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Sertrading quase dobra receita em 2022 e chega a R$ 10,5 bilhões com inovação para comércio exterior

O volume de importações, de 19 bilhões de reais, é 20% acima do patamar de 2021, e mais de quatro vezes o patamar de 2018: 4 bilhões de reais. Conheça o modelo de negócio da empresa

Luciano Sapata e Alfredo de Goeye, da Sertrading: tecnologia própria e grandes clientes por trás do crescimento acelerado em 2022 (Divulgação/Divulgação)

Luciano Sapata e Alfredo de Goeye, da Sertrading: tecnologia própria e grandes clientes por trás do crescimento acelerado em 2022 (Divulgação/Divulgação)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 17 de fevereiro de 2023 às 09h00.

Uma das principais empresas de comércio exterior do Brasil, a paulistana Sertrading teve um resultado espetacular em 2022.

Num ano de recordes no fluxo de bens e serviços ao Brasil, a Sertrading teve receita líquida de 10,5 bilhões de reais, alta de 95% sobre 2021.

O volume de importações, de 19 bilhões de reais, é 20% acima do patamar de 2021, e mais de quatro vezes o patamar de 2018: 4 bilhões de reais.

O lucro líquido no ano passado foi de 301 milhões de reais.

O negócio da Sertrading mistura prestação de serviço e tecnologia desenvolvida para desembaraçar com mais facilidade as mercadorias em direção ao Brasil — ou para fora daqui.

Fundada em 2001, a Sertrading tem atualmente 100 clientes, 30 a mais do que em 2021.

Entre eles estão grandes empresas como Ford, Ambev, P&G, Pepsico e Estee Lauder, boa parte delas dependentes de matérias-primas importadas para fazer funcionar operações no Brasil.

O que faz a Sertrading

Entre as atividades feitas pela Sertrading estão:

  • Planejamento tributário
  • Consultoria logística para busca de fornecedores no exterior
  • Gestão do desembaraço alfandegário
  • Trade finance
  • Análise de dados sobre comércio exterior com plataforma de gestão Sertrading Vista

Por trás do bom resultado de 2022 estão destaques como a aviação executiva.

A Sertrading é, hoje, líder na importação de jatinhos e helicópteros. Em 20 anos foram mais de 400 aeronaves. Só em 2022, esse fluxo foi de 1,7 bilhão de reais.

Outros setores relevantes para o faturamento da Sertrading são a indústria automobilística, farmacêutica, química, de energia, máquinas e equipamentos para construção.

"Crescemos em todos os sentidos nos últimos quatro anos: em carteira de clientes, faturamento e gente", diz Luciano Sapata, sócio e vice-presidente da Sertrading desde 2002 depois de passagem pelo banco Francês e Brasileiro, CCF BRasil e Cotia Trading.

Por que a empresa cresceu tanto

O momento da economia brasileira ajudou nesse resultado.

Em 2022, o comércio exterior brasileiro bateu recorde: foram 607 bilhões de dólares entre importações e exportações. Ainda assim, o fluxo de bens e serviços ainda movimenta pouco mais de 20% do PIB do Brasil.

Apenas para comparação, no México, em função da presença forte de indústrias cuja produção é 100% destinada aos Estados Unidos e Canadá, o comércio exterior representa perto de 100% do PIB.

“O Brasil ainda tem uma balança comercial pequena na relação com o PIB quando comparado a outros países desenvolvidos e olhamos isto como uma grande oportunidade”, diz Alfredo de Goeye, fundador da Sertrading e um dos profissionais mais calejados no comércio exterior no Brasil.

Ele atua no setor desde 1979, tendo ocupado posições de destaque no setor, como ter sido membro da Camex, a Câmara de Comércio Exterior do Governo Federal, além de ser diretor da Abece, a associação brasileira das empresas de comércio exterior.

O foco da Sertrading em grandes clientes também colaborou para o bom resultado.

Com ameaças recentes, com a disrupção de cadeias logísticas recorrente do fechamento de fronteiras na pandemia, muitas grandes empresas precisaram reorganizar cadeias de suprimentos.

Com isso, aumentaram a dependência de consultorias de comércio exterior como a Sertrading, cujo DNA é o de olhar para cadeias de fornecimento complexas, com volumes altos e potenciais ganhos de escala vitais para o lucro num mercado com margens baixas.

"Focamos o negócio onde a gente entende que é muito eficiente e hoje está concentrado em multinacionais ou empresas nacionais de grande porte", diz Sapata.

Qual é a meta para 2023

Em outra frente, a empresa funciona quase como um banco para os clientes — a estruturação financeira acaba servindo como diferencial.

Em algumas situações, como a de clientes do vestuário, a Sertrading paga por um produto da China antes mesmo de ele ser produzido, se encarrega de trazer a mercadoria ao Brasil, vende ao cliente só recebe depois de o cliente ter vendido a mercadoria ao consumidor final.

Nesses casos, a operação pode durar até 230 dias — a Sertrading só é remunerada ao fim do processo.

"A gente se qualifica como um elo da cadeia produtiva do cliente e, por isso, essa acaba sendo nossa maior proposta de valor", diz Sapata.

Para 2023, a estimativa é que a Sertrading cresça 20% e atinja 23 bilhões de reais em volume de importação.

A receita líquida deve crescer na mesma proporção — a meta é chegar a 12,5 bilhões de reais e de manter o lucro líquido estável.

No radar da Sertrading estão também investimentos em startups.

De 2020 para cá, a empresa já aportou recursos em duas delas: Kestraa, uma plataforma SaaS para ajudar na gestão de negócios de comércio exterior fundada em 2017 por dois executivos com passagens pela Sertrading.

Na carteira da Kestraa estão clientes de peso como Ambev, Riachuelo, Rhodia e Saint-Gobain.

Em 2021, foi a vez da fintech Vixtra, focada no financiamento de importadores e também fundada por executivos com passagens pela Sertrading.

As duas somam valuation superior a 150 milhões de reais.

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