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“Uber do agronegócio”, empresa cria joint venture de R$ 500 milhões e leva modelo para mineração

Acordo entre a logtech Tmov e a Lenarge Transportes pretende acelerar digitalização dos negócios de transporte de cargas nos segmentos de mineração, siderurgia e construção civil

Marcio Afonso Moraes, da Lenarge Transportes, e Charlie-Conner, da Tmov: joint venture deve impulsionar novos negócios e criar novas fontes de receita (Tmov/Lenarge/Divulgação)

Marcio Afonso Moraes, da Lenarge Transportes, e Charlie-Conner, da Tmov: joint venture deve impulsionar novos negócios e criar novas fontes de receita (Tmov/Lenarge/Divulgação)

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Marcos Bonfim

10 de novembro de 2022, 14h22

Conhecida como “Uber do Agronegócio”, a logtech Tmov acaba de criar uma joint venture com a Lenarge, empresa que trabalha com transporte de carga no setor de mineração, siderurgia e construção civil.

O negócio em conjunto tem como objetivo levar a oferta de frete digital para este mercado, com grande representatividade no país e ainda carente de soluções que embarquem este tipo de produto.

Do lado lado da Tmov, que ficou com 51% da operação, o acordo destrava o acesso ao segmento para o qual já olhava há certo tempo. A empresa quer levar a sua plataforma de tecnologia e de serviços financeiros para atrair mais caminhoneiros e clientes embarcadores de cargas, o que contribui para que o negócio ganhe escala.

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A Lenarge, hoje com um modelo mais tradicional de subcontratação de caminhoneiros com receita de R$ 500 milhões por ano, poderá digitalizar a sua base e também oferecer as soluções da nova sócia para os seus clientes, entre os quais CSN, Votorantim, Gerdau e Usiminas.

A transportadora de Sabará, em Minas Gerais, tem um segundo braço de mercado, atuando com uma frota própria de aproximadamente 1000 caminhões e 1400 carretas. Esse pilar, responsável por outros R$ 500 milhões de faturamento, não entrou no acordo e continuará sendo gerido exclusivamente pela empresa.

Internamente, a joint venture está sendo chamada de LNT. Com a chegada do gestor da operação, ainda não nomeado, devem definir qual será o nome. O acordo já passou pela aprovação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). 

Como surgiu a joint venture

As negociações até a formalização do modelo duraram pouco mais de um ano. No início das conversas, a Tmov propôs que a Lenarge entrasse para o seu modelo de marketplace, lançado neste ano e a partir do qual caminhoneiros, transportadoras e donos de cargas podem realizar negociar serviços e valores.

Observando as transformações no mercado de transporte, a Lenarge acho que o formato não era o mais adequado e, entre idas e vindas, chegaram à joint venture.

“A Lenarge já pretendia investir em tecnologia para digitalizar e otimizar os seus processos”, afirma Márcio Afonso Moraes, diretor-presidente da Lenarge Transportes. “Vimos um potencial enorme de escalonar nossos serviços ao unirmos a tecnologia da Tmov”.

Com a parceria, a empresa projeta um crescimento de 30% em 2023 em relação a 2022, quando deve encerrar com R$ 1,2 bilhão de faturamento. A companhia ficou com 49% do negócio. 

Como funciona a Tmov

 A Tmov conecta uma base de 100 mil motoristas parceiros ativos mensalmente a mais de 900 clientes, como JBS, BRF, Cargill e Coopersucar. As companhias informam as cargas disponíveis e os motoristas podem aceitar fazer o frete e realizar todo o processo de documentação pela própria plataforma.

Isso inclui, por exemplo:

  • Gerenciamento de risco para validar as partes
  • Meios de pagamento homologado
  • Carteira digital
  • Seguro de carga

Como há mais vários clientes usando serviço e mais cargas para transportar, o modelo diminui as chances dos caminhões voltarem vazios. Esse é o principal negócio da empresa e representa cerca de 80% do faturamento.

Ao longo de 2022, a logtech criou também um marketplace em que os clientes podem negociar diretamente com as transportadoras e os caminhoneiros. O ecossistema ganhou força e já representa cerca de 20%.

Conectada às duas fontes de receitas, a Tmov tem investido em serviços complementares, como a TmovPay, conta digital onde os caminhoneiros recebem pelos seus fretes. E, também neste ano, lançou uma tag de pedágio digital pré-pago e um serviço de microcrédito para os motoristas.

“Absolutamente todas as dores são cobertas dentro da plataforma”, afirma Charlie Conner, CEO da Tmov. O executivo americano chegou ao Brasil em 2013 como líder do Arlon Group, fundo que entrou como investidor da empresa em 2016, então sob o nome de Sotran.

Onde a empresa quer chegar

Criada em 1985 como uma transportadora, a Tmov investiu para se tornar uma plataforma de tecnologia. Ao longo do tempo, Conner se “apaixonou” pelo setor, optou por se desligar do fundo e desde julho de 2019 lidera a operação.

Mal anunciou o acordo, o profissional mostra que está com apetite por novos setores. Ele conta que já tem algumas negociações estratégias em andamento e que a empresa está aberta a novas movimentações, sejam elas joint venture, aquisições ou franquias.

“Nós temos tentado ganhar corpo nessa estratégia de pegar um pedaço grande de agronegócio, pegar outro pedaço grande de mineração, siderurgia e materiais de construção agora e aí conseguir montar um ecossistema com R$ 5 bilhões, R$ 10 bilhões, R$ 20 bilhões de frete com a mesma plataforma”, diz.

Para 2022, a Tmov projeta um faturamento acima de R$ 2,5 bilhões, alta de 56% em comparação com 2021.

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