Sem amianto, Eternit se consolida e reverte prejuízo no 3º trimestre

A companhia registrou um lucro líquido ajustado de 22 milhões no acumulado do ano

A Eternit registrou um avanço de 58% da receita líquida no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2019, para 201,1 milhões de reais, aproveitando o bom momento do setor de materiais de construção no país. Com isso, a fabricante reverteu prejuízo no acumulado do ano, alcançando lucro líquido ajustado de 22,2 milhões de reais em 2020. 

“Uma conjunção de fatores muito positivos nos favoreceu. O processo de reestruturação da companhia, com o turn around do amianto desde 2017, está se consolidando", afirma Luis Augusto Barbosa, presidente da Eternit, em entrevista à EXAME.

Segundo o executivo, quando a empresa decidiu parar de usar o amianto no mercado interno, as vendas da mineradora, a Sama, diminuíram sensivelmente. "Naquele momento, a companhia perdeu uma receita importante. Tivemos que reestruturar custos para uma nova realidade da empresa. Ao mesmo tempo, havia a necessidade de adequar a produção sem o amianto, desenvolver uma nova tecnologia não é fácil." 

A reestruturação da empresa coincide com o crescimento do mercado de reformas no país. "O auxílio emergencial atingiu uma camada da população que para a Eternit é muito importante. O brasileiro deixou de gastar com outras atividades e passou a investir mais em sua casa."

O terceiro trimestre de 2020 foi o primeiro, completo, que a empresa rodou somente com os negócios definitivos do seu portfólio para o futuro, além da consolidação da produção sem o amianto.

Segundo balanço divulgado no início da noite desta terça-feira, 10, as vendas de telhas de fibrocimento atingiram 185.200 toneladas, alta de 31% na comparação anual. No acumulado do ano, o avanço é de 8%.

Já o volume de vendas de sistemas construtivos (placas e painéis cimentícios) no terceiro trimestre sofreu impacto dos efeitos da pandemia, apresentando uma queda de 15% na comparação anual. Em relação ao período imediatamente anterior, houve alta de 2,9%.

Com a marca Tégula, de maior valor agregado, o grupo reportou um crescimento de 30% nas vendas de telhas de concreto no terceiro trimestre. No entanto, no acumulado do ano houve queda de 11% sobre igual período de 2019. 

Com esse desempenho, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou 41,7 milhões de reais, mais do que o dobro de um ano antes.

Embora a Eternit não utilize mais amianto na produção de telhas, a companhia continua operando sua mina (Sama) em Goiás. De julho a setembro, foram exportadas 22.000 toneladas de fibra crisotila e 45.700 toneladas no acumulado dos nove primeiros meses do ano. 

Segundo Barbosa, a decisão de abandonar o uso do amianto ocorreu porque a empresa entende que não há mais “licença social” para o produto. Enquanto isso, qualquer medida sobre a continuidade das operações na Sama depende de uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Sem isso, a mina vai operar exclusivamente com exportações.

Telhas de energia solar

A Eternit informa ter instalado uma unidade piloto dentro do complexo da Tégula em Atibaia, interior de São Paulo, com capacidade de produção de 10,8 MW por ano em geração de energia solar. A solução desenvolvida pela empresa consiste na aplicação diretamente na telha da célula fotovoltaica.

Os primeiros lotes produzidos serão destinados a projetos-piloto a ser instalados em clientes estratégicos de diferentes segmentos e regiões do país, visando a verificação de desempenho e durabilidade do produto em aplicações reais.

A promessa é que a versão da telha fotovoltaica da Eternit custe até 30% menos do que as convencionais. A manutenção também deve ser mais simples, principalmente porque o sistema será composto de telhas modulares.  

Perspectivas

Barbosa acredita que o mercado brasileiro  de materiais de construção continuará aquecido no quarto trimestre, com uma demanda represada e com o auxílio emergencial do governo ainda rodando na economia.

Para 2021, porém, há incertezas sobre a continuidade do programa emergencial, mas o executivo da Eternit está otimista.

"Houve uma mudança de comportamento do consumidor. O brasileiro percebeu que é possível fazer home office com um alto nível de produtividade. As pessoas vão ficar mais em casa e, mesmo que haja uma retração da economia, o consumidor tende a investir uma parcela maior do seu orçamento no lar."

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