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Saúde mental vira obrigação nas empresas — e um negócio de R$ 500 milhões para ele

Fundada em 2020 por Michel Burmaian, a empresa tem entre os sócios Igor Faria, responsável pela marca Patati Patatá, e aposta no atendimento corporativo para crescer

Michel Burmaian, CEO da Somente: "Nosso maior desafio ainda é conscientizar sobre a importância dos cuidados com a saúde mental" (Divulgação/Somente)

Michel Burmaian, CEO da Somente: "Nosso maior desafio ainda é conscientizar sobre a importância dos cuidados com a saúde mental" (Divulgação/Somente)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 15 de março de 2026 às 08h01.

A Somente, empresa de teleatendimento em saúde mental, fechou 2025 com faturamento de R$ 73 milhões. O negócio foi fundado em 2020, quando a telemedicina ganhou escala durante a pandemia. A iniciativa foi idealizada por Michel Burmaian, que tem como sócios Igor Faria, também responsável pela marca Patati Patatá, e Sandro Nunes.

Para 2026, a expectativa é alcançar R$ 500 milhões em receita, com expansão da atuação junto a grandes empresas e operadoras de saúde.

“O resultado de 2025 mostra que estamos avançando no mercado e estruturando um ciclo de crescimento para os próximos anos”, afirma Burmaian.

 

Como funciona o modelo da Somente

A Somente é o primeiro negócio de Michel Burmaian. Formado em administração, ele não chegou a atuar no mercado corporativo antes de criar a empresa.

“Eu competia em provas de triathlon. A Somente foi minha primeira empreitada”, afirma.

Além de Burmaian, a empresa tem como sócios Igor Faria e Sandro Nunes. Juntos, os três mantêm 80% da companhia. A gestora RI Investimentos entrou no negócio em 2021 com 5%. Em 2022, Nicolas Villeon adquiriu 15%.

Criada durante a pandemia, a empresa nasceu com a proposta de oferecer consultas no mesmo dia da solicitação. O foco está em atendimentos psicológicos e psiquiátricos realizados no mesmo dia do pedido. 

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Diferentemente de marketplaces de saúde, a Somente atua como prestadora direta de serviços. Todos os profissionais são contratados pela empresa, seja via CLT ou PJ. Hoje são mais de 2 mil colaboradores, entre psicólogos, psiquiatras, operadores e equipe administrativa.

“Realizamos mais de 10 mil terapias por dia”, diz Burmaian.

A empresa cresceu atendendo diferentes frentes de demanda: pacientes particulares, empresas e convênios ou operadoras de saúde. No total, são 100 companhias atendidas pela Somente. 

Novo produto para empresas

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata da segurança e saúde no trabalho, ampliou a responsabilidade das empresas sobre a saúde mental dos funcionários. A partir de 2026, companhias terão de identificar e gerenciar riscos psicossociais — como estresse, assédio e sobrecarga de trabalho — dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), sob fiscalização do Ministério do Trabalho.

Pensando nisso, a Somente desenvolveu um produto voltado a essa demanda e já começou a implementá-lo em algumas companhias.

O serviço é estruturado a partir das necessidades de cada empresa, com foco na elaboração de planos de ação e no atendimento psicológico e psiquiátrico dos colaboradores.

“O nosso maior desafio ainda é conscientizar sobre a importância dos cuidados com a saúde mental”, afirma Burmaian.

O avanço da empresa ocorre em um mercado que cresce rapidamente. O número de atendimentos remotos no Brasil saltou de 200 mil em 2020 para mais de 3,1 milhões em 2025, segundo o Painel de Indicadores da Saúde Digital.

Para atingir a meta de R$ 500 milhões em 2026, a companhia aposta na ampliação da base corporativa e na expansão das parcerias com grandes empresas e operadoras de saúde.

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