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'Você não pode deixar a paixão tomar conta': como Sérgio Sacani transformou audiência em negócio

No Startup Summit, em Florianópolis, Sérgio Sacani contou à EXAME como transformou uma audiência construída com divulgação científica em um negócio com cursos, pós-graduação e expedições

Sérgio Sacani, do Space Today: “Eu não comecei pensando em negócio em momento algum. Foi acontecendo naturalmente” (@greenfotografias)

Sérgio Sacani, do Space Today: “Eu não comecei pensando em negócio em momento algum. Foi acontecendo naturalmente” (@greenfotografias)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 27 de agosto de 2026 às 10h00.

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No primeiro dia do Startup Summit, em Florianópolis, Sérgio Sacani, do Space Today, apresentou nesta quarta-feira (26) a palestra “O triângulo do futuro: IA, terras raras e exploração lunar”, sobre como o avanço da inteligência artificial, a disputa por minerais estratégicos e a exploração espacial estão conectados. Antes de subir ao palco, Sacani conversou com a EXAME sobre como transformou uma audiência construída a partir da paixão por astronomia em um negócio.

Formado em geologia, Sacani criou em 2009 o blog CiencTec, impulsionado por um interesse por astronomia que começou em 1985, com a passagem do Cometa Halley. O projeto cresceu, ganhou audiência e mudou de nome, tornando-se o Space Today. Com o tempo, o canal, que hoje soma mais de 2,3 milhões de inscritos, passou a atrair oportunidades comerciais e deu origem a outras frentes de negócio.

A transformação em empresa, segundo Sacani, não fazia parte dos planos. “Eu não comecei pensando em negócio em momento algum. Foi acontecendo naturalmente”, afirma.

A primeira oportunidade comercial surgiu quando uma empresa procurou o canal para patrocinar um conteúdo. Para emitir a nota fiscal referente ao trabalho, Sacani precisou abrir uma empresa. A partir daí, passou a buscar outros parceiros e patrocinadores. O que começou como uma necessidade para viabilizar um trabalho pontual ganhou novas frentes conforme a audiência aumentava.

Hoje, uma das principais frentes do negócio é a pós-graduação voltada à astronomia. Sacani afirma ter oito turmas ativas e cerca de 130 alunos. O modelo trouxe um componente importante para a operação: a receita recorrente, com pagamentos mensais feitos pelos alunos ao longo do curso.

A lógica passou a ser diversificar os produtos sem abandonar o tema que atraiu a audiência original. Além da pós-graduação, a empresa oferece cursos de astronomia e organiza expedições para pessoas interessadas em acompanhar fenômenos astronômicos.

Entre os projetos estão viagens para observar eclipses. Sacani já levou grupos ao exterior para acompanhar esses fenômenos e também prepara uma expedição no Brasil para acompanhar um eclipse lunar.

A diversificação também já passou por negócios que ficaram pelo caminho. Durante anos, Sacani manteve uma loja, mas decidiu encerrar a operação porque ela demandava muito trabalho. A lógica, porém, permaneceu: evitar que a receita dependa de uma única atividade.

“Se o curso não está bem em um determinado momento, tem outra parte que funciona. Se essa parte não está bem, tem o curso”, afirma.

Do conteúdo à receita recorrente

Produzir conteúdo por interesse pessoal envolve escolhas diferentes das necessárias para administrar uma empresa. Quando a audiência começa a gerar receita, entram na equação produtos, parceiros, pagamentos e custos. “Você não pode deixar a paixão tomar conta do negócio. Tem que ter um equilíbrio”, afirma.

O canal continua sendo o ponto de entrada para as demais atividades. O público conhece o conteúdo gratuito e, depois, uma parcela passa a consumir cursos, pós-graduação ou participar das expedições.

“O canal funciona como um topo do funil. O pessoal conhece, alguns gostam da área e começam a se interessar pelas demais frentes”, explica.

A estratégia permite construir diferentes produtos em torno de um mesmo público, sem abandonar o tema que deu origem à audiência. A astronomia, nesse modelo, funciona como o elo entre conteúdo, educação e experiências presenciais.

Divulgação científica como negócio

A expansão do negócio deve continuar de forma gradual, acompanhando o crescimento da audiência. Em vez de estabelecer uma meta agressiva de expansão, Sacani diz que a estratégia é avançar conforme novas pessoas entram no ecossistema criado a partir do canal.

Entre as próximas novidades está a publicação de um livro sobre astronomia ainda este ano. Ele também já trabalha em outro projeto editorial para 2027.

Apesar das possibilidades comerciais, empreender com divulgação científica no Brasil ainda é um desafio. Na avaliação de Sacani, existe resistência à ciência, o que torna a construção desse tipo de negócio mais difícil.

Ao mesmo tempo, é justamente o impacto sobre a audiência que, segundo ele, dá sentido ao trabalho. Sacani conta que recebe relatos de pessoas que passaram a estudar ou se interessar por ciência por influência de seus conteúdos.

Para o empreendedor, esse efeito mostra que a divulgação científica pode ir além da produção de conteúdo e criar uma comunidade em torno do conhecimento.

“Quanto mais divulgador científico tiver, mais incentivo e mais motivação a gente vai ter para a nova geração continuar estudando. Isso é importante para o país”, afirma.

Acompanhe tudo sobre:Startup Summit

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