Tem uma startup promissora? A cidade de Miami quer o seu negócio por lá

Empreendedores bem-sucedidos do Vale do Silício, como Peter Thiel (PayPal) e Elon Musk apostam na metrópole da Flórida para seus negócios. No pacote de atrações estão impostos baixos, pouca regulação e sol o ano todo

Os líderes empresariais americanos, liberados do escritório, analisaram os Estados Unidos, tomando nota de seus bloqueios de coronavírus, seus impostos e seus encrenqueiros. E muitos disseram, quase em uníssono: Miami!

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E o charmoso prefeito, Francis Suarez, sabendo que tinha um produto especialmente fácil de vender no momento, disse: bem-vindos.

Conforme os líderes tecnológicos iam deixando San Francisco e os titãs de Wall Street saíam de Nova York, muitos se espalharam pelo país rumo a locais ensolarados, com impostos mais baixos e, de preferência, bloqueios menos restritivos. Vindos de lugares administrados por governos progressistas que às vezes eram abertamente antagônicos em relação às elites locais, muitos estavam entusiasmados em se mudar para cidades que pareciam querê-los.

Alguns escolheram Austin, no Texas. Outros rumaram para Boulder, no Colorado. Mas talvez a facção mais ativa tenha vindo para Miami.

"Foi um momento de vitória. Ouviram uma autoridade eleita dizendo: 'Ei, queremos você. Gostamos de você.' Não percebi que o momento era tão sensível em relação à maneira como as pessoas achavam que estavam sendo tratadas pelo governo de onde viviam", declarou Suarez, de 43 anos, que assumiu a Prefeitura em 2017.

Dezenas de grandes nomes chegaram. Havia um contingente tecnológico: Keith Rabois, um dos fundadores e investidor do PayPal, e seu marido. Depois, seu amigo Peter Thiel, investidor de tecnologia e conhecido conservador. Jon Oringer, fundador do banco de fotografia Shutterstock, e o magnata da mídia Bryan Goldberg. Steven Galanis, chefe do produto de vídeo de celebridades Cameo, está aqui. Elon Musk está falando sobre a construção de túneis para carros sob Miami.

Há também fundos hedge e fundos de private equity. A Elliott Management de Paul Singer está mudando sua sede para a área de Miami, assim como a empresa de Carl Icahn, a Icahn Enterprises. Outras estão abrindo grandes escritórios na cidade, como a Citadel, de Kenneth Griffin, além da Blackstone. O Goldman Sachs está avaliando a mudança de partes de sua operação para Miami.

Pessoas ricas sempre se mudaram para Miami para desfrutar de sua riqueza e do mar. Não está claro se esses recém-chegados são apenas a última geração a fazer isso ou se realmente construirão novas empresas na cidade.

Mas isso não impediu que comemorações de boas-vindas da Miami Tech fossem promovidas semanalmente em um bistrô ao ar livre, onde geralmente 25 ou 30 pessoas se reúnem. Há grupos crescentes no WhatsApp e no Telegram para organizar atividades entre os 300 recém-chegados da tecnologia. Todo sábado, eles andam de bicicleta. Partidas de tênis são jogadas na quinta-feira. Há grandes festas elegantes.

Os recém-chegados fazem manifestações públicas. Parece que nenhum líder empresarial pode se mudar para a cidade sem uma.

"Reconhecemos os dons naturais incríveis e únicos que Deus e a geologia concederam à Califórnia, mas já foi o suficiente. Certamente, esperamos – aliás, rezamos para isso – que a Califórnia tome medidas para remediar a desastrosa situação política autoinfligida e restaurar seu antigo brilho e sua qualidade de vida, mas por enquanto estamos votando mal", escreveu David Blumberg, capitalista de risco que dirige a Blumberg Capital e se mudou de San Francisco para Miami em novembro.

Ilha Hibiscus

Alex Merutka, fundador da Craftsman+, empresa de automação de marketing, estava entre a quarentena em San Francisco e a casa de sua mãe em San Diego, prestes a se mudar para Los Angeles, quando recebeu a ligação de amigos no ano passado falando de Miami. "Eles disseram: 'Venha para Miami. Há algo realmente especial acontecendo aqui'", contou ele. E assim foi.

Em uma manhã recente, Merutka, de 29 anos, tomava um smoothie na piscina de sua nova casa alugada. Ao lado, o amigo com quem divide o imóvel estava no meio de uma sessão de boxe com um personal trainer.

A casa fica na Ilha Hibiscus, onde Merutka e seus amigos de tecnologia e finanças formaram um pequeno complexo. Há cinco deles morando na casa em frente e mais cinco em outra no fim da rua. A maioria tem cerca de 30 anos. Um grupo de amigas tem a própria casa.

"Vemos esse lance de todos se mudando para Miami ao mesmo tempo, e é como se fôssemos calouros da faculdade novamente. Todos que vieram para cá não queriam ficar sozinhos; ninguém quer ficar em quarentena sozinho. Portanto, apertamos o botão de reset para o modo de vida que queríamos", disse Merutka.

Merutka não fica na cidade durante o Inverno. Está se estabelecendo e comprando uma casa. Além disso, está fazendo aulas de espanhol e começou a praticar paddleboard.

Sua startup também está crescendo. No início da pandemia, a Craftsman+ perdeu todos os seus clientes de viagem, incluindo a Expedia. Mas a empresa começou a concentrar seus serviços nos videogames. A receita dobrou. Merutka passou de dez empregados para 25.

Um prefeito pró-negócios

A primeira coisa que as pessoas do setor de tecnologia me perguntavam era: 'Você conheceu o prefeito?' Todos eles o tinham conhecido.

"Você tem um prefeito pró-negócios aqui, e isso faz uma grande diferença", afirmou Jay Levy, de 40 anos, capitalista de risco nascido em Miami que trabalha na Zelkova Ventures e que deixou Nova York durante a pandemia.

Ele disse que começou a pensar em se mudar depois que uma reação política impediu a Amazon de abrir um escritório no Queens em 2019. "Isso mancha a visão de negócios de uma cidade", comentou Levy, observando que, em contraste, parece que quase todos os investidores e empresários em Miami têm o número do celular do prefeito.

Suarez, que lançou um programa chamado eStart recentemente para simplificar o processo de iniciar um negócio em sua cidade, creditou o sucesso de Miami a uma combinação de impostos mais altos, Covid-19 e políticas de esquerda em Nova York e San Francisco. "Você não só está vendo mais e mais do seu dinheiro indo para o governo; está vendo mais do seu dinheiro indo para um governo que não quer você", disse Suarez, um republicano.

Em 28 de janeiro, ele entrou ao vivo no Twitter com o diretor de operações do SoftBank para anunciar que o conglomerado japonês havia comprometido US$ 100 milhões para investir em empresas de tecnologia em Miami ou em empresas de tecnologia dispostas a se mudar para a cidade.

Suarez busca autopromoção. "Eu me orgulho de dizer que Miami é o primeiro governo municipal a hospedar o whitepaper de Satoshi no site do governo", tuitou em 27 de janeiro, referindo-se ao criador do Bitcoin, a criptomoeda.

Duas docas

Se há um símbolo para a mudança na cultura de Miami, é a casa de Oringer. Com 1.860 metros quadrados e duas docas, pertenceu ao astro do beisebol Alex Rodriguez. No ano passado, porém, foi comprada por Oringer, fundador da Shutterstock, por US$ 42 milhões.

O imóvel se tornou o espaço de coworking para várias das novas empresas nas quais Oringer investiu por meio da Pareto Holdings, fundo que ele e Edward Lando criaram para investimentos em startups de Miami. Seu slogan: "Construindo empresas que mudarão o mundo sob o sol de Miami."

A Pareto já fez cerca de cem investimentos, com outros cem previstos até o fim de 2021. A equipe está focada em empresas de telemedicina, tecnologia financeira e gestão de relacionamento com o consumidor.

"Os verões são brutais, sim, mas será que nos esquecemos de como é o inverno em Nova York? Prefiro um verão na Flórida a um inverno em Nova York", disse Oringer.

Meghan Maloof Berdellans, que dirige a empresa de realocação executiva S&S Global, contou que estava trazendo dois executivos de San Francisco ou de Nova York para Miami toda semana. "É algo que gostamos de chamar de Mass Techxodus (êxodo em massa do mundo tech)", escreveu ela em seu blog em dezembro.

Voltando para casa

Ao contrário de San Francisco e Nova York, Miami é diversificada em sua política, com republicanos e democratas vivendo juntos em relativa paz.

É também racialmente diversa e internacional, de uma forma muito diferente do local onde alguns dos recém-chegados viviam. Miami – com uma população de cerca de 500 mil habitantes, e 6,2 milhões na Grande Miami – é cerca de 70 por cento hispânica e 15 por cento negra. San Francisco, com uma população de 900 mil, é 15 por cento hispânica e cinco por cento negra.

"As universidades de Miami formam mais engenheiros de minorias do que qualquer outra cidade dos EUA", informou Leigh-Ann Buchanan, que está iniciando a Aire Ventures, consultoria sem fins lucrativos para ajudar a criar diversas comunidades tecnológicas.

Buchanan disse esperar que parte do dinheiro do investimento que chegasse à cidade fosse necessário para empreendedores locais necessitados, e não apenas para novos fundadores de tecnologia. Seria uma maneira de espalhar a riqueza. "Miami tem todo o potencial para ser diferente. Vamos ver o que acontece", afirmou ela.

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