Smart Fit e a covid-19: lucro em alta e sem cancelamento virtual

Grupo teve alta de 21% no lucro, que foi a 25 milhões de reais no primeiro trimestre. Algumas academias começam a ser reabertas apesar do coronavírus

A rede de academias Smart Fit conseguiu resistir aos impactos do novo coronavírus na operação no fim de março. É o que mostram os resultados do primeiro trimestre da companhia divulgados nesta quinta-feira, 28.

O faturamento entre janeiro e março foi de 602,7 milhões de reais, alta de 36% em relação ao mesmo período de 2019. O lucro subiu 21%, para 25 milhões de reais.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 196,9 milhões de reais, subindo 49%. A margem Ebitda também cresceu 2,9 pontos percentuais, para 32,7%.

Para que sejam comparáveis com anos anteriores, os resultados desconsideram os efeitos contábeis da aplicação da norma IFRS 16, que permite que os compromissos futuros dos contratos de aluguel dos imóveis onde as academias funcionam sejam reconhecidos como passivos de arrendamento, e o direito de uso dos espaços é reconhecido como um ativo de mesmo valor. Considerando o efeito da norma, a Smart Fit teve prejuízo de 6 milhões de reais no primeiro trimestre de 2020.

A Smart Fit encerrou março com 850 unidades, 24 delas inauguradas no primeiro trimestre, antes do coronavírus. Até a divulgação dos resultados neste 28 de maio, a empresa havia reaberto 34 unidades, ou 4% das academias da rede.

O grupo de academias da Smart Fit inclui ainda as marcas Bio Ritmo e O2. Das unidades do grupo, mais de 40% estão no mercado internacional, com presença em onze países da América Latina.

No Brasil, as academias passaram a poder ser reabertas após serem classificadas como atividades essenciais por decreto do presidente Jair Bolsonaro no último dia 11 de maio, assim como barbearias e salões de beleza.

Prejuízos

A rede afirmou que encerrou o primeiro trimestre com 1,35 bilhão de reais em caixa e vencimento de dívidas de 209 milhões de reais em 2020, o que, segundo a empresa, “resulta em maior volume de caixa disponível para a condução da operação”.

A Smart Fit afirma que, “dada a incerteza” sobre o retorno das atividades, adotou medidas de proteção ao caixa. Clientes tiveram os planos congelados e não estão pagando pelo serviço. Locação de imóveis foram renegociados e a construção de novas unidades foi suspensa. No Brasil, houve suspensão do contrato de trabalho ou redução de 50% na jornada para todos os funcinários. A Smart Fit aponta também que teve “forte redução de gastos com contas de consumo, limpeza e marketing”.

Em entrevista à EXAME no começo do mês, o presidente da Smart Fit, Edgard Corona, disse que a companhia, junto com a Associação Brasileira das Academias (Acad), vinha “mantendo contato com governos de cada região, assim como autoridades municipais.”

A Smart Fit fechou as unidades temporariamente no dia 19 de março. Na ocasião, a empresa disse à EXAME que poderia ter prejuízos de cerca de 160 milhões de reais ao mês com as unidades fechadas.

Alguns resultados de março podem dar pistas da dificuldade que a Smart Fit teve nos últimos dois meses e que devem aparecer no balanço do segundo trimestre. A geração de caixa operacional ajustada no primeiro trimestre caiu 43%, para 69,5 milhões de reais. A empresa afirma que a geração de caixa foi impactada sobretudo pela redução no capital de giro, do qual foram gastos 112,3 milhões de reais até o fim de março, devido “principalmente à suspensão das atividades durante a pandemia”.

Dificuldade em cancelar o plano

Com as unidades fechadas durante o período de isolamento social, surgiram nas redes sociais reclamações de usuários com dificuldade em cancelar os planos na Smart Fit em meio à pandemia. A empresa tinha até o fim de março 2,8 milhões de clientes, alta de 30% no trimestre em relação ao mesmo período de 2019.

Procurada, a Smart Fit afirmou em nota que, “não tem como operacionalizar o cancelamento dos planos” com as unidades fechadas e que não está cobrando mensalidades dos usuários neste período.

“Essa resolução segue as recomendações dos órgãos de defesa do consumidor, que incentivam os consumidores a não cancelarem produtos e serviços durante o período de quarentena. Assim que as unidades reabrirem, o cancelamento poderá ser efetuado normalmente”, disse a empresa.

Mesmo antes da pandemia, o cancelamento dos planos da Smart Fit era feito somente de forma presencial, na recepção das unidades, ou com carta de próprio punho. A empresa não adicionou formas de cancelamento pela internet ou via telefone durante o isolamento.

A Smart Fit afirma ainda no balanço que as unidades que já foram reabertas seguem recomendações das autoridades de cada estado e que adotam um manual desenvolvido pela Acad, a associação das academias. Estão sendo disponibilizados kits de higiene para os clientes, higienização completa, uso de máscaras e número máximo de clientes por período.

Segundo a empresa o protocolo adotado foi revisado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e se baseia em orientações de entidades como a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde, incorporando também experiências em países da União Europeia e na Ásia, onde operações das academias já começam a ser reabertas.

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