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Riachuelo atualiza marca e vai aplicar R$ 180 milhões em 20 novas lojas

Com lucro no primeiro trimestre após seis anos, varejista acelera abertura de unidades e testa novos formatos compactos

Nova experiência: Loja pop-up da Riachuelo em Pinheiros reúne moda, tecnologia e ativações de marca em espaço compacto (Riachuelo/Divulgação)

Nova experiência: Loja pop-up da Riachuelo em Pinheiros reúne moda, tecnologia e ativações de marca em espaço compacto (Riachuelo/Divulgação)

Publicado em 10 de maio de 2026 às 08h00.

A Riachuelo está entrando em uma nova fase de crescimento. Depois de um ciclo de reestruturação interna e revisão de posicionamento, a varejista aposta agora em uma expansão baseada em lojas mais tecnológicas, experiências de marca e uma comunicação que reforça suas raízes brasileiras.

A companhia prevê abrir até 20 novas unidades ao longo de 2026, com investimento estimado em R$ 180 milhões. O movimento marca a retomada mais agressiva de expansão da rede nos últimos anos e faz parte de um plano mais amplo de atualização das mais de 430 lojas do grupo — embora a empresa ainda não tenha definido um cronograma completo nem o valor total necessário para adaptar toda a operação ao novo padrão.

A primeira vitrine desse novo momento foi inaugurada em Curitiba, no ParkShopping Barigüi, com um modelo de loja reformulado que reúne arquitetura inspirada na brasilidade, tecnologias de autoatendimento e novos formatos de exposição de produtos. Antes disso, a marca já havia testado conceitos na loja pop-up aberta no final de 2025 em São Paulo.

“Primeiro foi preciso arrumar a casa. Tivemos uma grande reestruturação interna, mudança de times, de escopo e um trabalho profundo de posicionamento de marca. Agora estamos em uma fase mais de realização”, afirma Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo, em entrevista à EXAME.

Segundo a executiva, os resultados iniciais das novas lojas vieram acima do esperado e deram segurança para acelerar o plano. “O mercado estava esperando um movimento da Riachuelo e agora estamos retomando essa expansão já dentro do novo modelo”, diz.

Cathyelle Schroeder: CMO da Riachuelo lidera reposicionamento da marca e nova estratégia de expansão da varejista (Riachuelo/Divulgação)

Por que apostar em lojas menores

Além das grandes unidades tradicionais, a Riachuelo começou a investir em um formato inédito para a companhia: lojas pop-up compactas, com cerca de 250 metros quadrados — muito menores do que o padrão médio de aproximadamente 2 mil metros quadrados da rede.

A primeira operação desse tipo foi aberta na Rua dos Pinheiros, em São Paulo, e funciona quase como um "laboratório" da marca. O espaço mistura moda, tecnologia e experiências, com programação de eventos, aulas, ativações culturais e curadoria reduzida de produtos.

“Não cabia pegar todo o nosso negócio e colocar em 250 metros quadrados. Então revisitamos o portfólio e fizemos uma curadoria muito específica”, afirma Cathyelle.

Algumas coleções chegam a ser exclusivas dessas unidades. Foi o caso de uma linha de upcycling desenvolvida com o estilista Marcelo Sommer, criada a partir de sobras têxteis da fábrica da companhia.

A estratégia também serve como ambiente de testes para soluções que podem ser replicadas nas demais lojas. Foi ali que a empresa começou a experimentar tecnologias como provadores inteligentes, sistemas de self-checkout e etiquetas RFID, que utilizam ondas de rádio para identificar, rastrear e registrar dados de produtos ou ativos automaticamente.

Na nova unidade de Curitiba, por exemplo, um dos andares já opera sem caixas tradicionais. Todo o pagamento é feito em autoatendimento, enquanto vendedores permanecem no salão auxiliando clientes e oferecendo consultoria.

Expansão da rede: Loja de Curitiba foi a primeira unidade tradicional a receber o novo modelo da Riachuelo (Riachuelo/Divulgação)

O movimento da Riachuelo acontece em um momento de maior competição no varejo de moda brasileiro.

A Lojas Renner também vem acelerando projetos de modernização de lojas e aposta em experiências mais digitais dentro das unidades, enquanto a Zara segue ampliando sua presença no país em meio à estratégia global da controladora Inditex de fortalecer mercados considerados prioritários.

Ao mesmo tempo, a chegada da sueca H&M elevou a disputa no setor: a varejista inaugurou suas primeiras operações no Brasil em 2025 e já anunciou novas lojas para 2026, incluindo unidades em Rio de Janeiro, Porto Alegre e Sorocaba.

Uma marca mais brasileira

A reformulação da Riachuelo passa também pela tentativa de reforçar uma identidade nacional em um mercado dominado por redes internacionais de fast fashion.

A nova comunicação da empresa aposta em elementos ligados à brasilidade, tanto na arquitetura quanto nas coleções. Tons inspirados em paisagens naturais, materiais como madeira e cerâmica e trilhas sonoras compostas apenas por artistas brasileiros fazem parte do novo conceito visual das lojas.

“Eu sempre trabalhei em empresas brasileiras e marcas que celebram o país. A Riachuelo também está buscando reforçar essa essência”, diz a CMO da Riachuelo.

Essa estratégia conversa diretamente com a tese defendida pelo CEO André Farber ao comentar os resultados financeiros recentes da companhia. Em entrevista publicada pela EXAME, o executivo afirmou que a varejista tem buscado crescer menos pela disputa de preço e mais pela criação de moda proprietária.

“Quando você faz uma moda com assinatura própria, com criatividade brasileira, consegue operar com margens mais saudáveis”, afirmou o CEO à EXAME.

A companhia começou 2026 revertendo prejuízos e voltando ao lucro em um primeiro trimestre após seis anos. Entre janeiro e março, registrou lucro líquido de R$ 5 milhões, ante prejuízo de R$ 26,7 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida somou R$ 2,3 bilhões, alta de 6,7%, enquanto as vendas em mesmas lojas cresceram 10,1%, no 11º trimestre consecutivo de avanço.

Nova vitrine: Fachada da pop-up da Riachuelo em São Paulo marca início do novo conceito visual da rede (Riachuelo/Divulgação)

Como a Riachuelo quer seguir crescendo

Parte importante dessa narrativa passa pela estrutura industrial da empresa. Diferentemente de grande parte das varejistas de moda, a Riachuelo mantém uma operação fabril relevante no Brasil.

A companhia controla um dos maiores polos têxtil da América Latina, localizado em Natal, no Rio Grande do Norte. Segundo a empresa, metade dos produtos vendidos atualmente são produzidos no Brasil. O restante vem de fornecedores na Ásia.

“Não é simples operar no país, mas é uma escolha diária que fazemos”, afirma Cathyelle.

Nos últimos anos, segundo a executiva, o grupo investiu mais de R$ 500 milhões em tecnologia e produtividade na cadeia operacional. O objetivo é aumentar eficiência, acelerar desenvolvimento de produtos e melhorar qualidade sem abandonar a produção nacional.

A companhia empresa mais de 30 mil pessoas e mantém uma cadeia relevante de fornecedores e bordadeiras no Nordeste.

Para onde a Riachuelo quer expandir

As novas lojas previstas para 2026 devem ser distribuídas em pelo menos seis estados. Além de São Paulo, a companhia já prevê inaugurações em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e outras regiões do país.

A expansão inclui tanto lojas de shopping centers quanto operações de rua, com formatos variados conforme perfil de consumo e potencial de rentabilidade.

Embora a empresa não detalhe o custo individual de cada unidade, a nova loja de Curitiba recebeu investimento de R$ 8 milhões.

A expectativa da companhia é acelerar as inaugurações entre junho e agosto. Paralelamente, a varejista seguirá ampliando o modelo de pop-ups, que não entram na conta das 20 novas lojas previstas inicialmente.

“Hoje entendemos que a pop-up não é só uma loja. É um espaço permanente de experiência de marca”, afirma a CMO da Riachuelo.

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