Tubaínas repudiam piada de Bolsonaro e pedem atenção ao setor

"Foi um comentário de mau gosto", diz presidente da entidade; setor pede fim de incentivos fiscais e tem dificuldade de acesso a crédito

A Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras), que representa empresas produtoras de refrigerantes locais, as chamadas tubaínas, repudiou a piada do presidente Jair Bolsonaro sobre o setor. “Foi um comentário de mau gosto, é o tipo de brincadeira que não cabe”, afirmou o presidente da entidade Fernando Bairros a EXAME.

Em entrevista ontem, Bolsonaro disse que “quem é de direta toma cloroquina; quem é de esquerda, tubaína”. A frase foi dita em comentário sobre a resistência à proposta de um protocolo do Ministério da Saúde para a prescrição de cloroquina a pacientes com o novo coronavírus.

A Afrebras representa mais de 100 indústrias de bebidas regionais no Brasil, entre as quais os produtores de tubaína. Para o Bairros, Bolsonaro deveria se dedicar aos problemas que dificultam a atuação das companhias representadas pela entidade. “Ele deveria enfrentar o problema histórico dos incentivos fiscais que temos no setor”, disse.

A Afrebras reivindica há anos uma revisão dos incentivos fiscais oferecidos a grandes produtoras de bebidas, que têm suas fábricas na Zona Franca de Manaus. O tema foi alvo de um decreto assinado em fevereiro que permite dobrar, entre junho e novembro deste ano, o valor do crédito tributário recebido por essas companhias. O incentivo irá de 4% para 8% sobre o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

“É um decreto que dá mais dinheiro para as grandes empresas numa época em que o país está passando por dificuldades. O governo deveria criar coragem, olhar para o setor e retirar esses benefícios que agravam a situação do país”, afirma Bairros. Dentre as empresas com produção na Zona Franca estão Coca-Cola e Ambev.

Segundo a entidade, o setor viu suas receitas reduzirem de forma drástica com a pandemia e trabalha com cerca de 60% de sua capacidade produtiva. Formada principalmente por pequenas e médias empresas, a categoria tem tido dificuldade de acesso a crédito e reivindica a postergação do pagamento de impostos estaduais devido à pandemia.

Protocolo da cloroquina

O presidente Jair Bolsonaro informou em entrevista ontem que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, assinaria hoje um novo protocolo sobre o uso da hidroxicloroquina no enfrentamento do novo coronavírus. Segundo o presidente, o protocolo vai prever que o remédio passe a ser indicado no início da doença.

O tema é controverso e gerou embates entre o presidente e os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. A aplicação da hidroxicloroquina em pacientes com covid-19 tem sido estudada, mas ainda não há conclusões sobre a eficácia do remédio.

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