante. Neste ano, a Volks ganhou aproximadamente 2% de participação de mercado tanto em caminhões quanto em ônibus.

Potencial

Neste ano, em meio à pandemia, a Volks anunciou diversos contratos, entre eles o maior já fechado por uma montadora de caminhões no país com o grupo Vamos.

Cortes ressalta, entretanto, que não é possível afirmar que o ano foi bom para o setor. "Mas estamos melhor do que esperávamos."

Para 2021, a montadora trabalha com um crescimento de 3,5% do produto interno bruto no país. Agronegócio, construção civil, obras de infraestrutura e e-commerce são os setores que devem impulsionar a economia, na visão de Cortes. "Temos muitos motivos para acreditar que o mercado vai ter uma recuperação. Além disso, a renovação da frota é necessária e vai acontecer por muitos anos."

Como desafios, o executivo aponta as incertezas acerca da vacina da covid-19 e os riscos de novas ondas de contágio. "Mas é difícil imaginar que 2021 vai ser pior do que este ano." Adicionalmente, Cortes alerta para o aumento de custos na cadeia produtiva. 

"A cada dia, nos deparamos com algum tipo de falta de peças na cadeia. Temos um índice de nacionalização muito grande, mas nossos fornecedores importam materiais e têm sofrido muito com a questão da segunda onda de contágio da covid-19."

No entanto, o executivo se mantém otimista. "Em 2021, devemos ter uma retomada mais uniforme no setor de caminhões."