Saiba quem é Carlos Ghosn, executivo da Nissan preso por fraude

Ghosn liderou a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi até o topo da indústria automotiva mundial

Acusado de fraude fiscal à frente da Nissan, Carlos Ghosn, 64 anos, foi responsável pela recuperação da montadora japonesa e por ter criado um gigante do setor automotivo com a Renault e a Mitsubishi.

Ele foi detido em Tóquio, nesta segunda-feira (19), de acordo com a emissora de televisão pública NHK.

Construtor de um império automotivo

Ghosn liderou a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi até o topo da indústria automotiva mundial. No Japão, Carlos Ghosn é venerado por reerguer a Nissan, cujo controle passou para as mãos da Renault em 1999.

À frente da Renault e da Nissan, em 2016, o empresário ampliou essa aliança à Mitsubishi Motors, levando o grupo à liderança na venda de automóveis. No ano passado, 10,6 milhões de unidades foram vendidas.

Remuneração polêmica

Sua remuneração, uma das mais elevadas entre os executivos franceses, causou em 2015 embates com o Estado francês, acionário de 15% da Renault.

Como CEO da Nissan, ganhou 1,1 bilhão de ienes (8,8 milhões de euros) de abril de 2016 a março de 2017.

Também recebe 7 milhões de euros por ano como CEO da Renault, posto que ocupa desde 2009, depois de ser diretor-geral a partir de 2005.

Em junho de 2017, a agência de notícias Reuters afirmava que a aliança refletia um sistema de bônus escondidos para seus dirigentes, por meio de uma sociedade instalada na Holanda. Ghosn negou.

Em fevereiro de 2018, Ghosn aceitou reduzir em 30% sua remuneração, uma condição imposta pelo Estado para apoiá-lo em mais um novo mandato de quatro anos.

Primeiro a acreditar no carro elétrico

Na gestão de Ghosn, Renault e Nissan foram os primeiros a investir em massa no carro elétrico, setor do qual é líder mundial.

A partir de 2010, a estratégia da Alliance se voltou, decididamente, para esse novo modo de motorização. A concorrência seguiu esse caminho recentemente, depois de ver o mercado decolar. Em junho, o grupo anunciou que pretende investir um bilhão de euros nos veículos elétricos em cinco anos.

“Cortador de gastos”

Poliglota, capaz de se adaptar a diferentes culturas, esse franco-libanês-brasileiro rapidamente ganhou o apelido de “cost killer” (“cortador de gastos”) por sua capacidade de transformar empresas à beira da falência em lucrativos negócios.

Conhecido por se levantar muito cedo e dormir muito tarde, em 2006, Carlos Ghosn foi descrito pela revista “Forbes” como “o homem que trabalha mais duro no setor brutalmente competitivo dos automóveis”.

Um parceiro dos políticos

À frente de um império que reúne dez marcas e conta com 470.000 funcionários, o CEO foi criticado por sua alta remuneração, mas isso não o impediu de ser cortejado por políticos que associaram seu nome a seus projetos.

Em 2013, Arnaud Montebourg, então ministro da Renovação Industrial, entregou a Ghosn um dos 34 planos para o relançamento industrial da França: desenvolver o carro dirigido por piloto automático.

Mais recentemente, o CEO da Renault anunciou um investimento de 450 milhões de euros na fábrica Renault de Maubeuge, por ocasião de uma visita do presidente francês, Emmanuel Macron. A unidade conta com 2.000 funcionários. O presidente agradeceu à Renault por seu compromisso com o território nacional, após um anúncio prometendo criar 200 vagas por tempo indeterminado.

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