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Esta startup apostou no delivery por drone e já tem o iFood como cliente

Fundada há cerca de quatro anos, SpeedBird já tem parcerias com Claro, iFood, Hermes Pardini e Mercedes-Benz
 (Divulgação/iFood)
(Divulgação/iFood)
Por Gabriel AguiarPublicado em 09/04/2021 07:00 | Última atualização em 09/04/2021 12:40Tempo de Leitura: 6 min de leitura

Pelo ar: iFood já começou testes de logística com drone (iFood/Divulgação)

Receber a entrega da pizza pelo ar parece coisa do futuro. E, de fato, é. Mas já é possível pedir delivery feito – em parte do trajeto – por drone. Neste momento, o serviço da brasileira SpeedBird está em fase experimental, só que o iFood já é um dos parceiros, assim como outras cinco empresas (além de Claro, Hermes Pardini e Mercedes-Benz, há outros dois que não foram revelados).

De acordo com Samuel Salomão, diretor de produto e sócio-fundador da empresa, o projeto nasceu há cerca de quatro anos para atender uma demanda da telemedicina. “Eu estava vivendo nos EUA e notei que não adiantava ter atendimento remoto se o paciente teria que sair à farmácia para comprar o que era receitado. Desenvolvemos a ideia e, em 2018, decidi voltar ao Brasil”, diz.

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No mesmo ano que retornou ao país, já aconteceu a primeira entrega. Mas foi somente em 2019 que a empresa deu entrada no pedido de certificação da aeronave, processo necessário para conseguir voar antes da aprovação definitiva e que foi concluído em agosto de 2020. Com isso, a startup é a primeira do país autorizada a voar BVLOS, sigla em inglês para “além do campo de visão”.

“Esse foi um marco para a nossa indústria, porque não existe nenhum registro de empresas que tenham um certificado de drones para fazer serviço de logística. Existem voos que dispensam a regulamentação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), mas precisam ficar no campo de visão do operador. Mas a operação a longa distância é a única que faz sentido para delivery”, afirma.

Manoel Coelho e Samuel Salomão, da SpeedBird: começo de uma revolução no jeito de fazer delivery (Speedbird/Divulgação)

Por enquanto, existem algumas limitações: o iFood testa uma rota de 400 m no Shopping Iguatemi, em Campinas (SP), que, percorrida a pé, levaria 12 minutos. Pelo ar, bastam dois minutos até a encomenda chegar ao ponto de encontro dos entregadores, que fazem o restante do trajeto. Essa operação é parte do processo de validação de segurança, que deverá ser concluído em agosto.

“Temos um período de 12 meses, em média, para comprovar que funciona e amadurecer a tecnologia. Uma vez que estiver concluída a etapa experimental, garantindo que nosso projeto é robusto e não tem falhas, será necessário submeter a uma nova aprovação da Anac. Então, é emitido um novo certificado que permite produção, comercialização e operação da aeronave”, diz Salomão.

Neste momento, o processo burocrático está encaminhado para o primeiro drone da empresa, batizado DLV1, capaz de transportar até 2 kg. Só que outros dois protótipos também estão em desenvolvimento: o DLV2, com capacidade para até 8 kg; e o DLV4, que leva 5 kg, porém, se destaca por conseguir levantar voo e pousar verticalmente, além de voar como avião, a 90 km/h, por 100 km.

Assim como acontece na aviação civil e no mercado automotor, há componentes de fornecedores, como é o caso das hélices e motores, por exemplo. Mas os projetos foram criados pela própria Speedbird, que também é responsável pela criação do software de operação – que incluiu o reconhecimento de outras aeronaves da empresa no espaço aéreo, que são monitoradas em tempo real.

Porjetos: além do DLV1, há dois drones em desenvolvimento (Speedbird/Divulgação)

“Para fazer o delivery com drones acontecer, é necessário ter mindset aeronáutico. Trazer essa ideia de que a segurança está em primeiro lugar e ter procedimentos bem claros para desenvolver a tecnologia. Hoje, maior dificuldade é conseguir as aprovações e certificações. E a regulamentação evolui junto com a tecnologia. Quando comprovar a segurança, será como aviões e helicópteros”.

Manoel Coelho, diretor executivo e sócio-fundador da startup, explica que a intenção não será vender o drone como produto, mas oferecer o serviço de logística. “Haverá uma cobrança mensal, que dependerá das rotas e das horas de voo, que já incluem toda a infraestrutura, operadores e até seguros. Ainda não dá para revelar preços, porque são muito variáveis, mas é altamente viável”, afirma.

Neste ano, o plano é conquistar a primeira certificação para o drone DLV1 e manter as parcerias atuais para expandir as rotas. E, até 2022, a meta será integrar o software da Speedbird com as empresas. Por fim, daqui dois anos, a startup espera ter outras aeronaves em operação e clientes internacionais, com atuação também fora da América Latina – já existe até um acordo firmado em Israel.

Além das próprias aeronaves, está em desenvolvimento, em parceria com a Mercedes-Benz, uma van que servirá de base para pousos e decolagens. Todas as modificações necessárias são responsabilidade da startup, enquanto o fabricante alemão ficará à cargo da homologação. Esse projeto segue orientação dos engenheiros da marca e terá tecnologias como internet, gerador e telemetria.

BirdPort: Mercedes-Benz Sprinter servirá de base para drones (Speedbird/Divulgação)

“Esse veículo permite novas oportunidades. Cidades que recebem turistas em determinadas datas e que precisam de logística mais eficiente durante tempo pré-determinado; acessar áreas rurais ou periféricas distantes dos grandes centros; fazer parte do trajeto via terrestre; e até mesmo atender áreas afetadas pelas chuvas, levando os suprimentos e servido de base próxima”, diz Salomão.

De acordo com Coelho, será aberta uma rodada de investimentos já nas próximas semanas para iniciar o plano de expansão. Esse aporte – que não teve valor divulgado – servirá para a construção de uma nova fábrica, além de contratação e treinamento de novos funcionários. Também serão elaborados estudos de pesquisa e desenvolvimento com os parceiros atuais para logística não-tripulada.

Para os sócios-fundadores, os drones serão tão populares no Brasil até o fim da década que será comum perceber a influência disso no transporte de mercadorias pequenas, e-commerce e envio de remédios, por exemplo. E, para ambos os executivos, as pessoas estarão tão acostumadas a esses veículos quanto estão a aviões e helicópteros, inclusive com áreas de pouso e decolagem em prédios.

“Temos certeza que as certificações que estamos buscando podem ajudar a distribuir essa tecnologia de maneira mais abrangente. E, à medida que conseguirmos novas autorizações, poderemos expandir para o país inteiro. Nós quisemos que o projeto fosse desenvolvido no Brasil. O que estamos fazendo hoje é o comecinho desse cenário, dessa visão de vários drones voando no céu”, diz Salomão.

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