KondZilla durante palestra no Startup Summit, em Florianópolis, nesta quinta-feira (27): empreendedor contou como transformou a paixão pela música em um negócio de entretenimento (Startup Summit/Divulgação)
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Publicado em 27 de agosto de 2026 às 19h39.
Aos 11 anos, Konrad Dantas já queria trabalhar com música. O problema é que, segundo ele próprio, descobriu cedo que não seria um bom cantor. Porém, encontrou outra forma de participar daquele mercado: passou a gravar CDs, montar playlists e vender cópias de músicas de artistas de seu bairro.
O que ele enxergava como uma atividade quase improvisada acabou se tornando o primeiro passo para a criação da KondZilla, uma das principais produtoras de selo de funk do mundo, com 68,2 milhões de inscritos no YouTube.
A trajetória foi contada pelo empreendedor nesta quinta-feira (27), durante o Startup Summit, em Florianópolis (SC). Na palestra “Do zero ao milhão”, Dantas falou sobre os erros, mudanças de estratégia e decisões que ajudaram a transformar uma iniciativa voltada à divulgação de artistas em um negócio de entretenimento com atuação em música, audiovisual, publicidade e streaming.
No início, os CDs eram vendidos por cerca de R$ 5. Dantas conta que chegou a pensar que estava apenas pirateando músicas. Com o tempo, percebeu que também estava fazendo curadoria e ajudando a distribuir a produção cultural da periferia.
“Você só ganha dinheiro resolvendo o problema de alguém”, afirmou. Para ele, o ponto de virada veio quando deixou de procurar apenas uma forma de ganhar dinheiro e passou a identificar um problema que poderia resolver.O problema identificado por ele foi que muitos artistas tinham dificuldade para se vender. Ele dá o exemplo de um dos seus primeiros cases: MC Boy do Charmes, que vendia suas letras para grandes artistas, mas não consegui vender o seu show. A resolução: colocar o seu rosto em um vídeoclipe. O vídeo chegou a 1 milhão de visualizações em 26 dias.
No fim do vídeo, o empreendedor fez a sua aposta: colocar seu telefone no final da descrição. A estratégia chamou atenção de outros artistas. Entre eles, MC Guimê, que procurou Dantas para produzir um clipe.
A partir daí, o empreendedor percebeu que havia uma oportunidade maior na combinação entre produção audiovisual e distribuição. “A atividade meio era a produtora de audiovisual. A atividade fim era a distribuição”, explicou.
Com a evolução das plataformas digitais, a estratégia também precisou mudar. O negócio passou a considerar diferentes canais de distribuição, como YouTube e Spotify, além das transformações tecnológicas e regulatórias que afetavam o mercado musical.
Nem todas as decisões deram certo. Dantas contou que chegou a pensar em desistir quando teve dificuldades para pagar as contas. A decisão de voltar atrás e continuar testando veio de uma oportunidade de produzir um vídeo de Charlie Brown Jr.. "Me disseram que quando dissessem o nome da banda, eu falaria 'sim'", lembra.
Uma das principais lições que levou desse período foi a diferença entre experimentar e estruturar demais uma ideia antes de colocá-la em prática. “Tudo que eu fiz com medo, eu fiz dinheiro”, afirmou.
Para ele, empreendedores precisam testar ideias rapidamente, com baixo custo, antes de transformar uma iniciativa em um projeto maior. “Precisamos errar rápido, errar barato.”
A lógica passou a orientar também a forma como a KondZilla desenvolvia novos negócios. Ele desenhou um plano de carreira para a companhia e passou a dividir os problemas em etapas, pensando de trás para frente sobre onde queria chegar.
O seu objetivo era chegar no cinema, para isso estruturou o que precisaria fazer antes. Produção audiovisual, publicidade, conteúdos relacionados a comportamento e televisão.
A estratégia envolveu ampliar a atuação da empresa, passando pela produção audiovisual, televisão, publicidade e conteúdos relacionados a comportamento.
A expansão para o audiovisual levou a KondZilla a um dos projetos mais conhecidos da empresa: a série Sintonia, lançada pela Netflix.
Dantas contou que acreditava que a produção poderia mudar sua trajetória. A estratégia era combinar três universos capazes de alcançar públicos diferentes: música, crime e religião. A própria estrutura narrativa foi pensada para manter a atenção do espectador. A cada quatro minutos a história muda de núcleo, personagem ou universo.
A lógica tem relação direta com uma preocupação comum ao marketing digital: a retenção da audiência. “Quem trabalha com comunicação e marketing sabe que o tempo de retenção da pessoa é pequeno”, disse.
A série chegou a cinco temporadas e alcançou o primeiro lugar entre os conteúdos mais assistidos na Netflix no Brasil. A produção também virou longa-metragem neste ano.Agora, a KondZilla lança ainda em 2026 uma nova série para a Netflix, intitulada “Rauls”.
Outra frente destacada pelo empreendedor foi a educação. Ele pode realizar seu sonho de estudar em Havard e, ainda assim, refez o mesmo curso no Insper. Ele já fez cursos que passam pelas áreas de negócios, entretenimento e contabilidade. “Você estuda de novo porque não entendeu nada ou porque o mercado mudou”, afirmou.
A educação também ganhou uma frente própria com o Instituto KondZilla. A ONG já formou cerca de 2 mil de pessoas em cursos online e 200 presencialmente, com foco na capacitação de jovens para a economia criativa.