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Reunião Opep e aliados: briga por mercado será ainda mais difícil em 2021

Embora o objetivo seja comum, membros do grupo continuam discordando sobre volumes de produção

Reunião da Opep e aliados acontece em dois dias (Leonhard Foeger/Reuters)

Reunião da Opep e aliados acontece em dois dias (Leonhard Foeger/Reuters)

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Juliana Estigarribia

1 de dezembro de 2020, 08h52

Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados importantes como a Rússia entraram no segundo dia de reunião para decidir se vão aumentar os níveis de produção, diante da estabilização dos preços acima de 40 dólares o barril nas últimas semanas.

Até às 6 horas desta segunda-feira, os membros ainda não haviam se pronunciado diretamente sobre novos cortes, e a perspectiva agora é que estendam as conversas até quinta-feira diante da falta de um acordo, segundo fontes ouvidas pela agência Reuters.

Muito mais do que a retomada consistente da demanda, os produtores terão grandes desafios para manter sua fatia em um deteriorado mercado pós-pandemia.

A consultoria especializada Wood Mackenzie projeta que os cortes de investimentos das petroleiras somam mais de 20% em 2020 globalmente, o que deve impactar o desenvolvimento de novos campos no médio e longo prazo.

Por outro lado, a partir do momento em que a Opep+ decidir pela liberação dos níveis de produção, começará uma verdadeira corrida por market share: quem estiver melhor preparado deve ter vantagem.

Os líderes do grupo, como Arábia Saudita e Rússia, devem ter mais competitividade. Porém, países com a economia mais deteriorada, como Líbia e Venezuela, certamente terão dificuldades até para financiar a produção.

Para o ano que vem, os membros do grupo terão que começar a enfrentar outro desafio: a gestão do democrata Joe Biden, presidente eleito do maior mercado consumidor e produtor de petróleo do mundo. A expectativa é que, se ele cumprir a promessa de apostar mais em energias renováveis em detrimento dos combustíveis fósseis, o início da queda na curva de consumo deve se acelerar.

Espera-se que a Opep+ prolongue por três meses os cortes de produção, mas a recente alta nos preços pode complicar as negociações, uma vez que a saúde financeira dos países do grupo está cada dia mais debilitada. Sem um consenso no grupo, entretanto, restam dúvidas sobre a longevidade do acordo.

O preço do petróleo, que começou o ano acima de 60 dólares, teve uma queda ampla no pico da pandemia, chegando a ficarem território negativo. Com alguma reabertura econômica e avanço da indústria global, o preço vem se recuperando para a casa dos 40 dólares, com altas maiores sobretudo em outubro.

Mas, nas declarações até agora na reunião, os membros da OPEP apontaram como os desafios "imensos" do setor petrolífero continuarão em 2021. "O choque para a indústria do petróleo é massivo e seus severos impactos vão provavelmente reverberar nos próximos anos", disse o presidente da OPEP e ministro de Enegergia da Argélia, Abdelmadjid Attar.

Nesta terça-feira, sem uma decisão da OPEP, o preço do barril ficou sem direção definida: após quedas leves na madrugada, o barril do tipo Brent operava em alta de 0,38% (a 48,06 dólares) às 6 horas.