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Ricos menos ricos: 500 maiores fortunas do mundo perderam mais de 1,4 trilhão de dólares em 2022

Guerra, inflação, alta dos juros, pressão chinesa, sanções e resultados fracos estão entre as principais motivos para a queda das riquezas

Perda é superior ao PIB do México, a 15ª maior economia do mundo em 2021 (Jorge Araujo/Fotos Públicas)

Perda é superior ao PIB do México, a 15ª maior economia do mundo em 2021 (Jorge Araujo/Fotos Públicas)

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Marcos Bonfim

5 de janeiro de 2023, 08h05

O ano de 2022 acabou com as maiores fortunas globais em queda. Ao longo dos 12 meses, as 500 fortunas avaliadas pelo índice de bilionários da Bloomberg perderam cerca 1,4 trilhão de dólares.

Para efeito de comparação, a redução nas riquezas é superior ao PIB do México, a 15ª maior economia do mundo. Em 2021, o país do América do Norte fechou com cerca de US$ 1,3 bilhão em 2021, de acordo com o Banco Mundial.

Esperado para ser o ano da retomada global, registrou vários momentos conturbados. Logo em fevereiro, a Rússia declarou guerra e invadiu a Ucrânia. A ação pressionou a já combalida economia global e contribuiu para a alta generalizada da inflação.

Em meio ao cenário conturbado, os bancos centrais agiram com alta dos juros. E os investidores partiram para ativos mais seguros, retirando capital das ações e fundos.

O movimento fez com que o valor dos papéis caísse e levasse à diminuição de fortunas atreladas a empresas de capital aberto. Nomes como Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg sentiram bastante com essas quedas. Juntos, os três perderam mais de US$ 307 bilhões.

No compilado do ano, outros elementos também pesaram para a queda:

As perdas só não foram maiores porque alguns bilionários caminharam em direção contrária. O principal destaque é Guatam Adani, bilionário indiano que ocupa atualmente a posição de terceiro homem mais rico do mundo. Em 2022, a sua fortuna crescer mais de US$ 44 bilhões.

Veja quem são os bilionários e quanto perderam:

Elon Musk – fortuna US$ 137 bilhões

Fundador de empresas como Tesla e SpaceX, Elon Musk perdeu mais de US$ 138 bilhões ao longo de 2022. A diminuição é, em parte, explicada como resultado do cenário econômico mundial mais desafiador com guerra na Ucrânia e o temor de recessão generalizada, o que contribuiu para a queda o mercado de ações ao redor do mundo e da Tesla, de onde vinha a maior parte da riqueza de Musk.

Outra fatia muito importante nesta equação foi a compra do Twitter, decisão que envolveu muitas idas e vindas e polêmicas. Quando concluiu o negócio, Musk vendeu volumes expressivos de suas ações da Tesla para honrar os novos compromissos.

O fato gerou e ainda gera desconfianças em muitos acionistas da fabricante de carros. Isso fez com que muitos reduzissem ou zerassem as suas posições em ações da montadora.

queda na fortuna levou o executivo a perder o posto de homem mais rico do mundo, título que mantinha desde janeiro de 2021, de acordo com cálculos da Bloomberg Billionaires Index. O anúncio foi feito meses após a Tesla se tornar a montadora mais valiosa do mundo em julho de 2020, conquista que gerou alta expressiva no patrimônio do executivo. Musk também se tornou a primeira pessoa a perder mais US$ 200 bilhões no mundo - em novembro de 2021, ele chegou a mais de US$ 340 bilhões.

Jeff Bezos – Fortuna US$107 bilhões

Outro ex-homem mais rico do mundo teve as economias reduzidas, Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin. A perda chega a US$ 89 bilhões refletindo os números mais fracos da Amazon, de onde vem a maior parte da sua fortuna. Em 2022, as ações da gigante do varejo retrocederam 50%.

Ao longo de 2022, ele também perdeu uma posição entre os homes mais rico do mundo e está em quarto lugar. A terceira foi ocupada por Gautam Adani, empresário indiano que fundou em 1988 um conglomerado com atuação diversificada em transporte, logística e desenvolvimento de infraestrutura.

Mark Zuckerberg – Fortuna de US$44,2 bilhões

Mark Zuckerberg, o fundador da Meta - dona das redes Facebook, Instagram e do app de mensageria WhatsApp -, viu a sua fortuna encolher mais de 80,4 bilhões de dólares, de acordo com o levantamento. O resultado acompanha a queda das ações da Meta, acumulando cerca de 64% ao longo de 2022.

Os números têm sido impactados pela desaceleração de crescimento da companhia. Os dados do segundo trimestre apresentaram queda de 36% no lucro líquido na comparação anual e no terceiro tri de 52%, ao passo que os custos e despesas subiram. Em novembro, a empresa anunciou a demissão de 11 mil funcionários.

Atualmente, o executivo ocupa o 25ª lugar entre os maiores bilionários.

Changpeng Zhao - Fortuna de US$ 12,6 bilhões

Conhecido como o homem mais rico do mercado de criptomoedas, Zhao, fundador da Binance, a maior corretora de cripto do mundo, perdeu US$ 77 bilhões ao longo de 2022. Os recursos diminuíram seguindo o cenário econômico mais crítico que afetou todo o mercado de renda variável.

Além disso, após a falência da corretora FTX, revelando uma série de medidas polêmicas e possivelmente fraudulentas do então CEO Sam Bankman-Fried, os investidores correram para fazer saques em outras corretores, com o receio de contaminação do mercado e de crise no universo cripto. A movimento de retirada também impactou as finanças de CZ, como o executivo é conhecido. Ele caiu da 11ª em janeiro para a 144ª posição entre os mais ricos.

Larry Page – Fortuna US$ 82,9 bilhões

Co-fundador do Google ao lado de Sergey Brin, Larry Page saiu da lista de "centibilionários" - bilionários com fortuna acima dos 100 bilhões de dólares - na qual tinha entrado em 2021. Em 2022, a sua fortuna foi reduzida em US$ 46,1 bilhões.

O declínio é atribuído à queda nas ações da Alphabet, holding fundada em 2015 para controlar o Google e outras empresas subsidiárias como o YouTube. Ao longo do ano, acumularam retração em torno de 40% como resultado de balanços financeiros mais fracos.

No terceiro trimestre deste ano, a receita do gigante de tecnologia foi de US$ 69,09 bilhões, alta de 6,11% na comparação com o mesmo intervalo de tempo de 2021. Esse foi o resultado mais fraco para o crescimento da receita da Alphabet desde 2013, excluindo o período do começo da pandemia. O lucro líquido caiu 26,54%.

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