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‘Vamos dobrar de tamanho até 2030’, diz CEO da Cacau Show, a caminho dos R$ 10 bilhões

Segundo Alê Costa, a empresa terá a melhor Páscoa da história neste ano, com produção de 25,5 milhões de unidades e 10.500 empregos temporários

Alê Costa, CEO da Cacau Show: “Vamos doar 80 toneladas de chocolate para 5 mil instituições do Brasil inteiro” (Leandro Fonseca/Exame)

Alê Costa, CEO da Cacau Show: “Vamos doar 80 toneladas de chocolate para 5 mil instituições do Brasil inteiro” (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 14h08.

Última atualização em 28 de janeiro de 2026 às 19h37.

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Em um cenário global pressionado pela alta do preço do cacau e por custos crescentes de produção, a Cacau Show entra em seu principal período comercial do ano como peça central de um projeto estratégico maior: dobrar de tamanho até 2030.

Em entrevista exclusiva à EXAME, Alê Costa, fundador e CEO da Cacau Show, afirma que a companhia trabalha com a meta de alcançar R$ 10 bilhões em faturamento no sell-in e cerca de R$ 20 bilhões no sell-out (consumo final) até o fim da década, considerando todas as frentes de negócios — fábrica, hotel e parque temático.

“Hoje, o grupo opera com faturamento anual na casa de R$ 5 bilhões no sell-in e quase R$ 9 bilhões no consumo final, considerando todos os seus negócios”, afirma o CEO.

A alavanca do negócio vem neste começo do ano. A Páscoa é o principal eixo do calendário comercial da empresa, concentrando cerca de 23% do faturamento anual.

“Esta será a Páscoa de maior volume da história da Cacau Show. Vamos produzir 25,5 milhões de ovos e, pelas nossas estimativas, já temos mais de 50% do mercado”, afirma Costa.

Ao todo, a empresa chega à temporada com 75 produtos, sendo 46 novidades, incluindo 19 itens licenciados, além da expansão de marcas próprias e do ecossistema de licenciamento da companhia.

“São 75 produtos ao todo e 46 novidades, dos quais 19 são com produtos licenciados. Então, nós temos 19 licenças entre as terceiras e as próprias”, diz o CEO.

Entre as parcerias estão marcas de forte apelo comercial, como Patrulha Canina e Harry Potter, além das propriedades intelectuais desenvolvidas internamente pela empresa, como Coelho Chefe, Bella’s, Chocomonstros, Chocobichos e laCreme — esta última, agora, também passando a ser licenciada para empresas de outros setores.

“A laCreme já começa a ser licenciada para terceiros. Isso é novidade. Criamos um departamento específico para levar nossas marcas para empresas de outros setores”, afirma Costa.

A projeção de desempenho também é positiva do ponto de vista econômico. A companhia estima crescimento nas vendas e geração de empregos temporários ao longo da temporada.
“Devemos crescer 13% em vendas em relação ao ano passado e gerar 10.500 empregos temporários neste período”, diz o CEO.

Atualmente, a empresa conta com cerca de 2 mil funcionários diretos na fábrica de Itu e 600 na fábrica de Linhares, além das equipes das lojas próprias e da rede de franqueados.

Produção antecipada e escala industrial

A operação da Páscoa começa muito antes do calendário comercial. A produção dos ovos e itens sazonais teve início em julho do ano passado e segue até março deste ano, em um ciclo contínuo de fabricação. No pico da operação, a capacidade industrial atinge escala de grande porte:

  • 2 toneladas de trufas por hora
  • 1 tonelada de ovos por hora no período da Páscoa
  • Produção média de 150 toneladas de chocolate por dia
  • Cerca de 40 linhas de produção em operação

A estratégia, segundo Costa, combina automação, eficiência industrial e manutenção de padrões de qualidade.

“Aqui a lógica é simples: qualidade e eficiência. Investimos em novas máquinas e tecnologia para oferecer ao consumidor o que outras marcas não conseguiram entregar nas últimas décadas”, afirma.

Preço, portfólio e perfil de consumo

Mesmo diante da inflação do cacau no mercado global, a empresa afirma que optou por preservar a qualidade dos produtos, mesmo com impacto direto nas margens.

“O ano passado foi de menor rentabilidade da história da empresa. A gente preferiu segurar a nossa margem do que mexer em qualidade”, diz o CEO.

A estratégia se reflete na diversidade de preços e no perfil amplo de consumo atendido pela companhia.

“O mix é amplo, com preço de entrada de R$ 9,99 e opções que chegam a R$ 1.000, como as grandes cestas. Temos também os produtos zero açúcar, zero lactose, zero glúten, kosher e veganos. Ou seja, é uma Páscoa para todo mundo”, afirma.

Doação de ovos e impacto social

Além da operação comercial, a Páscoa também terá uma das maiores ações sociais da história da empresa. A Cacau Show vai doar 80 toneladas de chocolate, por meio da distribuição de ovos em instituições sociais brasileiras, em uma ação articulada entre lojas e o Instituto Cacau Show.

“Vamos doar para 5 mil instituições do Brasil inteiro. As nossas lojas podem escolher uma instituição cada uma. E a outra parte, o Instituto Cacau Show, recebe a geração das instituições para a gente doar em todo o país”, diz o CEO.

Fábrica, hotel e parque: a empresa que quer dobrar de tamanho até 2030

Além da Páscoa, para dobrar de tamanho até 2030, Costa em outras datas como o Natal (que é o segundo evento que mais atrai vendas) e na expansão da companhia.  No varejo, a empresa prevê a abertura de cerca de 250 novas lojas por ano, com foco em uma expansão mais estratégica da rede.

“Ainda há espaço para a abertura de mais mil unidades no Brasil nos próximos anos”, diz o CEO.

O projeto do Cacau Park, que representa um investimento de cerca de R$ 2 bilhões, está em fase avançada de implantação. A previsão é que o complexo esteja preparado para receber o público a partir de dezembro de 2027 e gere cerca de 3 mil empregos diretos e até 10 mil indiretos na região.

A operação internacional existe, mas ainda é pontual. Atualmente, a Cacau Show exporta para os Estados Unidos e, em menor volume, para a Colômbia. Segundo o CEO, o foco estratégico permanece no mercado brasileiro.

“A prioridade estratégica permanece no mercado brasileiro, com foco na expansão da rede e no fortalecimento da operação doméstica”, diz o CEO, que sege otimista com o crescimento da empresa nos próximos anos.

“Não tem por que não acreditar, né? Acreditando, acordando cedo e trabalhando, chegaremos aonde queremos. Este é um ano da execução para nós”.

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