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Rede de saúde do trabalho fatura R$ 150 milhões, tem 65 unidades e ganha SMZTO como sócia

Com 65 unidades e quase 1 milhão de vidas sob gestão, a MedNet quer chegar a 200 operações nos próximos cinco anos com reforço da operação comercial e investimento em IA

José Carlos Semenzato, fundador da SMZTO: 'Queremos ajudar a dar voz para essa marca e levá-la para todo o Brasil'

José Carlos Semenzato, fundador da SMZTO: 'Queremos ajudar a dar voz para essa marca e levá-la para todo o Brasil'

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 21 de maio de 2026 às 12h00.

O grupo SMZTO anunciou a participação minoritária na MedNet, rede de franquias de saúde e segurança do trabalho. A empresa, fundada pelo casal Paulo e Orjana Barbudo, conta com 65 unidades em operação e, no último ano, teve faturamento de R$ 150 milhões. Para 2026, a expectativa é alcançar cerca de R$ 200 milhões em receita.

“Em nossa busca proativa por empresas com potencial de crescimento sustentável, a Mednet chamou atenção pela maturidade em governança, processos e tecnologia. Agora, queremos ajudar a acelerar esse crescimento e levar a empresa para todo o Brasil”, afirma José Carlos Semenzato.

A expectativa é que a empresa cresça de duas a três vezes nos próximos cinco anos, chegando a até 200 unidades.

Para isso, a estratégia inclui fortalecimento comercial e investimentos em tecnologia.

Como surgiu a MedNet

Em 1994, ocorreu uma importante revisão das normas regulamentadoras de segurança e saúde no trabalho. Motivado pela mudança, o médico Paulo C. Barbudo decidiu criar a MedNet no mesmo ano.

“Os exames ocupacionais já existiam, mas aconteciam de forma desorganizada, sem um acompanhamento padronizado. Com a atualização da norma, as empresas passaram a ser obrigadas a monitorar periodicamente a saúde dos trabalhadores e os riscos do ambiente de trabalho”, diz Barbudo.

A empresa nasceu na cidade de Americana, no interior de São Paulo. Começou atendendo empresas locais, mas logo enfrentou um desafio: algumas delas tinham filiais em outras cidades que ainda não contavam com unidades da MedNet.

Paulo e Orjana Barbudo, fundadores da MedNet

“Na época, trabalhávamos com clínicas credenciadas em outras cidades, orientando os médicos sobre o padrão de atendimento que queríamos oferecer. Por um período funcionou bem, mas, com a expansão, começamos a enfrentar perda de qualidade, falta de padronização e aumento das reclamações. Foi aí que decidimos criar unidades próprias nas regiões próximas de Americana”, afirma.

Porém, o empresário já não conseguia administrar a expansão sozinho e decidiu apostar no modelo de franquias.

Criou duas unidades em que ainda participava como sócio — em Limeira e Campinas. Em 2011, vendeu a primeira franquia em São José dos Campos (SP).

A estratégia é sustentada por um sistema de tecnologia desenvolvido internamente ao longo de mais de três décadas. A plataforma integra franqueadora, unidades, clientes e colaboradores, centralizando desde a gestão comercial até o pós-atendimento. Hoje, a empresa afirma administrar quase 1 milhão de vidas ativas em todo o país e atender cerca de 20 mil empresas.

O modelo permite manter o mesmo padrão de serviço em diferentes regiões do país, além de oferecer às empresas contratantes um único fornecedor para operações espalhadas pelo Brasil.

A rede opera em um sistema integrado, no qual os franqueados podem vender contratos nacionalmente. Quando a empresa contratante possui funcionários em outras cidades, o atendimento é realizado por unidades locais da própria rede.

Os investimentos para abrir uma franquia começam a partir de R$ 250 mil, em unidades que têm entre 120 m² e 150 m². O faturamento médio das unidades varia entre R$ 150 mil e R$ 200 mil por mês.

O modelo também se destaca pela recorrência das receitas. Os contratos com empresas têm duração mínima de 12 meses e a taxa de renovação supera 98%, o que garante maior previsibilidade para os franqueados.

A entrada de Semenzato

A rede entrou no radar da companhia durante um processo de busca ativa do Grupo SMZTO por negócios capazes de crescer de forma sustentável. Um dos fatores decisivos foi o fato de a companhia já operar há mais de três décadas no mercado de saúde ocupacional.

“O que vimos foi uma empresa muito pronta, não apenas do ponto de vista de governança e processos, mas também de tecnologia”, afirma Semenzato. “Agora queremos ajudar a dar voz para essa marca e levá-la para todo o Brasil.”

O fundador afirma que a empresa já havia recebido propostas de outros grupos anteriormente, mas decidiu avançar na negociação pela credibilidade da SMZTO no franchising. “Somos bastante seletivos e encontramos o parceiro certo para a nossa jornada”, diz. Segundo ele, a afinidade de visão sobre crescimento sustentável e expansão nacional também pesou na decisão de fechar a sociedade.

Agora, a expectativa está na expansão da rede pelo país. Hoje, com 65 unidades, a meta é alcançar entre 150 e 200 operações nos próximos cinco anos. Segundo José Carlos Semenzato, a ideia é usar a expertise do grupo em franchising para aumentar a visibilidade da empresa e atrair novos investidores.

Além da expansão física, a companhia aposta em tecnologia e integração operacional para sustentar o crescimento. A expectativa é incorporar o uso da inteligência artificial para reduzir custos e melhorar o atendimento.

“Não se mexe no time que está ganhando, mas também não se pode jogar a vida inteira com as mesmas estratégias”, diz Semenzato. “Com a chegada da IA, certamente virão muitas melhorias nos processos e no atendimento.”

A aposta da SMZTO ocorre em um momento de maior demanda por soluções de saúde ocupacional e gestão de riscos nas empresas, impulsionada também pelas discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho e pela atualização da NR-1.

Segundo a MedNet, a companhia já desenvolve ferramentas para mapear riscos psicossociais e identificar problemas ligados ao ambiente corporativo. “Muitas vezes, o problema não está no funcionário, mas na organização da empresa. É preciso rever processos, metas e a forma de gestão antes que isso se transforme em um problema maior”, afirma Barbudo.

O investimento reforça o avanço da SMZTO no setor de saúde. Em abril, o grupo anunciou aporte na healthtech BeneMed, que vende serviços de saúde por assinatura. Além dela, a companhia já possui em seu portfólio outras empresas do segmento, como Novofio, Terça da Serra Residencial Sênior e Oral Sin.

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