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Skincare perfeito: Boticário faz parceria com empresa de teste de DNA

Feito pela Genera, o resultado atribui pontuações a variações genéticas e gera uma rotina personalizada de cuidados com a pele

Cuidados com a pele: pacote que viabiliza essa experiência é o Genera Premium, hoje vendido por cerca de R$ 399 (Tatiana Maksimova/Getty Images)

Cuidados com a pele: pacote que viabiliza essa experiência é o Genera Premium, hoje vendido por cerca de R$ 399 (Tatiana Maksimova/Getty Images)

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 20 de março de 2026 às 10h37.

Última atualização em 20 de março de 2026 às 12h38.

Gigante dos cosméticos, o Grupo Boticário decidiu colocar a genética no centro da estratégia ao firmar uma parceria inédita com o laboratório Genera, da marca Dasa. A parceria conecta testes de DNA diretamente à recomendação de produtos da linha Botik, em uma tentativa de transformar esses dados em motor de consumo.

A iniciativa chega em um momento em que o setor de beleza passa por uma transição relevante: menos sobre promessas genéricas, mais sobre rotinas individualizadas. O consumidor passa a receber sugestões de cuidados com a pele baseadas em predisposições genéticas identificadas a partir de um teste de saliva feito em casa.

O pacote que viabiliza essa experiência é o Genera Premium, hoje vendido por cerca de R$ 399, e inclui análises de ancestralidade, saúde e bem-estar, além do painel Botik — que traduz dados genéticos em recomendações de skincare.

Como funciona a 'calculadora genética'

A jornada começa no ambiente digital, passa pela coleta domiciliar de saliva e termina em um relatório com orientações práticas de uso de produtos.

No centro da parceria está uma 'calculadora genética', uma espécie de algoritmo proprietário que cruza informações do DNA com ativos cosméticos.

A tecnologia se apoia em marcadores conhecidos como SNPs, variações genéticas associadas a características como oleosidade, elasticidade, sensibilidade ao sol e produção de colágeno.

O sistema atribui pontuações a essas variantes e gera uma rotina personalizada de cuidados com a pele, combinando limpeza, tratamento, hidratação e proteção solar.

Vale ressaltar que há limites no resultado. Os dados genéticos não determinam, isoladamente, o estado da pele. Fatores como exposição solar, alimentação e estilo de vida continuam sendo decisivos.

Um levantamento da Genera com mais de 246 mil brasileiros mostra que características da pele variam significativamente entre regiões do país. A frequência de determinadas variantes genéticas pode variar entre 15% e 25% dependendo da região, afetando fatores como hidratação, pigmentação e resposta ao envelhecimento.

A lógica é semelhante à de outras aplicações recentes de IA na saúde: sair de uma abordagem reativa — tratar problemas quando surgem — para uma visão preditiva. A marca de produtos de pele Cetaphil, por exemplo, lançou um aplicativo de realidade aumentada que sugere uma avaliação a partir de uma foto do consumidor.

Em 2025, a própria Genera lançou um modelo de assinatura anual que oferece aos clientes atualizações mensais sobre os dados genéticos, além de consultas com médicos, geneticistas e nutricionistas.

Uma aposta em um mercado bilionário

O mercado de genética já movimenta cerca de R$ 130 bilhões por ano no Brasil, enquanto o setor de beleza deve atingir R$ 190 bilhões em faturamento no país em 2025.

De testes genéticos, a Genera foi comprada pela rede de saúde Dasa em 2019. São mais de 600 mil testes realizados e um dos maiores bancos de dados genéticos da América Latina.

Hoje, existem empresas relevantes no setor, como a brasileira MeuDNA e a americana 23AndMe, recentemente vendida para a farmacêutica Regeneron após uma sequência de crises, mas que já foi avaliada em US$ 6 bilhões.

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